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Alunos de Várzea Grande são premiados em projeto do Ministério Público do Trabalho

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Cinco estudantes da rede pública municipal de Educação de Várzea Grande estão entre os 12 alunos com trabalhos premiados na etapa estadual do Prêmio “MPT na Escola” do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso. A cerimônia de entrega do Prêmio ocorreu nesta quarta (24) e foi transmitido ao vivo pelo canal do MPT no Youtube.

Foram premiados 12 trabalhos produzidos por estudantes do 4º ao 7º ano da rede municipal de ensino. A premiação encerra o Projeto “MPT na Escola 2021”, utilizando a arte para fomentar a participação de gestores municipais de educação, educadores e estudantes em ações de mobilização, conscientização, prevenção e combate à exploração do trabalho infantil e de adolescentes.

Neste ano, alunas e alunos concorreram em 4 categorias (conto, desenho, música e poesia) e foram divididos em dois grupos (Grupo 1, de 4º e 5º anos, e Grupo 2, de 6º e 7º anos). Os melhores colocados de cada categoria receberam medalhas e brindes. Os professores-orientadores e demais servidores das Secretarias Municipais de Educação receberam placas de homenagem e certificados.

Municípios – O Projeto “MPT na Escola” teve adesão de quatro municípios mato-grossenses neste ano de 2021. Apesar das dificuldades e limitações impostas pela pandemia do novo coronavírus, mais de 4 mil alunos e 191 educadores de 25 escolas municipais de Cuiabá, Várzea Grande, Sorriso e Diamantino desenvolveram atividades visando desconstruir mitos em torno do trabalho infantil e romper barreiras culturais de permissibilidade e naturalização.

Em relação ao Prêmio “MPT na Escola”, apenas o município de Cuiabá não conseguiu concluir as atividades a tempo de participar da competição. Todavia, devido aos resultados positivos alcançados, também foi homenageado durante a cerimônia.

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O potencial transformador da iniciativa é reforçado pelo procurador do MPT e coordenador regional da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância), André Canuto. “A prevenção do trabalho infantil inicia-se durante a educação e formação de cada cidadão, e o melhor lugar para se desenvolver e conscientizar pessoas é a escola. Através da participação de toda a comunidade escolar fomentamos o engajamento e fortalecemos a luta contra o trabalho infantil”, pontua. A ideia é envolver um número cada vez maior de pessoas na luta contra o trabalho infantil e incentivar a aprendizagem profissional.

Para a superintendente Pedagógica, Luz Marina Coelho, que representou Várzea Grande na cerimônia, a participação dos alunos e educadores do município foi destacada pelo alto nível das produções e resultados obtidos. “O Projeto ‘MPT na Escola’ é uma oportunidade muito valiosa para que nossos estudantes possam conhecer e compartilhar a atuação do MPT na prevenção e combate ao trabalho infantil, reforçando que lugar de criança é na escola. Nossos alunos estão de parabéns pela excelente participação neste projeto tão importante” afirmou.

Confira a lista dos trabalhos vencedores da etapa estadual:

Grupo 01 – alunos do 4º e 5º anos

Conto:

1º Lugar – “Diga não ao Trabalho infantil”

Autoria: Lauriany Vitória Aguiar dos Santos

Escola: EMEB Prof.ª Maria Joana da Silva Almeida – Município de Várzea Grande 

2º Lugar – “Os Sonhos De Catarina”

Autoria: Raíssa Estevam dos Santos

Escola: Escola Municipal Castorina Sabo Mendes – Município de Diamantino

3º Lugar – “Trabalho infantil”

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Autoria: Bianca de Almeida Vieira

Escola: EMEB Antônio Gomes da Cruz – Município de Várzea Grande 

Desenho:

1º Lugar – “Combate ao trabalho infantil

Autoria: Camylle Gabriele Freitas Moura

Escola: Escola Municipal São Domingos – Município de Sorriso

2º Lugar – “Ser criança, ser feliz!

