ECONOMIA
Fraudes bancárias exigem análise de operações fora do perfil
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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reuniu, em outubro de 2026, entendimentos sobre fraudes envolvendo instituições financeiras e destacou a importância de verificar se as movimentações questionadas eram compatíveis com o comportamento habitual do cliente. No especial publicado pelo tribunal, aparecem como fatores relevantes o valor, a frequência, o horário, o local, o intervalo entre transações, a sequência das operações, o meio utilizado e a contratação atípica de empréstimos antes de pagamentos suspeitos.
Segundo Elisângela B. Taborda, advogada especialista em fraudes bancárias e golpes financeiros, esses elementos ajudam a compreender o que significa uma operação fora do perfil do cliente. “Não existe um valor único que transforme uma transação em suspeita. O que precisa ser observado é o quanto aquela movimentação se distancia do comportamento que a conta apresentava até então”, explica.
Na avaliação da advogada, o histórico financeiro funciona como uma linha de comparação. Um cliente pode realizar uma transferência elevada por uma razão legítima. A situação ganha outra dimensão quando surgem vários sinais ao mesmo tempo, como contratação repentina de crédito, aumento expressivo dos valores, novos destinatários e diversas transferências realizadas em poucos minutos.
A sequência temporal também pode revelar informações que não seriam percebidas ao observar cada operação separadamente. “Quando um empréstimo é contratado e, logo depois, o valor é dividido em várias transferências para contas que nunca haviam recebido recursos daquele cliente, a análise precisa considerar a sequência completa”, afirma Elisângela.
Esse raciocínio aparece no REsp 2.269.747, julgado pela Terceira Turma do STJ em setembro de 2026. O tribunal tratou da validação de operações suspeitas, atípicas e diferentes do perfil do correntista e relacionou a ausência de resposta eficaz dos mecanismos de segurança à análise de defeito na prestação do serviço bancário.
Para a advogada, um dos pontos centrais dessa discussão é diferenciar autenticação de compatibilidade. Senha, token, reconhecimento facial ou biometria demonstram que determinado mecanismo foi utilizado para validar uma operação, mas não explicam, isoladamente, se aquela movimentação correspondia ao comportamento financeiro habitual da conta. “A autenticação responde à dúvida de como a transação foi validada. A análise da fraude precisa responder também a se aquela movimentação”, observa.
Essa diferença é especialmente relevante em fraudes bancárias envolvendo engenharia social. Nesses golpes, a vítima pode ser induzida a confirmar uma transferência ou seguir comandos acreditando estar diante de uma orientação legítima. A existência de autenticação, portanto, integra a análise, mas não substitui a verificação do contexto, da sequência das movimentações e de eventual ruptura do padrão anterior.
Elisângela explica que uma operação fora do perfil também não é sinônimo automático de fraude. Uma mudança isolada pode decorrer de uma decisão legítima do cliente. O cenário se torna mais relevante quando diferentes elementos convergem, como frequência fora do normal, valores incompatíveis com o histórico, sucessivas movimentações em curto espaço de tempo e transferência imediata de recursos obtidos por crédito.
O intervalo entre as operações é outro dado que pode ajudar a reconstruir o ocorrido. Uma conta que permanece por meses com determinado comportamento e, em questão de minutos, passa a contratar crédito e movimentar valores muito superiores aos habituais apresenta uma alteração diferente daquela verificada em uma única transferência eventual. Para a especialista em fraudes bancárias, velocidade, frequência e sequência precisam ser avaliadas em conjunto com os demais registros da conta.
Os mecanismos antifraude também ocupam posição relevante nessa análise. Segundo a jurista, a discussão sobre responsabilidade bancária pode envolver a capacidade dos controles de reconhecer uma mudança significativa no padrão e a resposta adotada diante desses sinais. “Uma operação fora do perfil não significa automaticamente fraude, assim como a existência de fraude não significa automaticamente responsabilidade do banco”, ressalta.
Esse equilíbrio é importante em ações contra instituições financeiras decorrentes de golpes. A análise não deve partir da ideia de que toda perda financeira será atribuída ao banco, nem de que a autenticação elimina qualquer possibilidade de falha. Para Elisângela, é necessário verificar se havia sinais objetivos de anormalidade, se esses sinais eram detectáveis pelos mecanismos de segurança e se eventual deficiência teve relação com o prejuízo discutido.
Para a especialista, observar o conjunto dos fatos evita conclusões simplistas tanto contra a vítima quanto contra a instituição financeira. “Não basta perguntar se houve senha ou biometria. É preciso compreender o que aconteceu antes, durante e depois das transações e comparar essa sequência com o histórico real daquela conta”, afirma.
“A operação fora do perfil é percebida pela diferença entre o comportamento habitual e aquilo que aconteceu durante a fraude. Valor, frequência, velocidade, sequência, destinatários e contratação de crédito ajudam a revelar essa ruptura. É essa leitura conjunta que permite avaliar tecnicamente a atuação dos mecanismos de segurança e a eventual responsabilidade bancária”, conclui Elisângela B. Taborda.
ECONOMIA
Peso do cabo elétrico não comprova qualidade do produto
A percepção de que um fio ou cabo elétrico mais pesado necessariamente apresenta maior qualidade ainda está presente entre consumidores e profissionais do setor. A associação está relacionada, principalmente, à maior densidade do cobre em comparação com outros materiais que podem ser utilizados na composição de condutores.
