ECONOMIA
Pix e parcelamento influenciam compras fora do Brasil
ECONOMIA
O Pix encerrou o primeiro semestre de 2026 com quase 44 bilhões de transações, de acordo com as estatísticas oficiais do Banco Central do Brasil (BC). O volume confirma um modelo de consumo que combina o pagamento instantâneo com o hábito de dividir compras no cartão de crédito, arranjo pouco comum em outros países e que exige atenção de empresas estrangeiras interessadas em atender o público brasileiro.
Pedro Souza, fundador da Glin, plataforma de pagamentos internacionais que permite a companhias sediadas no exterior receberem de clientes brasileiros via Pix e cartão parcelado, avalia que esse cenário pede uma leitura própria. “O Brasil construiu, em poucos anos, um padrão de pagamento que não existe em quase nenhum outro lugar. De um lado, o Pix: instantâneo, gratuito para a pessoa física, usado por cerca de 80% da população e disponível 24 horas por dia. De outro, uma cultura de parcelamento no cartão de crédito que é praticamente única no mundo”, diz.
Segundo o executivo, nos Estados Unidos e na Europa, a compra online costuma ser concluída com cartão de débito ou crédito à vista, lógica que orienta o desenho dos checkouts internacionais. “Quando uma empresa de fora traz esse checkout para o Brasil sem adaptar, ela esbarra em duas realidades: a maioria dos brasileiros não tem cartão internacional, e quem tem espera poder parcelar. O resultado é que o cliente chega até o pagamento e desiste. Por isso a análise precisa ser outra”, explica. Para ele, a dúvida central deixa de ser qual bandeira aceitar e passa a ser como esse consumidor já paga no dia a dia.
O momento da desistência aparece em pesquisa da Visa Conecta, divulgada em 26 de fevereiro de 2026. Entre os consumidores que abandonaram uma compra online, 58% interromperam o processo na etapa de pagamento, e o mesmo levantamento mostrou o cartão de crédito em 47% das últimas compras digitais, ante 45% do Pix.
Quantidade e valor revelam usos distintos
Com base nos dados do BC, Souza calcula cerca de 387 milhões de TEDs (Transferências Eletrônicas Disponíveis) no semestre, ou seja, foram realizados mais de cem pagamentos via Pix para cada TED registrada no período. Em valor, porém, a ordem se inverte: somente em maio, a TED movimentou cerca de R$ 3,8 trilhões, em comparação aos R$ 3,5 trilhões do Pix. “O Pix lidera em quantidade porque virou o meio de pagamento do cotidiano: a padaria, a assinatura, a compra no celular. São muitas operações de valor pequeno ou médio, feitas por pessoas físicas. A TED lidera em valor porque concentra o dinheiro grande: transferências entre empresas, operações financeiras, imóveis, tesouraria”, analisa.
Na visão do fundador da Glin, a conclusão é direta para quem vende ao consumidor final. “A TED praticamente não aparece no checkout de uma compra; ninguém vai ao internet banking agendar uma TED para pagar um curso ou uma consultoria. O que converte venda é a dupla Pix e cartão parcelado: o Pix para quem quer resolver na hora, e o cartão para quem precisa diluir o valor. Uma empresa que oferece só um dos dois já começa perdendo metade do mercado”, observa.
Critérios para escolher a forma de recebimento
Do ponto de vista operacional, Souza aponta o valor da compra, a urgência da confirmação e o perfil de quem paga como fatores que resolvem a maior parte dos casos. “Tíquete baixo e confirmação imediata pedem Pix. Tíquete alto pede parcelamento no cartão. Pagador pessoa jurídica, em valores grandes e com processo de compra formal, é o território da TED e da transferência bancária tradicional”, resume.
No campo regulatório, o executivo lembra que todo recebimento vindo do Brasil por uma empresa no exterior é uma operação internacional, sujeita às regras cambiais do BC, com câmbio executado por instituição autorizada e identificação de quem paga e de quem recebe. “Pedir ao cliente que faça uma transferência internacional por conta própria transfere essa complexidade para ele: contratar câmbio no banco, pagar tarifas, esperar dias. É exatamente a fricção que derruba a conversão”, pondera.
