MATO GROSSO
Seduc amplia consultas para converter escolas e avança rumo a 205 unidades cívico-militares em 2026
MATO GROSSO
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) deu mais um passo na expansão do modelo de gestão cívico-militar na rede estadual de ensino. Em edital publicado no Diário Oficial nesta quarta-feira (25.3), a pasta selecionou mais nove escolas regulares para o processo de consulta pública que poderá resultar na transformação dessas unidades em escolas cívico-militares.
A iniciativa integra a estratégia da Seduc para cumprir a meta estabelecida para 2026: alcançar 205 escolas cívico-militares entre as 630 unidades da rede estadual. Atualmente, o Estado já conta com 170 escolas neste modelo, número alcançado após a conversão de 66 unidades regulares em 28 municípios, nos dias 24 e 25 de fevereiro.
Nesta nova etapa, as consultas serão realizadas nos dias 13 e 14 de abril, das 7h às 19h, nas escolas estaduais Nilza de Oliveira Pipino, em Sinop; Nova União, em Nova Canaã do Norte; João Ribeiro Vilela, em Primavera do Leste; Osmair Pinheiro da Silva, em Nova Maringá; Rui Barbosa, em Nova Mutum; Prefeito Artur Ramos, em Jaciara; Doutor Estevão Alves Correa, em Cuiabá; 13 de Maio, em Tangará da Serra; e Professor Muralha de Miranda, em Nova Marilândia.
A consulta será feita por meio de votação secreta e terá como público-alvo pais, responsáveis legais e estudantes maiores de 16 anos matriculados nas unidades escolares. Durante o processo, os participantes poderão se manifestar sobre a proposta de conversão, escolhendo entre as opções “Aprovo” e “Não Aprovo”, conforme os procedimentos e o roteiro estabelecidos pela Seduc.
O resultado será apresentado logo após o encerramento da votação e divulgado em comunicado afixado na própria escola, na Diretoria Regional de Educação (DRE) e também nas redes sociais das unidades e da Seduc.
Além dessas nove escolas, a Secretaria já havia publicado, no dia 16 de março, editais para a realização de audiências públicas em outras 22 unidades de 18 municípios. Nessas escolas, as consultas estão previstas para os dias 31 de março e 1º de abril. As unidades contempladas pertencem às Diretorias Regionais de Educação de Primavera do Leste, Juína, Rondonópolis, Metropolitana, Sinop, Alta Floresta e Tangará da Serra.
Antes disso, outro edital, publicado no dia 10 de março, autorizou audiências públicas em 18 escolas, com consultas marcadas para os dias 25 e 26 de março.
A Seduc ressalta que a adesão ao modelo cívico-militar não altera o currículo escolar nem interfere na proposta pedagógica das unidades. Isso porque o programa não integra a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996). Assim, a condução pedagógica continua sob responsabilidade dos diretores, coordenadores e professores da rede estadual, em conformidade com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
As mudanças ocorrem exclusivamente na gestão administrativa e disciplinar. Nessas frentes, passam a atuar militares da reserva, responsáveis por ações como organização do ambiente escolar, controle de acesso, promoção de atividades cívicas e fortalecimento de valores como disciplina e hierarquia.
A Seduc também destaca que a efetivação da conversão de cada unidade dependerá da conclusão do processo de contratação e designação dos militares que irão compor a equipe cívico-militar, conforme as normas regulamentares em vigor.
O processo de transformação das escolas regulares em unidades cívico-militares tem respaldo legal no artigo 71, incisos I, II e IV, da Constituição Estadual de 1989; no artigo 20 da Lei Complementar nº 612/2019; na Lei nº 12.388, de 8 de janeiro de 2024, que institui o Programa Escolas Estaduais Cívico-Militares no Estado de Mato Grosso; e no parágrafo 2º do artigo 9º do Decreto nº 709 de 2024, que regulamenta a legislação.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Capacitação fortalece criação de grupos reflexivos para homens autores de violência contra a mulher
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, iniciou nesta semana a capacitação dos profissionais que irão atuar nos Grupos Reflexivos para Homens Autores de Violência contra a Mulher, iniciativa inédita no município que busca reduzir a reincidência da violência doméstica por meio da reflexão sobre comportamentos violentos. A formação reúne profissionais e estudantes das áreas de Psicologia, Direito e Serviço Social, que serão responsáveis por conduzir os encontros reflexivos. A capacitação terá duração de aproximadamente 45 dias, com carga horária de 100 horas e certificação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A previsão é que a primeira turma seja iniciada em agosto.
De acordo com a secretária municipal da Mulher, tenente-coronel Hadassah Suzannah, a iniciativa é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Cuiabá, a UFMT, a Fundação Uniselva, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e o Fórum de Cuiabá. “Combater a violência contra a mulher é uma tarefa complexa. Não existe uma única solução. Precisamos utilizar todas as ferramentas disponíveis para proteger as mulheres e prevenir novos casos de violência. Trabalhar também com os homens autores de violência é mais uma estratégia de atuação e representa um avanço para Cuiabá”, afirmou Hadassah.
Ela enfatizou ainda que a proposta não busca desconstruir homens ou famílias, mas promover reflexão, responsabilidade e mudança de comportamento. “Nosso compromisso continua sendo com a proteção das mulheres e o fortalecimento das famílias. Essa parceria com a UFMT garante que o programa seja desenvolvido com base em pesquisa, dados e conhecimento técnico. Isso nos dá segurança para construir uma política pública consistente e com potencial para gerar resultados efetivos.”
O projeto nasceu a partir de uma emenda parlamentar de R$ 420 mil, destinada pelo então vereador Fellipe Corrêa, garantindo recursos para a execução do programa durante um ano. Após a conclusão da capacitação, a primeira turma será composta por homens encaminhados pelo Poder Judiciário.
Responsável pela coordenação técnica da formação, o professor e pesquisador da UFMT, doutor Alessandro Vinicius de Paula, destacou que o trabalho tem caráter preventivo e educativo, buscando romper o ciclo da violência. “Estamos formando os profissionais que serão facilitadores desses grupos. Trata-se de uma intervenção psicoeducativa que possibilita aos homens refletirem sobre suas atitudes, compreender seu papel nos episódios de violência e assumir a responsabilidade por suas ações. O objetivo é interromper esse ciclo, beneficiando não apenas o autor da violência, mas também sua família e toda a sociedade”, explicou Alessandro.
O programa prevê acompanhamento técnico permanente, elaboração de relatórios ao Judiciário e monitoramento de indicadores, como frequência, conclusão dos ciclos e reincidência, permitindo avaliar a efetividade da iniciativa ao longo de sua execução. Antes do início das atividades, todos os participantes passarão por entrevista psicossocial para avaliação individual.
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