ECONOMIA
JIRAU e IBRACEM reúnem mais de 60 fornecedores em ação ESG
ECONOMIA
A Jirau Energia, responsável por uma das maiores usinas hidrelétricas do país, e o IBRACEM – Instituto Brasileiro de Certificação e Monitoramento reuniram mais de 60 fornecedores estratégicos da usina, em Rondônia, no 9º webinar do Programa de Certificação e Monitoramento de Fornecedores. Os encontros recorrentes são o estágio mais recente de uma parceria iniciada em 2021, que começou na avaliação de conformidade legal para homologação e evoluiu para um programa permanente de desenvolvimento da cadeia de suprimentos – e ilustram um movimento que ganha força no setor elétrico brasileiro: a exigência de conformidade auditável, combinada ao engajamento contínuo dos fornecedores.
Realizados mensalmente pelas equipes técnicas das duas instituições, os webinars funcionam como ciclo contínuo de capacitação e atualização: integram novos fornecedores ao programa, aprofundam requisitos de conformidade legal e disseminam a evolução da plataforma que monitora, de forma permanente, riscos cadastrais, fiscais, tributários, trabalhistas, ambientais, regulatórios, reputacionais e de integridade ESG.
Segundo o IBRACEM, o objetivo do programa não é excluir fornecedores com irregularidades, mas fomentar conscientização, desenvolvimento e engajamento – sobretudo entre empresas locais e de pequeno e médio porte, que passam a contar com condições reais de evoluir em governança e conformidade socioambiental.
Os fornecedores de mão de obra são monitorados mensalmente quanto ao cumprimento de obrigações trabalhistas e normas de saúde e segurança do trabalho, com atenção especial aos colaboradores alocados na usina – frente que reforça a proteção dos trabalhadores na cadeia.
O modelo não é caso isolado. Com o apoio técnico do IBRACEM, companhias e instituições de referência do setor de energia conduzem processos semelhantes de certificação e monitoramento de seus fornecedores e parceiros:
- Be8 (desde 2020): empresa global de energias renováveis, com sede em Passo Fundo (RS) e escritórios administrativos em São Paulo (SP), Cuiabá (MT), Genebra (Suíça) e Dubai (EAU);
- Copa Energia (desde 2021): companhia líder no mercado brasileiro de GLP, detentora das marcas Copagaz e Liquigás, com atuação nacional no abastecimento de residências, comércios, indústrias e agronegócio;
- EPE – Empresa de Pesquisa Energética: empresa pública federal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, responsável pelos estudos que subsidiam o planejamento do setor energético brasileiro.
O histórico de adesão simultânea de operadores privados, órgãos setoriais e empresas públicas de planejamento indica que a verificação independente de fornecedores se consolida como padrão do setor elétrico – um dos mais regulados e intensivos em cadeias de fornecimento da economia.
Na outra ponta, empresas certificadas de diferentes segmentos – dentro e fora da cadeia da usina – também se beneficiam do modelo: passam a exibir publicamente o Selo de Empresa Monitorada como credencial de idoneidade e se diferenciam pelo compromisso comprovado com padrões éticos e de integridade ESG rastreáveis:
- FUZZA Trade: divulga sua condição de empresa monitorada.
O Certificado de Conformidade Legal, renovado mensalmente conforme o cumprimento dos requisitos, funciona como diferencial em processos de qualificação e homologação perante outros contratantes – transformando as exigências de um grande comprador em ativo reputacional dos fornecedores, especialmente pequenos e médios.
É esse duplo movimento que configura um círculo virtuoso de integridade: grandes contratantes incentivando, engajando, verificando e monitorando suas cadeias; fornecedores de todos os portes se qualificando e vendo reconhecido – e valorizado – seu compromisso com a ética e a integridade ESG. O resultado ultrapassa as empresas envolvidas: trabalhadores mais protegidos, comunidades locais fortalecidas e um ambiente de negócios em que a integridade comprovada deixa de ser discurso e se torna critério real de escolha – quem demonstra ser íntegro passa a ter preferência nas relações comerciais, reduzindo eventuais riscos de concorrência desleal.
A lógica também dialoga com as diretrizes da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) – sistema que classifica quais atividades econômicas, projetos e organizações são sustentáveis, por meio de critérios específicos baseados na ciência, cuja efetividade depende de informações verificáveis e rastreáveis, sustentadas por técnicas de monitoramento, relato e verificação (MRV) aplicadas ao alinhamento à TSB em suas três dimensões: contribuição substancial, não prejudicar significativamente e salvaguardas mínimas.