Autoria: Valbert Rafael Patrocínio de Lima

Escola: Escola Municipal Castorina Sabo Mendes – Município de Diamantino

3º Lugar – “Trabalho infantil

Autoria: Eloine Estefani Batista dos Santos

Escola: Centro Municipal de Educação Básica de Sorriso – Município de Sorriso

Poesia:

1º Lugar – “Brasil Melhor

Autoria: Agata da Silva Oliveira

Escola: Escola Municipal São Domingos – Município de Sorriso 

2º Lugar – “Trabalho infantil

Autoria: Maria Heloísa de Sousa Machado

Escola: Escola Municipal Castorina Sabo Mendes- Município de Diamantino

3º Lugar – “Trabalho infantil é coisa séria

Autoria: Thifany Nascimento Silva

Escola: Escola Municipal São Domingos – Município de Sorriso

Grupo 02 – alunos do 6º e 7º anos

Desenho:

1º Lugar – “Aprendizagem profissional

Autoria: Mizael Augusto da Silva Padilha

Escola: EMEB Abdala José de Almeida – Município de Várzea Grande

Poesia:

1º Lugar – “Zé Ninguém

Autoria: EvillynLorrainy da Silva Santos

Escola: EMEB Joaquim da Cruz Coelho – Município de Várzea Grande

Música:

1º Lugar – “O jovem aprendiz pode estudar e trabalhar

Autoria: Kenielly Soares Moraes

Escola: EMEB Benedita Bernadina Curvo – Município de Várzea Grande

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Livro de professora da Rede Municipal de Várzea Grande é tema de reportagem do Jornal Gazeta

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O jornal A Gazeta, em sua edição de domingo, 23 de janeiro, publicou uma reportagem sobre o livro “Relações Étnico-Raciais: Paradigmas e Desafios” de autoria da professora Rosana Fátima de Arruda, publicado pela Editora Carlini & Caniato. A obra recebeu recursos da Lei Aldir Blanc e foi lançado durante a realização do IV Seminário de Diversidades e Relações Étnicos-Raciais em novembro de 2021. Na reportagem, a autora conta como foi o trabalho de pesquisa ao longo de sua trajetória pedagógica na Rede Municipal de Várzea Grande que resultou na produção literária.

Segue o texto da reportagem na íntegra:

A professora Rosana Fátima de Arruda, ativista do IMUNE (Instituto de Mulheres Negras) e conselheira do Conselho Municipal Promoção de Igualdade Racial (CMPIR) de Várzea Grande, observou ao longo de mais de duas décadas de trabalho em salas de aula as mais diversas formas de desigualdade racial no ambiente escolar.

Depois de muita pesquisa lançou em 2021 o livro Educação Para as Relações Étnico-Raciais: Paradigmas e Desafios. Rosana conta que, ao refletir sobre a realidade dos alunos negros, percebeu a necessidade de entender as relações sociais que estavam baseadas na cor, no fenótipo.

“Busquei em nível de pós-graduação entender o fato e o que eu poderia fazer para melhorar e o resultado de um dos estudos e ações está posto no livro”, comentou. Rosana atua como professora concursada na Rede Pública Municipal de Várzea Grande há 27 anos. Desde 2009, quando participou de um curso de formação promovido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (NEPRE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), tem se dedicado às pesquisas sobre o assunto.

Naquele ano, a professora lecionava na EMEB “Nair de Oliveira Correa”, no bairro Mappin. “E foi após assumir a coordenação pedagógica que comecei a perceber que o que acontecia com os alunos negros da minha sala se repetia em toda a escola. Os alunos negros reprovavam e eram os mais agressivos ou os mais retraídos. Ou seja, estar na coordenação me oportunizou algumas reorganizações no trabalho escolar que me consumiram a visão particularizada da sala de aula, para uma visão geral da escola”, relatou.

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O envolvimento com alunos e professores possibilitou à pesquisadora fazer comparações e análises mais gerais do desempenho escolar dos alunos da escola. “Cheguei a algumas conclusões. Evasão dos alunos negros: constatei que a grande maioria tinha familiares desempregados, que nos anos finais havia mais meninas que nos anos iniciais e que a maioria dos alunos agressivos e repetentes eram negros. O histórico familiar oscilava entre morar com avós, tios, pais separados ou não, mas todos tinham a violência como algo em comum”, relatou.

