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Curso promove diálogo de experiência entre gerações do Judiciário de Mato Grosso

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Os 25 novos juízes e juízas que participam do Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi) tiveram a oportunidade de diálogo e troca de experiência com membros experientes do Poder Judiciário de Mato Grosso, na última sexta-feira (25). Na ocasião, os desembargadores Marcos Machado, Orlando Perri, Márcio Vidal e Luiz Ferreira da Silva e a desembargadora Clarice Claudino da Silva movimentaram as discussões na programação do Cofi.
 
Diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), o desembargador Marcos Machado deu as boas-vindas e apresentou os desembargadores aos novos juízes. Destacou ainda a importância de refletir constantemente sobre a prática profissional, o que deve continuar mesmo após a conclusão do Curso.
 
“Esse encontro envolve a expressão da experiência. Temos desembargadores para dialogar com os juízes, destacando a carreira que trilharam. Para quem inicia é a oportunidade de conversar e conhecer”, ponderou.
 
Experiente, o desembargador Orlando Perri, que é o decano do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), lembrou que a sensibilidade para com as questões sociais não deve desaparecer na magistratura.
 
“Não podemos insensíveis”, asseverou o desembargador que disse lembrar de uma de suas primeiras decisões quando assumiu o cargo de juiz de Direito que foi a condenação de um menor à internação. “Vejam no réu um ser humano, sempre”, complementou.
 
Os novos desafios na área criminal, de acordo com Perri, fazem com que se busque amparo e ferramentas em outras áreas do conhecimento como a psicologia. “O juiz precisa ter uma visão em 3D na hora do julgamento. Deve olhar para que mostra a defesa, a acusação, o réu, as testemunhas, com muita atenção”.
 
O desembargador, Marcio Vidal enalteceu a realização do debate que promoveu um intercambio de experiências entre diferentes gerações do Judiciário. “Vivemos em uma sociedade digital e as mudanças intensas que ocorreram por conta da pandemia tiveram impacto no Judiciário, que precisou promover mudanças. Os juízes que assumem agora seus cargos vão se deparar com desafios que nós não tivemos que lidar”, apontou.
 
A primeira mulher a ser juíza titular da Comarca de Sinop, a desembargadora Clarice Claudino da Silva discorreu sobre os desafios da mulher na magistratura e lembrou que situações do cotidiano revelavam o preconceito de gênero da sociedade para com uma mulher em cargo de poder.
 
“Somos cobradas em dobro em relação a um homem e nosso conhecimento é testado. Mas sabemos que foram outros tempos e que as mudanças continuam e continuaram a ocorrer”, lembrou.
 
A magistrada ainda destacou o trabalho do Judiciário no âmbito da chamada Justiça Restaurativa e asseverou que “não bastam boas sentenças, precisamos focar na resolução de conflitos”.
 
O desembargador Luiz Ferreira da Silva contou que após a sua formação em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em 1975, atuou como advogado e pode conhecer, pela ótica da advocacia, o Poder Judiciário. Ele chegou a exercer a função de presidente do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MT. Como desembargador, destaca que a é importante aos juízes buscarem entender a visão de cada parte no processo.
 
Juiz substituto, Jonatan Moraes Ferreira Pinho, considerou o encontro importante por aproximar os juízes dos desembargadores. “Podemos ter uma visão mais ampla do Judiciário. Se valer das experiências e dos conselhos de julgadores que já passaram por problemas que vamos enfrentar. Para algumas questões, as soluções não estão nos manuais, mas na experiência, no bom senso. O encontro nos dá subsídios para enfrentar situações que ainda nem imaginamos”, concluiu.
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Descrição da imagem 1: Foto colorida onde aparecem os desembargadores Orlando Perri, Marcio Vidal e Luiz Ferreira (sentados) sendo apresentados pelo desembargador Marcos Machado, que está em pé e segura um microfone.
Descrição da imagem 2: Foto colorida onde aparece a desembargadora Clarice Claudino falando aos alunos. Ela está em pé e segura um microfone.
 
Andhressa Barboza
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
 
 

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Saiba como uma ideia pode se transformar em lei

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O povo mato-grossense pode exercer diretamente o poder político por meio da iniciativa popular no processo legislativo. Na prática, isso significa que é possível ao cidadão apresentar à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) propostas que podem virar leis. Para isso, no entanto, a  Constituição Estadual prevê que o projeto de lei de iniciativa popular deve ser assinado por pelo menos 1% de eleitores residentes em pelo menos cinco municípios do estado. 

A proximidade entre a população e os parlamentares, porém, pode facilitar esse processo e resultar de forma mais rápida em leis que atendem aos anseios da sociedade. Ideias para melhorar o atendimento público em diferentes áreas, como educação, saúde ou direitos do consumidor, podem ser encaminhadas aos deputados por qualquer cidadão e virar projetos de lei.

O consultor de serviços legislativos da ALMT, Gabriel Lucas Scardini Barros, explica que o projeto de lei apresentado deve responder, primeiramente, se ele é de interesse público. Essa questão é respondida a partir da análise de uma comissão temática. Se o projeto tratar de segurança pública, por exemplo, deve ser analisado pela Comissão de Segurança Pública e Comunitária.

Seguindo um caminho estabelecido pelo  Regimento Interno , a proposta ainda passa pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação, que analisa se ela é constitucional. Depois, se aprovado em sessão plenária, o projeto de lei vai para o governador do estado, que tem o poder de sancionar (aceitar o projeto e publicar a lei) ou vetar (discordar do projeto e devolver aos deputados com os motivos da rejeição). 

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Ainda segundo o consultor, as discussões mais aprofundadas sobre um projeto de lei ocorrem durante as reuniões das  comissões parlamentares , que são públicas. Não há possibilidade de um projeto ir para votação em sessão sem passar antes pela análise de uma comissão.

“Costumamos falar que o plenário é o coração, onde existem os debates mais emocionais, mais passionais. Nas comissões, a gente tem um olhar mais cuidadoso, mais técnico, como se fosse o cérebro do processo legislativo”, compara Barros.

No site institucional da ALMT, é possível conhecer o perfil dos  deputados estaduais e os projetos de leis que eles já apresentaram. Todas as propostas que continuam em tramitação, ou seja, que ainda vão ser votadas, também podem ser conferidas no link  Projetos em Tramitação . 

Conhecimento das competências– Ao acompanhar e participar ativamente das atividades legislativas, porém, o cidadão deve ter a noção do que faz cada Poder, até para se prevenir de frustrações. Gabriel Barros alerta que, muitas vezes, as pessoas criam expectativas sobre ações que não cabem ao deputado estadual realizar, por depender sobretudo da vontade política do Executivo. 

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Uma dessas frustrações, segundo ele, é percebida quando se ouve a expressão de que uma “CPI terminou em pizza”. Nesse caso, pode não haver conhecimento de que o papel de uma comissão parlamentar de inquérito é investigar e depois encaminhar para as instituições responsáveis legalmente por dar continuidade ao processo. É um processo que não termina na ALMT. 

“Comissão parlamentar de inquérito é como se o deputado virasse um delegado de polícia, ele conduz o inquérito. Ninguém fala que o trabalho de um delegado de polícia termina em pizza, porque o inquérito é encaminhado para autoridades que têm a legitimidade e a prerrogativa de dar seguimento, podendo fazer uma ação penal depois”, esclarece Barros. “O resultado mais concreto que uma CPI poderia entregar seria a mudança na legislação. Muito do que existe na lei dos consignados hoje, por exemplo, são deduções da CPI dos Consignados”, conclui.



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