Programas de certificação e monitoramento contínuo de cadeias de fornecimento, como o da Jirau Energia, conduzido pelo IBRACEM, constituem na prática a infraestrutura de verificação que a agenda de finanças sustentáveis passará a exigir.
O IBRACEM já realizou, desde 2015, mais de 250 milhões de análises de riscos de compliance e ESG e mais de 8 milhões de certificações e verificações de empresas, e integra, como representante da sociedade civil, o Conselho de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção (CTICC) e o Grupo de Trabalho de Governo Aberto, da Controladoria-Geral da União (CGU).
A Jirau Energia opera a Usina Hidrelétrica Jirau, no Rio Madeira (RO), uma das maiores geradoras do Brasil em capacidade instalada, e tem como acionistas a AXIA Energia, a ENGIE, referência mundial em energia e serviços de baixo carbono, e a Mitsui, um dos principais grupos japoneses de investimento e infraestrutura. A parceria técnica com o IBRACEM, mantida desde 2021, assegura que a avaliação da cadeia de fornecedores seja conduzida de forma especializada, independente e imparcial.
ECONOMIA
Investimentos em saneamento atingem R$ 33,3 bilhões em 2025
Os investimentos em infraestrutura de saneamento no Brasil alcançaram R$ 33,3 bilhões em 2025, crescimento real de 11% em relação ao ano anterior. Seis anos após a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento, os indicadores mostram que o setor ganhou tração, mas ainda precisará superar a marca de R$ 50 bilhões anuais para cumprir as metas de universalização dos serviços de água e esgoto até 2033. Os dados são do Radar ASFAMAS da Indústria do Saneamento, publicação desenvolvida pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento (ASFAMAS) em parceria com a Ex-Ante Consultoria Econômica.
Na avaliação da ASFAMAS, os números confirmam que o Novo Marco Legal do Saneamento cumpriu papel decisivo ao criar um ambiente mais favorável aos investimentos e impulsionar a expansão da infraestrutura. Os avanços registrados desde a aprovação da legislação demonstram que o caminho adotado vem produzindo resultados concretos. Agora, o desafio é manter esse ciclo de crescimento em ritmo compatível com a universalização dos serviços.
“Os números mostram que o Novo Marco Legal do Saneamento produziu resultados concretos. Os investimentos cresceram, novos projetos foram estruturados e o setor ganhou capacidade de expansão. Esse avanço precisa ser preservado e ampliado para que o Brasil consiga universalizar os serviços dentro do prazo estabelecido”, afirma Edson Silveira Sobrinho, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da ASFAMAS.
O levantamento também mostra que esse movimento tem impacto direto sobre a indústria nacional. Em 2025, o setor de materiais para saneamento movimentou R$ 27,6 bilhões em faturamento e manteve cerca de 59,1 mil empregos, reforçando seu papel estratégico para a expansão da infraestrutura brasileira. Ao mesmo tempo, o crescimento nominal de 0,8% no faturamento, abaixo da inflação, indica que a demanda ainda pode evoluir à medida que os investimentos avancem em maior escala.
Para a ASFAMAS, investir em saneamento significa também fortalecer a indústria nacional, ampliar a geração de empregos, estimular a inovação e movimentar uma cadeia produtiva responsável pelo fornecimento de tubos, conexões, válvulas, reservatórios, louças sanitárias e outros componentes essenciais para as obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Com menos de oito anos até o prazo estabelecido para a universalização, a entidade entende que o foco da agenda do saneamento deve estar na execução dos investimentos. Preservar a segurança jurídica, ampliar a capacidade de financiamento, reduzir entraves que retardam a implantação dos empreendimentos e garantir previsibilidade aos investimentos de longo prazo são fatores considerados essenciais para que o país acelere a expansão da infraestrutura.
“O momento não é de revisar as regras que permitiram essa evolução, mas de garantir que elas continuem produzindo resultados. O país precisa acelerar a execução dos investimentos, ampliar a capacidade de financiamento e criar condições para que os projetos avancem com mais agilidade. É isso que permitirá transformar investimentos em obras e obras em saneamento para milhões de brasileiros”, conclui Edson.
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