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UBS do bairro Manga começa a receber reforma geral nesta segunda-feira (29)

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A Prefeitura de Várzea Grande,  por meio da Secretaria Municipal de Saúde, comunica o início da reforma geral e ampliação da UBS – Unidade Básica de Saúde do Bairro da Manga. As obras terão duração de 90 dias, e iniciam nesta próxima segunda-feira (29). Várias melhorias serão implementadas com a obra, possibilitando aumento no atendimento à população da região.

“A Unidade não recebe manutenção e melhorias há alguns anos. Os serviços vão iniciar e deverão ser concluídos em aproximadamente três meses, se as obras transcorrerem no prazo legal. Iniciou o período das chuvas, então não sabemos, porém o prazo está estabelecido pela gestão. Durante este período,  os pacientes serão atendidos na Clínica de Atenção Primária do Cristo Rei, onde reforçamos o atendimento nesta localidade, deslocando duas equipes médicas, que atendem na Manga e uma equipe médica para a UBS do Construmat. Os servidores desta Unidade que entrará em reforma serão remanejados para trabalharem nestas duas unidades, até a conclusão da obra”, explicou o secretário municipal de Saúde, Gonçalo de Barros.

De acordo ainda com o secretário de Saúde, a UBS receberá melhorias em toda sua estrutura, desde o piso até o telhado e ganhará novos ambientes para consultórios médicos, mais uma sala de coleta de exames laboratoriais e ampliação da recepção.

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“Após reunião entre servidores da Unidade de Saúde, representantes do Conselho Local da Unidade, CMS (Conselho Municipal de Saúde) e das áreas de Saúde, algumas sugestões e necessidades foram acolhidas e serão adotadas na obra. O local receberá manutenção e execução de placas de forro em todo o prédio, instalação de sala de coleta de exames laboratoriais e outras benfeitorias. Com as intervenções, os pacientes e servidores contarão com um espaço mais adequado à prestação de serviços de saúde. Nenhum usuário do SUS da região do Manga, ficará desassistido. Os atendimentos estão garantidos na própria Região do Grande Cristo Rei, nos bairros Construmat e Cristo Rei”, garantiu o secretário.

Atualmente, a UBS do Manga atende mensalmente uma média de 1500 pacientes. Após a obra, o atendimento será ampliado em até 70%. “Esta unidade receberá uma reforma completa para oferecer mais conforto e qualidade de vida aos nossos pacientes, a obra é uma necessidade urgente e irá contemplar toda a parte estrutural do local, garantindo também mais segurança para a equipe de trabalhadores do SUS.  Além dessa UBS que entra em reforma, todas as outras unidades estão em manutenção contínua”, informou o secretário municipal de Saúde, Gonçalo de Barros.

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Segundo o superintendente da Atenção Primária à Saúde, Geovane Renfro, todas as unidades são visitadas com frequência e suas necessidades estruturais garantidas. “A unidade do bairro Manga estava no cronograma de obras e ações em Saúde da gestão Kalil Baracat. E devido às necessidades de uma obra mais estruturante, resolvemos fechar a unidade para a realização da reforma geral e garantir o atendimento da população do bairro na própria Região do Grande Cristo Rei. Os serviços provisoriamente serão ofertados nos bairros Construmat e Cristo Rei, são os mesmos, como: consultas na área clínica, pediátrica e de enfermagem, e para outros serviços como o exame preventivo de câncer do colo uterino, recebimento de remédios, curativos e testes rápidos, vacinas, coleta exames laboratoriais. Tratar sintomas de viroses comuns como resfriados, gripes, febre, dores de cabeça. Além das ações de Educação em Saúde na área preventiva à saúde da criança, do jovem, adultos e idosos”, garantiu Geovane Renfro.

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Livro de professora da Rede Municipal de Várzea Grande é tema de reportagem do Jornal Gazeta

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O jornal A Gazeta, em sua edição de domingo, 23 de janeiro, publicou uma reportagem sobre o livro “Relações Étnico-Raciais: Paradigmas e Desafios” de autoria da professora Rosana Fátima de Arruda, publicado pela Editora Carlini & Caniato. A obra recebeu recursos da Lei Aldir Blanc e foi lançado durante a realização do IV Seminário de Diversidades e Relações Étnicos-Raciais em novembro de 2021. Na reportagem, a autora conta como foi o trabalho de pesquisa ao longo de sua trajetória pedagógica na Rede Municipal de Várzea Grande que resultou na produção literária.

Segue o texto da reportagem na íntegra:

A professora Rosana Fátima de Arruda, ativista do IMUNE (Instituto de Mulheres Negras) e conselheira do Conselho Municipal Promoção de Igualdade Racial (CMPIR) de Várzea Grande, observou ao longo de mais de duas décadas de trabalho em salas de aula as mais diversas formas de desigualdade racial no ambiente escolar.

Depois de muita pesquisa lançou em 2021 o livro Educação Para as Relações Étnico-Raciais: Paradigmas e Desafios. Rosana conta que, ao refletir sobre a realidade dos alunos negros, percebeu a necessidade de entender as relações sociais que estavam baseadas na cor, no fenótipo.

