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Em busca de transparência, legislativo cuiabano ouve Executivo sobre recursos da educação

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Na manhã desta quarta-feira (01), a Comissão de Educação da Câmara Municipal de Cuiabá realizou reunião ordinária para discutir a situação dos repasses financeiros destinados à educação municipal. O encontro contou com a presença de vereadores, além de representantes do Executivo, como o secretário municipal de Economia, Marcelo Bussiki, e o contador público Eder Galiciani.

Durante a reunião, foram apresentados dados atualizados sobre a aplicação de recursos na educação, além de esclarecimentos sobre supostos déficits e atrasos nos repasses. Segundo informações debatidas, cerca de 20% a 25% das unidades escolares não receberam, em determinado momento, os recursos descentralizados previstos, situação que foi confirmada pela equipe técnica da Secretaria de Educação e atribuída a dificuldades financeiras herdadas de gestões anteriores.

O presidente da Comissão de Educação, Daniel Monteiro (Republicanos), destacou a importância da transparência na apresentação dos números e relembrou investigações anteriores realizadas pelo Legislativo municipal para compreender a situação fiscal da prefeitura. Segundo ele, a atual gestão enfrenta desafios decorrentes de inconsistências financeiras, como dívidas acumuladas e pagamentos fora de ordem identificados em períodos anteriores.

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A vice-presidente da comissão, Michelly Alencar (União Brasil), ressaltou o papel institucional da comissão em convocar ou convidar representantes do Executivo para prestar esclarecimentos. De acordo com a parlamentar, a presença da equipe econômica foi fundamental para esclarecer dúvidas não apenas dos vereadores, mas também da população.

“Foi apresentado um panorama completo, com dados de 2024, 2025 e projeções para 2026. Havia dúvidas sobre um possível déficit de R$ 120 milhões, mas ficou claro que esse número não corresponde à realidade. Houve, sim, dificuldades pontuais, mas já devidamente explicadas e encaminhadas”, afirmou.

O secretário municipal de Economia, Marcelo Bussiki, explicou que parte dos valores apontados como não repassados refere-se a despesas empenhadas no final de 2024, com pagamento realizado apenas no exercício seguinte.

“Dos cerca de R$ 102 milhões oriundos da fonte 500, mais de R$ 53 milhões já foram pagos. Muitos desses valores são compromissos de dezembro, como folha salarial e encargos, que vencem em janeiro. Isso é natural dentro da gestão pública”, pontuou.

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Já o contador público Eder Galiciani apresentou um diagnóstico fiscal do município, destacando a redução significativa da dívida herdada. Segundo ele, o passivo caiu de aproximadamente R$ 1,25 bilhão para R$ 880 milhões, representando uma diminuição de cerca de R$ 370 milhões.

Galiciani também ressaltou que, apesar de um déficit inicial na educação, houve aumento no volume de investimentos. “Cuiabá aplicou cerca de R$ 120 milhões a mais na educação em 2025 em relação a 2024, elevando o percentual de investimento de 18% para mais de 26% da receita de impostos”, explicou.

O vereador Mário Nadaf (PV), membro titular da comissão, também esteve presente na reunião.

Ao final, os participantes reforçaram que, apesar dos desafios herdados, o cenário atual aponta para recuperação fiscal e regularização dos repasses, garantindo que não haverá prejuízos à educação ao longo de 2026.

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Prefeitura de Sinop destaca sinopense com reconhecimento internacional no Dia da Ciência e do Pesquisador

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Neste Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador, comemorado hoje (8), a Prefeitura de Sinop destaca a trajetória do pesquisador sinopense Cícero Moraes, profissional que transformou o conhecimento desenvolvido na cidade em projetos científicos reconhecidos internacionalmente.

Referência em reconstrução facial forense e paleofacial, ele participa de pesquisas que unem tecnologia, arqueologia, medicina e engenharia biomédica, levando o nome de Sinop para alguns dos principais centros científicos do mundo.

Cícero iniciou sua carreira, na década de 1990, a partir de desenhos arquitetônicos, acompanhando o crescimento acelerado de Sinop. “Sinop estava crescendo bastante e tinha uma demanda muito grande de projetos. Eu fazia desenhos analógicos para suprir uma necessidade econômica da cidade. Naturalmente, fui adaptando esse conhecimento para a modelagem 3D, quando veio o advento da computação. Depois, esse conhecimento foi para a publicidade e, posteriormente, para a arqueologia e para a reconstrução facial forense. O restante do processo foi isso que a gente conhece, as reconstruções faciais e os projetos internacionais”, relatou.

O primeiro trabalho na área de reconstrução facial foi a múmia Tothmea, preservada em Curitiba – PR, uma das duas únicas múmias remanescentes no Brasil. Desde então, a trajetória evoluiu para uma atuação consolidada no cenário científico internacional.

