AGRONEGÓCIO
Alta nas vendas de ovos não recompõe margens e mantém setor sob pressão
AGRONEGÓCIO
O aumento das vendas de ovos no início de 2026 trouxe algum alívio para o mercado, mas ainda está longe de representar uma recuperação efetiva da rentabilidade da atividade. Apesar da reação da demanda, o setor segue operando com margens comprimidas, pressionado principalmente pelo custo da ração, em um cenário que limita investimentos e mantém o produtor em postura defensiva.
O Brasil figura entre os cinco maiores produtores de ovos do mundo, com uma produção anual próxima de 57 bilhões de unidades e consumo per capita ao redor de 260 ovos por habitante. Trata-se de um mercado essencialmente doméstico: cerca de 99% da produção é absorvida internamente, o que torna o equilíbrio entre preços ao produtor, custos de produção e poder de compra do consumidor um fator crítico para a sustentabilidade da cadeia.
Mesmo com a maior circulação do produto em janeiro, o movimento tem sido insuficiente para compensar a escalada dos custos. Milho e farelo de soja — que juntos representam a maior parcela do custo de produção — continuam corroendo a rentabilidade. Dados do Cepea indicam que o poder de compra do avicultor de postura frente a esses insumos segue em queda, atingindo, em termos reais, os níveis mais baixos dos últimos anos na relação de troca tanto com o cereal quanto com o derivado da oleaginosa.
Esse descompasso entre preços e custos cria um risco estrutural para o setor. Margens persistentemente negativas tendem a desestimular investimentos, reduzir alojamentos e, em um segundo momento, provocar ajustes na oferta. Esse tipo de movimento costuma gerar volatilidade adicional, com reflexos diretos nos preços ao consumidor, especialmente em um produto que ganhou protagonismo como proteína de menor custo em períodos de perda de renda das famílias.
Do ponto de vista econômico, o cenário revela um paradoxo. A demanda segue firme, sustentada tanto pela substituição de proteínas mais caras quanto por fatores sazonais, como o retorno das aulas, que tradicionalmente impulsiona o consumo. Ainda assim, o produtor não consegue capturar esse movimento de forma plena, pois parte relevante do ganho é absorvida pela estrutura de custos.
As exportações, embora crescentes, ainda têm papel marginal no equilíbrio do mercado. A participação externa é pequena, mas vista pelo setor como estratégica no médio prazo, sobretudo diante do bom status sanitário da avicultura brasileira. A abertura de novos mercados pode funcionar como válvula de escape em momentos de excesso de oferta interna, mas, no curto prazo, não altera de forma significativa a formação de preços.
Para o produtor rural, o recado é claro: o aumento das vendas, isoladamente, não resolve o problema da rentabilidade. A sustentabilidade da atividade dependerá de uma combinação mais favorável entre preços, custos de alimentação, eficiência produtiva e previsibilidade de mercado. Enquanto esse ajuste não ocorre, o setor segue crescendo em volume, mas operando sob forte pressão econômica — um sinal de alerta para uma cadeia que é estratégica tanto para o agronegócio quanto para a segurança alimentar do País.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Mato Grosso lidera produção de grãos no Brasil e concentra 59,7% do gergelim nacional
Mato Grosso segue na liderança da produção agrícola brasileira e amplia seu protagonismo com o fortalecimento de novas culturas. Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado em setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Estado permanece como o maior produtor nacional de grãos e se destaca como principal produtor de soja, milho e gergelim.
Segundo o levantamento, Mato Grosso responde por 32,1% de toda a produção brasileira de grãos em 2026, mantendo ampla vantagem sobre os demais estados. A estimativa nacional é de uma safra recorde de 352,9 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica do IBGE.
O principal destaque da divulgação é o gergelim, que vem se consolidando como uma cultura de importância crescente para a agricultura brasileira, especialmente no Cerrado. Mato Grosso lidera a produção nacional com estimativa de 212,7 mil toneladas, o equivalente a 59,7% de todo o gergelim produzido no país.
A produção nacional da oleaginosa foi estimada em 356,3 mil toneladas, em uma área de 575 mil hectares. No próprio levantamento, o IBGE destaca que o avanço da cultura reflete sua crescente importância para a agricultura brasileira e ressalta o protagonismo de Mato Grosso nesse cenário: “A produção do gergelim em Mato Grosso apresentou crescimento expressivo na última safra, tendo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT) estimulado investimentos”, reforçando o papel do Estado na expansão da cultura no país.
A expansão da cultura ocorre principalmente em regiões como o Araguaia, onde o gergelim tem se mostrado uma alternativa ao milho segunda safra em locais com maior risco de estiagem antecipada. Cultivado após a colheita da soja, entre o fim de fevereiro e o início de março, o gergelim possui ciclo de aproximadamente 120 dias e hoje tem perfil fortemente exportador, com cerca de 99% da produção mato-grossense destinada ao mercado externo.
Para a secretária adjunta de Agronegócio, Crédito e Energia da Sedec, Linacis Vogel Lisboa, a diversificação da produção acompanha as mudanças no cenário agrícola e as oportunidades que surgem para o produtor mato-grossense, em um trabalho construído a partir do diálogo com o setor.
“Manter Mato Grosso na liderança exige um trabalho permanente de parceria com o setor produtivo. O Estado tem atuado para fortalecer as cadeias que já são consolidadas, mas também para abrir espaço para novas culturas e novas oportunidades de mercado. O avanço do gergelim é um exemplo desse movimento de diversificação, que acontece sem perder de vista a força da soja, do milho e de outras culturas. É esse trabalho conjunto que permite ao Estado continuar crescendo e, ano após ano, ampliar seu protagonismo na produção agrícola brasileira”, afirma.
Além do avanço do gergelim, Mato Grosso manteve a liderança na produção nacional de soja, com estimativa de 50,7 milhões de toneladas em 2026. O volume representa crescimento de 1% em relação ao ano anterior, mantendo o Estado responsável por 29% de toda a produção brasileira.
No milho, Mato Grosso também permanece como principal produtor brasileiro. A estimativa é de 57,1 milhões de toneladas, mais da metade de toda a produção nacional, estimada em 141,8 milhões de toneladas.
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