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Kuarup: Ritual ancestral do Alto Xingu
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Na pitoresca região do Alto Xingu, envolta por tradições milenares, o ritual do Kuarup cumpriu mais uma vez seu papel de homenagem àqueles que partiram e de celebração pelas novas gerações. A última celebração do ano aconteceu recentemente na aldeia Piyulaga, pertencente à etnia Waurá, situada no município de Gaúcha do Norte, Mato Grosso.
O ritual deste ano na aldeia Piyulaga teve como ponto central a memória da jovem Ana Kuyatá Waurá, aos 25 anos, sua partida foi motivo tanto de luto quanto de celebração de sua curta, mas significativa vida. Os habitantes da aldeia seguiram a tradição, utilizando troncos de madeira para representar a homenageada, colocando-os no centro do pátio como um símbolo de reverência.
Durante o Kuarup, as flautas ecoaram com seus cantos característicos, conduzidos pelos guerreiros que, conforme a tradição xinguana, têm o poder de transformar a tristeza do luto em uma renovada alegria. A dança e a música não apenas marcaram o encerramento do período sabático de luto, mas também celebraram a transição das meninas da aldeia para a vida adulta, após um ano de reclusão sob o olhar atento das anciãs.
O segundo dia do ritual foi marcado pela tradicional luta huka huka, um evento que simboliza o encerramento das festividades. Guerreiros locais e visitantes participaram, demonstrando a força e a resistência culturais que unem as diversas etnias da região.
A celebração contou com a presença de Agnaldo Santos, superintendente de assuntos indígenas, que representou a secretaria de assistência social e cidadania de Mato Grosso. O governo estadual, em parceria com a prefeitura de Querência, apoiou a celebração por meio do programa SER Família Indígena, garantindo dignidade e preservação cultural com um aporte de R$50 mil para cada comunidade que realizou o Kuarup em 2024.
Este apoio institucional ressalta o compromisso do estado com a valorização das tradições indígenas, reafirmando a importância do Kuarup não apenas como um ritual de passagem, mas como um elemento vital da cultura e identidade dos povos do Alto Xingu.
Fotos Ahi Naia @_piyulaga

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Manifestações tomam conta das ruas de Belém na COP30
Na manhã deste sábado (15), Belém foi palco de uma das maiores mobilizações populares já registradas durante a COP30. Mais de 20 mil pessoas — entre indígenas, quilombolas, ativistas ambientais, profissionais da saúde, pesquisadores, estudantes e apoiadores — tomaram as ruas da capital paraense pedindo a revogação do decreto N° 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e cobrando medidas urgentes como a demarcação de terras indígenas e avanços nas políticas de crédito de carbono.
A marcha, descrita por participantes como histórica, ganhou ainda mais força com a adesão de representantes de diversos países presentes no evento global do clima. De acordo com manifestantes ouvidos pela nossa equipe, o ato foi marcado pela união entre povos originários, movimentos sociais e observadores internacionais, todos em defesa da vida e da proteção ambiental.

Fotos José Rui Galvão/Mídia Indígena Oficial
Nossa equipe conversou com indígenas do Mato Grosso que participam diretamente da marcha. Segundo eles, o movimento está “gigantesco e global”, com a presença de “indígenas, não indígenas e estrangeiros caminhando lado a lado”.
Entre as lideranças presentes, a Darlene Yamalo Taukane, da etnia Bakairi, do município de Paranatinga, relatou emocionada a importância de viver esse momento. No instante da entrevista, ela chegava ao ponto de concentração final da marcha.
“Eu estou muito feliz por estar aqui e viver esse momento onde todos os povos estão podendo reivindicar a todos os povos da Terra água limpa, oceano limpo, mais floresta em pé. Tudo isso está sendo o motivo da manifestação, pela qualidade de vida do planeta”, afirmou Taukane.
Ela destacou ainda o aprendizado proporcionado pela marcha.
“Eu aprendi muito hoje. Eu pude chegar e ficar na frente, tive a oportunidade de ouvir toda a caminhada até chegar ao carro dos povos indígenas. Aprendi muito hoje nessa marcha”, disse.

Fotos José Rui Galvão/Mídia Indígena Oficial
Diversas lideranças indígenas do Mato Grosso também acompanham o ato presencial e à distância, fortalecendo a mobilização por meio das redes sociais. A expectativa é que a marcha influencie debates e decisões dentro da COP30, reforçando a urgência de políticas que protejam povos tradicionais e garantam a preservação ambiental.
A manifestação segue repercutindo nacional e internacionalmente, consolidando-se como um dos momentos mais marcantes do evento climático em Belém.
Acesse o Decreto N° 12.600/2025 AQUI
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