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CRA analisa nova política para a pesca sustentável no Brasil

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Tramita na Comissão de Agricultura (CRA) projeto que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Pesca. O PL 4,789/2024, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), visa modernizar a legislação, promover a gestão integrada e ecossistêmica dos recursos pesqueiros, além de impulsionar a sustentabilidade da atividade no Brasil. 

— A principal motivação para a criação do projeto foi a necessidade de atualizar e modernizar a legislação pesqueira brasileira, que se encontrava defasada e com lacunas. A Lei da Pesca não contempla diversos aspectos importantes da atividade pesqueira, como a pesca esportiva e a pesca amadora, além de não abordar temas como a inclusão social e a proteção ambiental de forma abrangente — afirma Alessandro. 

De acordo com o senador, a nova política busca garantir a preservação dos recursos pesqueiros, estimular a pesca sustentável, eliminar a pesca ilegal e promover o desenvolvimento socioeconômico das comunidades pesqueiras. O projeto define termos técnicos como abordagem ecossistêmica, pesca sustentável, estoque sobrepescado e comunidades tradicionais pesqueiras. Tudo isso baseado em princípios como conservação dos recursos, responsabilidade dos usuários, precaução na exploração, gestão democrática e proteção dos trabalhadores da pesca. 

Outro ponto importante do texto é o estabelecimento de diretrizes para a gestão da pesca, inclusive com a adoção de medidas de conservação, redução da poluição, prevenção da sobrepesca, segurança alimentar e consulta às comunidades tradicionais. O projeto classifica a pesca em comercial (artesanal e industrial), de subsistência, científica, didática e amadora, com regulamentações específicas para cada uma dessas modalidades. 

Fiscalização e sustentabilidade 

A proposta também prevê a criação de planos de ordenamento pesqueiro para cada região, com foco na sustentabilidade da atividade, e institui instrumentos de gestão como o Registro Geral de Pesca, a Autorização de Pesca, as cotas de pesca e o sistema de rastreabilidade dos produtos. 

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O texto do senador endurece as regras de fiscalização, com a previsão de sanções mais rigorosas para a pesca ilegal e o não cumprimento das normas. Alessandro ainda dedica um capítulo específico à pesca artesanal, com medidas de apoio e incentivo que reconhecem a importância social, econômica e cultural da modalidade. 

A abordagem ecossistêmica na gestão da pesca é enfatizada na proposta ao levar em consideração as interações entre os componentes dos ecossistemas aquáticos e as atividades humanas. No projeto, a pesca sustentável é definida como aquela que garante a perenidade dos recursos pesqueiros e dos processos ecológicos, com a manutenção da biodiversidade para obtenção de benefícios de forma socialmente justa e economicamente viável. 

As comunidades tradicionais pesqueiras também estão presentes no projeto do senador Alessandro, que reconhece a importância do grupo ao dedicar um capítulo específico a elas. O texto busca garantir a proteção dos territórios, o acesso aos recursos, o reconhecimento dos conhecimentos tradicionais e a participação nas decisões sobre a gestão da pesca, conforme ele explica. 

— A matéria é de extrema importância para o Brasil, pois propõe uma Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Pesca, que visa a garantir a exploração sustentável dos recursos pesqueiros, com a inclusão social e a proteção ambiental. O projeto busca conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação dos ecossistemas aquáticos, o que beneficia pescadores, comunidades e o país como um todo — argumenta. 

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Futuro 

A proposta foi elaborada a partir de ampla mobilização nacional do setor pesqueiro, com a participação de pescadores artesanais e industriais, representantes do governo, pesquisadores e membros da sociedade civil. O processo de elaboração do projeto de lei incluiu consultas públicas, debates e discussões, com o objetivo de ouvir as diferentes vozes e construir um consenso em torno da nova política. 

— A construção do texto se deu a partir de ampla mobilização nacional do setor pesqueiro, com a participação de pescadores artesanais e industriais, representantes do governo, pesquisadores e membros da sociedade civil. Essa articulação inédita entre diferentes atores garantiu a representatividade das diversas demandas e a construção de um projeto que atenda aos interesses de todos os envolvidos — pondera Alessandro. 

O prazo para apresentação de emendas ao projeto está aberto até sexta-feira (7). A expectativa do senador é de que a nova legislação represente avanços importantes para a sustentabilidade da pesca no Brasil, com benefícios para o meio ambiente, para as comunidades pesqueiras e para a economia do país. 

— Teremos um ano de muito trabalho para que essa proposta seja aprovada aqui no Senado e também na Câmara dos Deputados.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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TCU pode avançar nesta semana em fiscalização proposta pela Coronel Fernanda contra venda casada

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O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) poderá analisar nesta semana a abertura de uma fiscalização preliminar sobre a suposta prática de venda casada na concessão de crédito rural, proposta pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT). A iniciativa volta ao centro do debate em um momento de juros elevados, maior endividamento no campo e restrição ao acesso a financiamentos pelos produtores rurais.

A fiscalização foi solicitada pela parlamentar e aprovada pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados no fim do ano passado. Agora, caberá ao TCU decidir se aprofunda a investigação sobre possíveis irregularidades nas operações de crédito rural, especialmente a exigência da contratação de produtos bancários acessórios (seguros, títulos de capitalização, consórcios e investimentos), como condição para a liberação dos financiamentos, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Para a deputada Coronel Fernanda, o avanço da análise pelo TCU representa um passo fundamental para proteger os produtores e assegurar que o crédito rural cumpra sua função como política pública. “O produtor não pode ser penalizado com custos ocultos e imposições ilegais justamente no momento em que mais precisa de apoio para produzir. Crédito rural não é balcão de vendas de produtos financeiros”, tem defendido a parlamentar.

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Além da venda casada, a proposta de fiscalização prevê a análise da transparência das taxas e encargos cobrados nas operações, bem como a governança e os controles internos das instituições financeiras públicas federais responsáveis pela execução do crédito rural. A atuação do Banco Central do Brasil, órgão supervisor do sistema financeiro, também será objeto da apuração.

A matéria está na pauta do plenário do TCU desta quarta-feira (28/1). Caso aprovada, a fiscalização abrangerá operações realizadas por bancos federais e incluirá uma verificação específica dos recursos oriundos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), que utilizam dinheiro público. A sugestão técnica é que o processo seja relatado pelo ministro Augusto Nardes, que já conduz outras duas auditorias relacionadas ao crédito rural.

 

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