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Investigados por desvio de recursos públicos indicavam serviços fantasmas para emissão de notas fiscais

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A investigação da Polícia Civil, que apurou o esquema de desvio de recursos da Prefeitura de Rio Branco, apontou que o procurador municipal e as secretárias de Finanças e de Administração solicitaram ao empresário J.R.P., que mantinha contratos com o município, a desviar diversos valores falsificando serviços e emitindo notas por serviços que não foram prestados.

J.R.P. teve a suspensão de contratos com a prefeitura determinadas pela Justiça a pedido da Polícia Civil, além de ser alvo de prisão e de buscas. Ele está foragido e é alvo de outra investigação da Delegacia de Mirassol d’Oeste, quando também teve a prisão decretada, por fraude em concurso público daquele município.

Os servidores municipais de Rio Branco foram afastados do cargo e tiveram as prisões decretadas, contudo, um deles, o chefe de gabinete da prefeitura, está foragido.

Durante as buscas nesta quarta-feira (19.07), na casa de uma das secretárias foram apreendidos R$ 6,5 mil e em um dos endereços do empresário, os policiais encontraram uma arma de fogo e munições. Os mandados judiciais foram cumpridos durante a Operação Corrupção Delivery, em uma investigação da Delegacia de Rio Branco que investiga a associação criminosa formada, peculato, falsidade ideológica e lavagem de capitais.

Esquema de desvios

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Jean Paulo Nascimento, todo o esquema descoberto funcionava em uma espécie de sistema delivery, pois os secretários envolvidos encomendavam a J.R.P. a nota fiscal indicando o falso serviço a ser lançado e depois recebiam os valores em conta de terceiros.

Ao fazer contato com o empresário, o servidor público já determinava o valor que precisava que fosse “livre”, já encaminhando o objeto 9serviço fantasma) a ser colocado na nota de prestação de serviços. O valor livre se refere à quantia que o servidor desejava. J.R.P. então emitia a nota fiscal por meio de suas empresas que prestavam serviços à Prefeitura de Rio Branco e fazia a comunicação via e-mail ou por mensagem em Whatsapp.

O servidor então transferia o valor da nota, descontando imposto, para conta bancária das empresas de J.R.P., que retornava o valor em espécie ou fazia transferência para a conta de terceiros indicada pelos servidores públicos, mas antes fazendo o desconto de sua fração no esquema.

O delegado responsável pela investigação, Jean Paulo Nascimento, explica que a nota fiscal era sempre feita em valor maior que o valor solicitado, sendo que J.R.P. também ficava com a sua parcela do dinheiro ilícito. “Desta forma, apropriaram-se de valores do erário, sem a devida prestação do serviço, modalidade conhecida como contratação de serviços fantasmas”.

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Na análise das conversas extraídas de celular apreendido de J.R.P. na ocasião em que ele foi preso pelo homicídio de um advogado em São José dos Quatro Marcos, foram encontrados diversos diálogos mantidos entre ele e o procurador da prefeitura à época e que, atualmente, era chefe de gabinete.

Entre um dos diálogos, o chefe de gabinete encaminha a conta de um sobrinho para que o valor acordado (“R$ 3 mil livre”) seja encaminhado. Porém, o empresário informa que está em Rio Branco e o chefe de gabinete pede, então, que o valor seja sacado e entregue em mãos.

Em outra conversa, o chefe de gabinete novamente procura J.R.P. e diz que estão precisando de notas fiscais. “Ressalta-se novamente que ele sempre utiliza o verbo no plural (‘estamos’), aponta trecho do relatório.

É o então procurador da prefeitura à época quem determinava o tipo de prestação de serviço que deverá ser colocado nas notas dos serviços fantasmas, acrescentando ainda que o serviço já foi realizado. Dessa vez, ele diz que precisa de “2 livre” e novamente encaminha um e-mail para que a nota fiscal seja preenchida, a fim de que o ordenador de despesas da prefeitura faça o pagamento.

A investigação apurou ainda que nos diálogos, os serviços informados pelos dois participantes do esquema são claramente fantasma, pois não foram prestados por J.R.P. ou suas empresas. Quando o procurador lhe informa que o serviço já tinha sido realizado, J.R.P se mostra preocupado em quem teria feito tal serviço, quando então o servidor da prefeitura o tranquiliza, dizendo que foi ele próprio e uma outra servidora “gente fina” que realizaram tal serviço.