Na análise da professora, os paradigmas e desafios deveriam romper com a prática do negacionismo do racismo, de que vivemos numa democracia racial, de que todos temos as mesmas oportunidades e que o sucesso é marcado pela meritocracia. “É preciso entender e compreender que o racismo (podendo ser manifestado como preconceito, discriminação direta ou indireta, ou até como injuria racial) está presente na vida cotidiana”, alerta Rosana continua: “é preciso educar o nosso olhar para identificar nas nossas relações sociais as relações conflituosas e tensas baseadas na cor e intervir.

Para essas intervenções chamamos de educação para as relações étnico-raciais. Dessa forma garantimos o direito da igualdade racial na educação, saúde, política, esporte, lazer, enfim, porém atrelado a isso, é preciso também considerar as políticas equitativas. As políticas equitativas são os programas, ações que vão dar suporte aos estudantes na correção, justiça no acesso e/ou permanência dos direitos garantido”.

Ter o conhecimento e consciência de que o racismo é estruturante e o combate no campo educacional é a educação das relações étnico-raciais a incentivou a continuar a pesquisa. “Mobilizei a escola para propor algumas mudanças no currículo escolar, então criei um grupo de teatro que aos finais de semana eu os atendia trabalhando algumas técnicas de socialização e respeito. Convidei palestrantes, pessoas especialistas que trabalhavam no Projeto Fortalecer da Promotoria de Justiça (projeto criado para diminuir as faltas das crianças na escola) para palestrar aos pais da escola.

Ainda propus à escola uma rediscussão dos temas a ser abordado e sugeri que um bimestre fosse trabalhado a questão racial e que um dos temas da sala do professor fosse direcionado para esse foco”, contou. Segundo ela, a princípio foi bem aceita entre os professores, porém, com a proximidade do desenvolvimento do tema algumas colocações começaram a surgir: Vamos falar só sobre negros? Como valorizar e fazer as crianças se aceitarem como negras? Como enfocar o candomblé, se uma grande parcela dos alunos é cristã? Hoje o que caracteriza uma pessoa como negra: a cor da pele ou ascendência? “São questionamentos que me incomodaram e que superei com estudos, reflexões e práticas coerentes”.

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Hoje já há uma grande produção de material literário e didático que dá suporte à prática pedagógica antirracista. Para tanto é preciso uma mudança do comportamento, atitude e ações do professor frente aos desafios de introduzir no curricular o ensino das influências e contribuições do povo negro e indígena em paralelo aos conhecimentos europeus já estabelecido, defendeu.

Atualmente, Rosana trabalha com formação continuada de professores na área de ciências humanas (anos iniciais e finais), tendo como temática: “BNCC e a diversidade étnicoracial”. “Desenvolvo na prática o que ensino, pois, também atuo na EJA, e diariamente trabalho com a desconstrução das relações sociais marcadas pelo racismo ao incluir na prática pedagógica a Educação das relações étnico-raciais e saberes e conhecimentos ligados a conteúdo da história e cultura afro-brasileiros, indígenas e africanos”, disse.

O objetivo dos cursos é preparar o professor para atuar com as diferentes etnias presentes nas escolas municipais. Os professores e coordenadores têm atuado na inclusão de alunos de diferentes nacionalidades. “Posso citar a inclusão de uma estudante haitiana que foi alfabetizada numa escola do município, ela era a tradutora do português para a sua mãe. Outra experiência, foi a participação do aluno boliviano no atendimento da escola em tempo integrado (ETA), enfim, são muitos as boas práticas em educação étnico-racial e a formação é essencial”, diz.

O livro “Educação Para as Relações Étnico-Raciais: Paradigmas e Desafios” contou com recursos da Lei Aldir Blanc por meio do edital Nascentes e foi distribuído em todos os estabelecimentos escolares (municipal e estadual) de Várzea Grande, às bibliotecas e universidades. O livro possui uma linguagem acessível, conceitos sobre o fenômeno do racismo, estratégias de práticas antirracistas para fazer parte do PPP e os caminhos que os municípios podem tomar para estabelecer políticas públicas e fortalecer o currículo escolar.

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