AGRONEGÓCIO
Governo faz jogo de cena ao ameaçar reduzir tarifas de importação de alimentos
AGRONEGÓCIO
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, classificou a proposta do governo federal de reduzir o Imposto de Importação de alimentos como uma medida “desesperada e mal pensada”. Segundo o líder do setor, a iniciativa não resolve os problemas estruturais da economia brasileira e apenas tenta induzir a população a acreditar que o governo está tomando ações concretas para baixar os preços dos produtos alimentícios.
Em sua declaração, o presidente da FPA destacou que a proposta do governo ignora os desafios econômicos mais amplos, como o controle da inflação, a instabilidade cambial e o aumento do gasto público. “Não existe desabastecimento, não há problemas de safra e muito menos sobrepreço nos produtos agropecuários brasileiros, que seguem os padrões mundiais. Anunciar que vai abrir importações é simplesmente jogo de cena demagógico para tentar enganar a população”, afirmou.
Na última semana, o governo federal tentou encontrar uma solução para o aumento dos preços dos alimentos, mas acabou esbarrando em falta de propostas viáveis. Após uma série de reuniões e debates, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, anunciou que o governo estaria considerando a redução do Imposto de Importação de alguns produtos alimentícios, com o intuito de baratear os preços no mercado interno. Contudo, essa medida tem gerado controvérsias e levantado questionamentos sobre a real eficácia da proposta, que até agora não convenceu os especialistas do setor.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), manifestou grande preocupação com a proposta. Em sua avaliação, a redução de tarifas de importação é uma solução superficial que ignora questões estruturais da economia brasileira, como a inflação descontrolada, a flutuação do câmbio e o elevado gasto público. Além disso, argumenta-se que não há desabastecimento ou sobrepreço nos produtos agropecuários no Brasil. Os preços praticados no mercado interno já seguem os padrões internacionais, e a abertura de importações, ao invés de solucionar os problemas, pode resultar em mais insegurança para o setor.
Na opinião de muitos representantes do agro, o governo está fazendo um “jogo de cena”, tentando passar uma imagem de ação para a população, mas sem resultados concretos. A medida de redução de tarifas pode até ser positiva em teoria, mas suas reais implicações no mercado interno e na produção nacional precisam ser cuidadosamente avaliadas.
No contexto atual, com custos de produção elevados e um cenário macroeconômico desfavorável, o setor agropecuário continua a produzir com qualidade e quantidade, enfrentando desafios impostos pela alta de juros e pela instabilidade cambial.
O presidente da FPA destacou que a solução para os problemas da economia não está em medidas temporárias e de caráter político, mas sim em reformas mais profundas e eficazes, como o corte de gastos públicos e a implementação de políticas que incentivem a competitividade do setor. Nesse sentido, uma ação mais consistente e estratégica poderia trazer resultados mais duradouros e benéficos para a população e para os produtores.
A questão central, como apontado pelos críticos, é que medidas como a redução das tarifas de importação não tratam as raízes do problema inflacionário, mas apenas oferecem uma solução paliativa. A falta de confiança do mercado e a falta de credibilidade do governo nesse aspecto só agravam o cenário econômico. A verdadeira solução para o controle de preços e a estabilidade econômica do país passa por um compromisso sério e responsável com as finanças públicas, algo que ainda não foi apresentado de maneira convincente.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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