Outra constatação no inquérito policial sobre o esquema é o e-mail para o qual o procurador pedia que fossem remetidas as notas fiscais falsas. O endereço é um e-mail particular da secretária de Finanças que recebia as notas fraudulentas.

Em julho de 2021, o procurador volta a pedir ao empresário que forneça outra nota fiscal para repetir a ação criminosa e solicita o valor de “2 livre”, ressaltando que o valor da nota não pode passar de três mil reais. Ele faz o alerta porque no desvio anterior foi emitida uma nota com valor acima de quatro mil reais e pede que o ‘serviço’ seja feito ainda na mesma data, com urgência, pois a secretária de Finanças se ausentaria da prefeitura nos dias seguintes.

Após dois dias, o procurador envia o comprovante de transferência de R$ 2.925,60 da conta bancária da Prefeitura de Rio Branco para uma empresa de J.R.P. e na sequência manda os dados da conta de seu sobrinho. O procurador diz o seguinte ao fazer a cobrança: “Manda aí.. estamos duro kk”. J.R.P. responde com um áudio: “Opa, esqueci de te avisar. Aquela hora memo, tá dentro lá”.

“Nota-se a ironia na fala do procurador e total descaso com o dinheiro público, sendo que este ironiza para que o dinheiro fosse mandado logo porque já era ‘sexta-feira’. Isto deixa claro que nenhum serviço era prestado e que todo o dinheiro desviado era utilizado de forma pessoal pelos envolvidos, com gastanças nos feriados e finais de semana”, pontua o delegado Jean Paulo.

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Em outra conversa, o empresário adverte o procurador que o falso serviço a ser prestado estava muito amplo e que isso poderia gerar desconfiança e atrapalhar os negócios dele. “Então, mas eu fico preocupado com esse objeto, esse termo é de refência do que? Que tipo de coisa, (FULANO)? Tem que limitar porque senão depois cria problema pra os outro processo meu aí.”

“A atuação criminosa já estava em estágio tão avançado que todos os termos do negócio ilícito eram discutidos, negociação do valor da propina a ser recebida pela emissão da nota, falso serviço a ser prestado, palavras e termos a serem colocados para não gerar desconfiança”, comentou o delegado.

A investigação detalhou o esquema criminoso e apontou os valores que J.R.P. recebeu da Prefeitura de Rio Branco, sempre valores baixos, mas constantes durante os anos. A maior parte das notas fiscais vinculadas aos empenhos era assinada pelas secretárias de Finanças e de Administração.

“O núcleo central que controla e zela pelo erário estava envolvido na trama criminosa com um prestador de serviço habitual da administração pública, o que torna todos os contratos administrativos celebrados com essa empresa, no mínimo, suspeitos e passíveis de revisão, em especial o que são feitos mediante dispensa/inexigibilidade de licitação”, acrescenta o delegado.

Depósitos em espécie e fracionados, abaixo de R$ 2 mil são comumente utilizados para evitar comunicação ao Banco Central e burlar a fiscalização, pois acima desse valor devem conter nome e CPF do depositante/sacador.
Além dos servidores e o empresário investigados, três pessoas que facilitaram o desvio do dinheiro público emprestando contas bancárias para recebimento dos valores ilícitos também são alvos da investigação.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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Polícia Militar utiliza esporte como ferramenta de transformação social na Baixada Cuiabana

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O esporte e a disciplina caminham lado a lado no combate à vulnerabilidade social. A Polícia Militar de Mato Grosso, por meio do 1º e 2º Comandos Regionais, já atende mais de duas mil crianças e jovens, que através da prática esportiva encontraram uma oportunidade de transformação de vida e convivência cidadã.

Pelo menos 2.051 participantes integram diretamente as modalidades oferecidas pelos batalhões militares de Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio de Leverger e unidades especializadas da Capital. Para o comandante-geral adjunto, coronel André Wilian Doreleo, o esporte atua como uma ferramenta estratégica de prevenção primária à violência e fortalecimento dos laços comunitários.