Embora o peso possa funcionar como um indicador complementar e até mesmo como um sinal de alerta para possíveis irregularidades, ele não é suficiente para comprovar a qualidade ou a conformidade de um produto. De acordo com a COBRECOM, fabricante de fios e cabos elétricos de baixa tensão, características como resistência elétrica, seção nominal, composição e qualidade do material condutor, isolação e atendimento às normas técnicas são fundamentais para avaliar o desempenho e a segurança dos cabos.
“Um cabo mais pesado não é necessariamente um cabo de melhor qualidade. O peso pode variar em função da quantidade de material condutor, da isolação e de outros componentes construtivos. Para avaliar a conformidade, é muito mais significativo verificar a resistência elétrica e os demais requisitos e ensaios estabelecidos pelas normas ABNT aplicáveis”, explica Paulo Sandrini Pozetti, coordenador de treinamentos técnicos da COBRECOM.
Qualidade depende das normas técnicas
A qualidade de um fio ou cabo elétrico está relacionada ao atendimento aos requisitos técnicos estabelecidos pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) aplicáveis a cada produto. Entre os parâmetros importantes está a resistência elétrica do condutor, que possui valores máximos definidos conforme a seção nominal, o material e as características construtivas e classe de encordoamento aplicáveis ao produto.
A ABNT NBR NM 280, por exemplo, estabelece valores máximos de resistência elétrica a 20 °C para os condutores. Esse parâmetro permite verificar se o desempenho elétrico está de acordo com os padrões estabelecidos para o produto.
“Não é possível determinar apenas pelo peso se o condutor possui a composição e as características elétricas adequadas. A avaliação deve considerar os ensaios e requisitos normativos, além das características dimensionais e construtivas do produto”, destaca Pozetti.
Peso do cabo pode ser um indicador, mas não comprova qualidade
O peso pode ser utilizado como uma ferramenta complementar de controle e como um possível sinal de alerta. Isso ocorre porque diferentes componentes presentes no cabo, como o material condutor, a isolação e eventuais coberturas, interferem no peso final do produto.
A densidade dos materiais também deve ser considerada. O cobre, por exemplo, possui densidade significativamente maior que a do alumínio. Dessa forma, um condutor de alumínio com aparência superficial semelhante à de um condutor de cobre tende a apresentar peso inferior quando comparados produtos de mesma seção e comprimento.
“Vale ponderar que, segundo a NBR 5410, o uso de condutores de alumínio em instalações residenciais/prediais comuns possui restrições severas de seção (geralmente permitidos apenas para seções nominais a partir de 16 mm² ou em condições específicas de projeto devido ao risco de conexões e oxidação)”, esclarece Pozetti.
Quais características determinam a qualidade de um cabo elétrico?
De acordo com Paulo Sandrini Pozetti, entre as principais características que influenciam a qualidade de um fio ou cabo estão a qualidade do material condutor, sua resistência elétrica, o material e a classe do condutor, a espessura e a qualidade da isolação, a tensão nominal, a capacidade de condução de corrente e o desempenho mecânico e térmico.
A avaliação deve considerar o conjunto dessas características e o atendimento aos requisitos técnicos aplicáveis ao produto. Dessa maneira, aspectos visuais ou o peso do cabo não devem substituir a análise de suas especificações.
Cabo mais pesado também pode estar fora das especificações
Segundo Pozetti, o peso, por si só, não garante que um cabo esteja de acordo com as especificações técnicas. Um produto pode apresentar maior massa e, ainda assim, não atender aos requisitos relacionados à seção nominal, resistência elétrica, qualidade do condutor ou características da isolação.
“Por isso, não se deve utilizar o peso como único parâmetro de escolha. A conformidade precisa ser comprovada pelos ensaios e requisitos das normas ABNT aplicáveis”, ressalta Pozetti.
Como escolher fios e cabos elétricos com segurança
Na compra de fios e cabos elétricos, o consumidor deve verificar a identificação do produto, a seção nominal, a tensão e a aplicação indicada, além da certificação do Inmetro, que é obrigatória para todas as linhas de fios e cabos elétricos que são utilizados em obras residenciais, como os cabos flexíveis antichama para instalações prediais de PVC 450/750 V 70 °C. Também é recomendável adquirir os materiais de fabricantes confiáveis e em estabelecimentos regulares.
A documentação fiscal e as informações disponíveis na embalagem também devem ser conferidas. Outro cuidado é verificar se o registro do Inmetro indicado na embalagem está válido, quando a certificação for aplicável ao produto.
“Preço e peso não devem ser utilizados como únicos critérios de escolha. É importante verificar a identificação, a certificação quando aplicável, as características técnicas e a procedência do produto”, orienta Pozetti.
Segundo ele, um produto tecnicamente adequado deve apresentar rastreabilidade, identificação correta, certificação quando aplicável e características elétricas compatíveis com sua seção nominal e aplicação.
“Também vale reforçar que a segurança de uma instalação começa pela escolha correta do condutor, e não pela aparência do produto”, conclui Pozetti.
O profissional também recomenda checar se o fabricante é associado da Qualifio (Associação Brasileira pela Qualidade dos Fios e Cabos Elétricos), que é mais uma garantia de confiança na hora de comprar cabos elétricos seguros e de qualidade, já que a entidade testa e avalia com muito rigor os produtos tanto de fabricantes associados, como também os das empresas não associadas.
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