Dados de cobrança orientam a estratégia
Para Souza, o primeiro passo é enxergar a operação inteira em um só lugar. Na Glin, a empresa vendedora acompanha em painel cada cobrança, do pagamento do link ao crédito na conta no exterior, com histórico mensal e previsão dos próximos desembolsos. “Quem vende serviço de alto valor vê que tipo de cliente fecha e pode decidir subsidiar o parcelamento em algumas faixas de parcelas. Quem cobra tíquete baixo percebe onde o cliente para e simplifica o checkout. Quem cobra de forma recorrente enxerga quais cobranças estão em aberto e age antes de virar atraso”, detalha.
Na avaliação do executivo, experiência do cliente, conformidade regulatória e rentabilidade não competem entre si quando a estrutura está correta. “A conformidade é responsabilidade de quem opera o pagamento: verificação das duas pontas, monitoramento, câmbio por instituição autorizada e conciliação diária”, afirma. Segundo ele, a empresa estrangeira não precisa abrir empresa ou conta no Brasil para operar nesse modelo.
O planejamento individual aparece, sobretudo, na divisão de custos. No modelo padrão, taxas e juros do parcelamento ficam com o cliente final, mas a empresa pode assumir os juros para oferecer parcelas sem acréscimo, e o recebimento em D+1, um dia após a transação, permite organizar o caixa com previsibilidade. “O que não funciona é tratar o Brasil como mais um país na lista e aplicar a mesma configuração que serve para a Alemanha ou para o México”, completa.
Com mais de seis anos de atuação e mais de R$ 200 milhões em transações intermediadas, de acordo com a empresa, a Glin acompanha pequenas e médias empresas estrangeiras que vendem ao público brasileiro. “O balanço do Banco Central confirma algo que vemos todos os dias: o brasileiro já escolheu como quer pagar. Pix para o cotidiano, cartão parcelado para o que pesa no orçamento. A empresa de fora que entende isso não precisa reinventar nada; precisa só aparecer no checkout do jeito que o cliente espera”, conclui Souza.
Para mais informações, basta acessar: glin.com.br
ECONOMIA
Mobilidade elétrica sustentável reduz a emissão de poluentes
A eletrificação de veículos no Brasil avançou de forma expressiva em 2024, com o registro de 164.940 carros 100% elétricos entre janeiro e setembro, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Esse aumento de 212% em relação ao mesmo período de 2023 demonstra a aceleração da demanda por opções de mobilidade limpa.
O movimento está alinhado ao Acordo de Paris, firmado em 2015, que estabelece a redução das emissões de gases de efeito estufa a partir de 2020. Veículos elétricos não emitem CO₂ durante o uso, ao contrário dos automóveis a combustão, que liberam dióxido de carbono e material particulado, contribuindo para a poluição atmosférica.
“Este tipo de veículo tem menos partes móveis, por isso não precisa de filtros de ar ou combustível, nem mesmo de óleo lubrificante. Estes são, talvez, os principais resíduos gerados por um carro à combustão, além da emissão de gases estufa, que contribuem para a poluição ambiental”, afirma Vininha F. Carvalho, ambientalista, economista, administradora de empresas e editora da Revista Ecotour News & Negócios.
O segmento híbrido também registrou crescimento, com 260,7 mil unidades vendidas no mesmo período, alta de 90%. Somando elétricos e híbridos, o Brasil alcançou a marca de 1 milhão de veículos eletrificados leves comercializados desde o início da série histórica da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), em 2012.
Leandro Prestes, coordenador‑adjunto da Câmara Especializada de Engenharia Elétrica (CEEE) do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (CREA‑SP), destaca que a instalação de pontos de recarga em condomínios requer a presença de engenheiro eletricista registrado, para garantir o cumprimento das normas técnicas e a segurança das instalações. Ele ressalta ainda a relevância da Lei Estadual 18.403/2026, que assegura o direito à instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios.
Para orientar o setor, o CREA‑SP, em parceria com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), publicou a Nota Técnica “Diretrizes para instalação de pontos de recarga de veículos elétricos em edificações”. O documento define parâmetros de engenharia, estabelece a responsabilidade técnica do engenheiro eletricista e exige a emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), prevenindo sobrecargas, riscos de incêndio e danos ao imóvel.
Vininha F. Carvalho conclui que o crescimento econômico deve ser sustentável, com redução contínua das emissões de gases de efeito estufa. A eletrificação veicular, segundo ela, fará parte do cotidiano da população e impulsionará transformações em diversos setores, consolidando a sustentabilidade como prioridade nacional.
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