“A missão da Polícia Militar vai muito além do policiamento ostensivo e tático no combate à criminalidade. Quando abrimos os portões dos nossos batalhões para acolher nossas crianças no tatame ou no campo de futebol, estamos investindo no futuro do nosso Estado. O esporte ensina respeito, resiliência e companheirismo. Cada jovem que treina conosco é uma vida protegida e um futuro transformado”, destacou o coronel. 

Entre os destaques está o atleta de jiu-jitsu do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), Túlio Filho, que conquistou, em janeiro deste ano, a medalha de ouro e o título de Campeão Europeu, em Lisboa, Portugal. Desde os 8 anos de idade, Túlio integra o projeto social do batalhão. Essa foi a segunda vez do atleta representando o Estado na Europa, em 2025 Túlio ficou em segundo lugar na categoria “adulto meio pesado”.

Foto: Reprodução/Polícia Militar - MT
Foto: Reprodução/Polícia Militar – MT

“O jiu-jitsu transformou a minha vida completamente. O esporte me ensinou a ter disciplina e seguir um caminho certo na minha própria vida. O jiu-jitsu Rotam foi um grande divisor de águas, pois eu consegui realizar meus sonhos. Só tenho agradecer aos instrutores, meus pais e amigos pelo apoio e incentivo”, declarou Túlio Filho. 

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O Batalhão também atende jovens na escolinha de futebol Grêmio Rotam. O comandante da Rotam, tenente-coronel Fábio Alves Ribeiro, enfatizou que a vitória representa não apenas o talento individual do atleta, mas também o resultado de um trabalho contínuo de formação esportiva, disciplina e cidadania promovido pelo projeto social da unidade. 

“A iniciativa tem transformado a vida de dezenas de jovens por meio do esporte, incentivando valores como respeito, superação e trabalho em equipe. Cada medalha conquistada é reflexo do compromisso da Rotam com o desenvolvimento humano e social. Ver um atleta formado dentro da nossa unidade alcançar o topo da Europa é motivo de orgulho para toda a corporação”, declarou tenente-coronel Fábio Alves Ribeiro.

Foto: Reprodução/Polícia Militar - MT
Foto: Reprodução/Polícia Militar – MT

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) também conta com projetos sociais de judô e aulas de futebol, que já atende mais de 50 matrículas. Os alunos colecionam diversos títulos nacionais e também participam de campeonatos anuais feitos pela unidade. A Força Tática proporciona os projetos Young Boys (Futsal) e Gibborim (Estudos Bíblicos).

Ainda em Cuiabá, há os projetos sociais e esportivos por meio do 1º Batalhão com o Lutando pelo Futuro (Karatê e Jiu Jitsu) que atende mais de 200 alunos, o 3º Batalhão com projeto Crescer com mais de 300 estudantes, bem como o 9º Batalhão com Projeto Lutas que conta hoje com mais de 100 matrículas. Além disso, os policiais militares do 10º Batalhão coordenam os projetos Black Belt (Karatê), Aruandê (Capoeira), Escolinha de Futebol e Futsal, assim como Ginástica para Melhor Idade e Dança e Atividade Recreativa, com 980 participantes. 

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Já no município de Santo Antônio de Leverger, a 3ª Companhia Independente apresenta o projeto Jiu Jitsu e Judô com 130 alunos. Em Várzea Grande, o 4º Batalhão da PM, que integra o 2º Comando Regional, se destaca, desde 2018, com o 4º Bravo Lutas, voltado para a prática de artes marciais, com mais 140 alunos nas modalidades de Jiu Jitsu, Karatê, Judô e Wrestling (luta livre).

Foto: Reprodução/Polícia Militar - MT
Foto: Reprodução/Polícia Militar – MT

“A prática esportiva é uma ferramenta poderosa de transformação social, pois ela afasta as crianças da vulnerabilidade e molda o caráter de quem será o futuro da nossa sociedade. Nosso compromisso é continuar apoiando iniciativas como esta, que formam não apenas atletas, mas, acima de tudo, bons cidadãos”,enfatizou o comandante do 3º Batalhão, tenente-coronel Adonival Coelho de Souza Júnior.

Todos os projetos sociais ofertados pela Polícia Militar são gratuitos. Além disso, o ingresso de novos alunos podem ser realizados durante todo o ano com a autorização dos pais e/ou responsáveis legais e com a entrega de toda a documentação solicitada por cada diretoria dos projetos.



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