POLITÍCA NACIONAL
Paim critica tentativa de flexibilização da Lei da Ficha Limpa
POLITÍCA NACIONAL
O senador Paulo Paim (PT-RS) alertou, em pronunciamento nesta terça-feira (25), para os riscos da flexibilização da Lei da Ficha Limpa na política brasileira. Segundo ele, entre 2014 e 2024, quase 5 mil candidaturas foram barradas pela legislação, o que representa 8% do total de políticos que queriam concorrer a cargos públicos. Paim ressaltou que a norma estabelece 14 critérios de inelegibilidade, incluindo abuso de poder econômico e condutas irregulares.
— O debate, que está acontecendo sobre a flexibilização da Lei da Ficha Limpa, trata de uma questão que, a meu ver, representa um retrocesso e desmoraliza o Congresso. E, pior ainda, [traz] uma visão que vai contra o interesse expressado pelo movimento [popular]. A Lei da Ficha Limpa não nasceu nos gabinetes. Ela é fruto de um amplo clamor popular, de uma mobilização que envolveu milhões de brasileiros. Mais de 1,6 milhão de assinaturas foram coletadas: um esforço que simbolizou o desejo da população por um sistema político com mais ética e transparência — afirmou.
Paim citou nota divulgada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que classificou a legislação como uma das principais conquistas democráticas do país. Alertou que eventuais mudanças beneficiariam políticos condenados por crimes graves. A Transparência Internacional também criticou o projeto em tramitação no Congresso, classificando-o como “mais uma afronta à sociedade brasileira”. Para o senador, qualquer tentativa de mudança na Lei deve priorizar seu aperfeiçoamento, e não seu enfraquecimento.
— Não há por que mexer na Lei da Ficha Limpa se o objetivo for outro que não seja desmantelar as conquistas que ela trouxe. Essa lei não é perfeita, como nenhuma legislação é. Mas desidratar, flexibilizar não é o caminho. Temos que melhorar. Nosso compromisso com as gerações presentes e futuras não pode retroceder jamais — declarou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA MT
TCU pode avançar nesta semana em fiscalização proposta pela Coronel Fernanda contra venda casada
O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) poderá analisar nesta semana a abertura de uma fiscalização preliminar sobre a suposta prática de venda casada na concessão de crédito rural, proposta pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT). A iniciativa volta ao centro do debate em um momento de juros elevados, maior endividamento no campo e restrição ao acesso a financiamentos pelos produtores rurais.
A fiscalização foi solicitada pela parlamentar e aprovada pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados no fim do ano passado. Agora, caberá ao TCU decidir se aprofunda a investigação sobre possíveis irregularidades nas operações de crédito rural, especialmente a exigência da contratação de produtos bancários acessórios (seguros, títulos de capitalização, consórcios e investimentos), como condição para a liberação dos financiamentos, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Para a deputada Coronel Fernanda, o avanço da análise pelo TCU representa um passo fundamental para proteger os produtores e assegurar que o crédito rural cumpra sua função como política pública. “O produtor não pode ser penalizado com custos ocultos e imposições ilegais justamente no momento em que mais precisa de apoio para produzir. Crédito rural não é balcão de vendas de produtos financeiros”, tem defendido a parlamentar.
Além da venda casada, a proposta de fiscalização prevê a análise da transparência das taxas e encargos cobrados nas operações, bem como a governança e os controles internos das instituições financeiras públicas federais responsáveis pela execução do crédito rural. A atuação do Banco Central do Brasil, órgão supervisor do sistema financeiro, também será objeto da apuração.
A matéria está na pauta do plenário do TCU desta quarta-feira (28/1). Caso aprovada, a fiscalização abrangerá operações realizadas por bancos federais e incluirá uma verificação específica dos recursos oriundos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), que utilizam dinheiro público. A sugestão técnica é que o processo seja relatado pelo ministro Augusto Nardes, que já conduz outras duas auditorias relacionadas ao crédito rural.
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