Ao longo da carreira, Cícero contabiliza 115 projetos com repercussão internacional. Entre os mais conhecidos estão a reconstrução facial de Santo Antônio (padroeiro de Sinop), realizada a convite de pesquisadores italianos, além de trabalhos envolvendo o compositor Beethoven e estudos relacionados ao Santo Sudário.

Tecnologia desenvolvida em Sinop salva vidas em diferentes países

Para ele, uma das suas contribuições mais relevantes é o desenvolvimento de um software de simulação cirúrgica, atualmente utilizado em 37 países e publicado em 120 idiomas.

“A gente trabalha diretamente com humanos, desde bebês até indivíduos de idade mais avançada, e também na área da veterinária. Foi possível distribuir essa tecnologia em nível mundial para salvar vidas e dar melhores condições de vida, a exemplo de próteses adaptadas para cada necessidade”, apontou.

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Entre seus projetos também está a criação da primeira carapaça de jabuti impressa em 3D do mundo, trabalho que recebeu reconhecimento do Guinness World Records em 2022.

Produção científica e reconhecimento internacional

Além das pesquisas, Cícero reúne 48 artigos científicos revisados por pares publicados, 24 apresentações em congressos e já ministrou palestras em instituições de referência, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O reconhecimento internacional também o levou a integrar recentemente a Sigma Xi, uma das mais tradicionais sociedades científicas do mundo, que já teve entre seus membros Albert Einstein e centenas de laureados com o Prêmio Nobel.

Entre os reconhecimentos mais recentes, um estudo liderado por Cícero sobre o Santo Sudário tornou-se o artigo de maior impacto da história da revista científica Archaeometry, uma das principais publicações internacionais na área de arqueologia e patrimônio histórico, reforçando a relevância mundial das pesquisas desenvolvidas a partir de Sinop.

A produção científica acumulada ao longo dos anos também abriu um caminho inédito em sua formação acadêmica. Inicialmente, o pesquisador teve o pedido de ingresso no doutorado em Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) indeferido por não possuir mestrado, requisito prévio. Após recorrer e comprovar sua trajetória científica, apresentando as pesquisas publicadas e a repercussão internacional de seus trabalhos, tornou-se o primeiro candidato da história do programa aprovado diretamente para o doutorado na modalidade excepcional, destinada a pesquisadores com produtividade científica comprovadamente diferenciada.

Grande parte dos projetos também conta com a colaboração da esposa, Lis Moura, fisioterapeuta e zootecnista, que participa de diferentes etapas das pesquisas desenvolvidas pelo casal.

Sinop: polo de pesquisa e inovação

Para Cícero, cada conquista representa também uma oportunidade de projetar Sinop para além das fronteiras brasileiras. “Todas as vezes que sai uma notícia e o pessoal cita a cidade que eu vivo, aparece o nome de Sinop. Para mim é uma honra muito grande, porque eu estive aqui em todas essas etapas, quando Sinop era pequena, se tornou uma cidade média e depois essa cidade grande que todo mundo conhece”, lembrou.

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Mesmo com o reconhecimento e projeção internacional, o pesquisador optou por permanecer em Sinop, cidade que considera parte fundamental de sua trajetória. “Hoje eu vejo Sinop como um polo não só de uma cidade grande, mas também um polo acadêmico. Antigamente as pessoas tinham que sair de Sinop para estudar fora, hoje as pessoas vêm estudar em Sinop. É uma evolução muito grande, eu me sinto muito feliz e esse é um dos motivos pelos quais eu não saio dessa cidade. Daqui não saio, daqui ninguém me tira”, assegurou.

Para o pesquisador, a expansão das universidades e da estrutura científica instalada no município amplia as oportunidades para quem deseja ingressar na área da pesquisa. “Hoje nós temos uma boa tecnologia, que é a internet, e temos campos que permitem estudar algumas linhas de tecnologia aqui em Sinop. Se você é jovem e quer começar a estudar, simplesmente comece. Comece a escrever, comece a estudar, comece a produzir e lance mão de toda essa estrutura científica que nós temos hoje à nossa disposição aqui na cidade, porque Sinop realmente está crescendo, não só visualmente, mas também no contexto acadêmico”, recomendou.

Ao refletir sobre a própria trajetória, Cícero afirma que aprendeu com o desenvolvimento da cidade. “Muito do que eu aprendi em relação ao crescimento, eu aprendi com o crescimento de Sinop. Eu vi uma cidade pequena se converter numa cidade gigantesca, que hoje é conhecida em nível nacional. Quando vou palestrar em Brasília, São Paulo, Minas Gerais ou qualquer estado do Brasil, Sinop é muito reconhecida. Isso faz com que cada vez mais eu queira ficar aqui. Sinop tem tudo o que eu preciso e eu adoro essa cidade”, concluiu.

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