“Busquei em nível de pós-graduação entender o fato e o que eu poderia fazer para melhorar e o resultado de um dos estudos e ações está posto no livro”, comentou. Rosana atua como professora concursada na Rede Pública Municipal de Várzea Grande há 27 anos. Desde 2009, quando participou de um curso de formação promovido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (NEPRE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), tem se dedicado às pesquisas sobre o assunto.

Naquele ano, a professora lecionava na EMEB “Nair de Oliveira Correa”, no bairro Mappin. “E foi após assumir a coordenação pedagógica que comecei a perceber que o que acontecia com os alunos negros da minha sala se repetia em toda a escola. Os alunos negros reprovavam e eram os mais agressivos ou os mais retraídos. Ou seja, estar na coordenação me oportunizou algumas reorganizações no trabalho escolar que me consumiram a visão particularizada da sala de aula, para uma visão geral da escola”, relatou.

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O envolvimento com alunos e professores possibilitou à pesquisadora fazer comparações e análises mais gerais do desempenho escolar dos alunos da escola. “Cheguei a algumas conclusões. Evasão dos alunos negros: constatei que a grande maioria tinha familiares desempregados, que nos anos finais havia mais meninas que nos anos iniciais e que a maioria dos alunos agressivos e repetentes eram negros. O histórico familiar oscilava entre morar com avós, tios, pais separados ou não, mas todos tinham a violência como algo em comum”, relatou.

Na análise da professora, os paradigmas e desafios deveriam romper com a prática do negacionismo do racismo, de que vivemos numa democracia racial, de que todos temos as mesmas oportunidades e que o sucesso é marcado pela meritocracia. “É preciso entender e compreender que o racismo (podendo ser manifestado como preconceito, discriminação direta ou indireta, ou até como injuria racial) está presente na vida cotidiana”, alerta Rosana continua: “é preciso educar o nosso olhar para identificar nas nossas relações sociais as relações conflituosas e tensas baseadas na cor e intervir.

Para essas intervenções chamamos de educação para as relações étnico-raciais. Dessa forma garantimos o direito da igualdade racial na educação, saúde, política, esporte, lazer, enfim, porém atrelado a isso, é preciso também considerar as políticas equitativas. As políticas equitativas são os programas, ações que vão dar suporte aos estudantes na correção, justiça no acesso e/ou permanência dos direitos garantido”.

Ter o conhecimento e consciência de que o racismo é estruturante e o combate no campo educacional é a educação das relações étnico-raciais a incentivou a continuar a pesquisa. “Mobilizei a escola para propor algumas mudanças no currículo escolar, então criei um grupo de teatro que aos finais de semana eu os atendia trabalhando algumas técnicas de socialização e respeito. Convidei palestrantes, pessoas especialistas que trabalhavam no Projeto Fortalecer da Promotoria de Justiça (projeto criado para diminuir as faltas das crianças na escola) para palestrar aos pais da escola.

Ainda propus à escola uma rediscussão dos temas a ser abordado e sugeri que um bimestre fosse trabalhado a questão racial e que um dos temas da sala do professor fosse direcionado para esse foco”, contou. Segundo ela, a princípio foi bem aceita entre os professores, porém, com a proximidade do desenvolvimento do tema algumas colocações começaram a surgir: Vamos falar só sobre negros? Como valorizar e fazer as crianças se aceitarem como negras? Como enfocar o candomblé, se uma grande parcela dos alunos é cristã? Hoje o que caracteriza uma pessoa como negra: a cor da pele ou ascendência? “São questionamentos que me incomodaram e que superei com estudos, reflexões e práticas coerentes”.

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Hoje já há uma grande produção de material literário e didático que dá suporte à prática pedagógica antirracista. Para tanto é preciso uma mudança do comportamento, atitude e ações do professor frente aos desafios de introduzir no curricular o ensino das influências e contribuições do povo negro e indígena em paralelo aos conhecimentos europeus já estabelecido, defendeu.

Atualmente, Rosana trabalha com formação continuada de professores na área de ciências humanas (anos iniciais e finais), tendo como temática: “BNCC e a diversidade étnicoracial”. “Desenvolvo na prática o que ensino, pois, também atuo na EJA, e diariamente trabalho com a desconstrução das relações sociais marcadas pelo racismo ao incluir na prática pedagógica a Educação das relações étnico-raciais e saberes e conhecimentos ligados a conteúdo da história e cultura afro-brasileiros, indígenas e africanos”, disse.

O objetivo dos cursos é preparar o professor para atuar com as diferentes etnias presentes nas escolas municipais. Os professores e coordenadores têm atuado na inclusão de alunos de diferentes nacionalidades. “Posso citar a inclusão de uma estudante haitiana que foi alfabetizada numa escola do município, ela era a tradutora do português para a sua mãe. Outra experiência, foi a participação do aluno boliviano no atendimento da escola em tempo integrado (ETA), enfim, são muitos as boas práticas em educação étnico-racial e a formação é essencial”, diz.

O livro “Educação Para as Relações Étnico-Raciais: Paradigmas e Desafios” contou com recursos da Lei Aldir Blanc por meio do edital Nascentes e foi distribuído em todos os estabelecimentos escolares (municipal e estadual) de Várzea Grande, às bibliotecas e universidades. O livro possui uma linguagem acessível, conceitos sobre o fenômeno do racismo, estratégias de práticas antirracistas para fazer parte do PPP e os caminhos que os municípios podem tomar para estabelecer políticas públicas e fortalecer o currículo escolar.

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