AGRONEGÓCIO
Agronegócio brasileiro bate recorde com mais de R$ 83 bilhões
AGRONEGÓCIO
As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram, em outubro, o maior valor já registrado para o mês, somando R$ 83,12 bilhões. O crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período de 2023 foi impulsionado por volumes históricos de produtos como café, carne bovina e farelo de soja, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária nesta quinta-feira (14.11).
O agronegócio representou quase metade (49,2%) das exportações totais do Brasil entre janeiro e outubro de 2024, consolidando-se como um dos pilares da balança comercial do país.
Entre janeiro e outubro de 2024, o setor acumulou exportações de R$ 816,27 bilhões, representando um aumento de 0,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O resultado reflete a recuperação do agronegócio após meses de retração, revertendo a tendência negativa registrada até agosto e setembro.
Seis cadeias produtivas representaram 82% das exportações do agronegócio em outubro: soja, carnes, açúcar e etanol, café, cereais e produtos florestais. Entre os destaques, o setor de carnes registrou R$ 14,58 bilhões em exportações, um aumento de 38%, alcançando recordes históricos em carne bovina e carne bovina in natura.
Outros produtos também tiveram crescimento expressivo nos volumes exportados. O açúcar de cana bruto teve aumento de 1 milhão de toneladas; o farelo de soja, 500 mil toneladas; e a celulose apresentou crescimento similar. Esses resultados reforçam a liderança do Brasil no mercado agrícola global.
Embora o volume exportado tenha crescido 3,7% e os preços médios tenham aumentado 2,5%, o setor ainda enfrenta desafios, como a queda nos preços de produtos estratégicos, especialmente a soja. Entre janeiro e outubro, as exportações da oleaginosa somaram R$ 238,80 bilhões, uma redução de 15,6% em relação ao mesmo período de 2023.
A ampliação de mercados internacionais tem ajudado a mitigar esses impactos. Desde 2023, o Brasil abriu 276 novos mercados, segundo o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Recentemente, por exemplo, a Bolívia passou a importar produtos de reciclagem de bovinos e suínos, usados na indústria de rações.
O resultado de outubro marca um momento de retomada para o setor, que reafirma a competitividade do Brasil no cenário global, mesmo diante de desafios como oscilações nos preços internacionais e demandas variáveis. A diversificação e os avanços em logística e produção fortalecem o papel do agronegócio como motor econômico do país.
Fonte: Pensar Agro
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Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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