MATO GROSSO
Vale do Araguaia recebe primeira indústria de etanol de milho; região vive novo momento econômico
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As obras da fábrica da 3tentos já estão em andamento e, com elas, todo o ecossistema que integra a venda de insumos (sementes, fertilizantes), a compra dos grãos por meio dos armazéns e, por último, a industrialização com o esmagamento do milho para a produção do etanol e o DDG, usado para ração animal.
O investimento de R$ 1 bilhão na fábrica deve gerar cerca de 1,5 mil a 2 mil empregos diretos na fase das obras, e de 250 a 300 vagas quando começar as operações. Contudo, a presença de uma agroindústria no segmento vai agregar valor à produção da região Nordeste de Mato Grosso, que foi uma das últimas fronteira agrícolas do Estado e, agora, vive um novo momento.
A região do Vale do Araguaia, composta por 22 municípios, que vai de Nova Xavantina à Vila Rica pela BR-158, tem cerca de 2,2 milhões de hectares de produção de grãos e a possibilidade de triplicar a área plantada sem derrubar uma árvore, apenas com o uso das áreas de pastagens degradadas em lavouras.
“Porto Alegre do Norte foi definida pela sua posição geográfica e todos os benefícios logísticos que a BR-158 pode trazer para a empresa. Quando nós pensamos na nossa atuação em Mato Grosso, pensamos nesse eixo da BR-163 com o Arco Norte e Arco Sul para o escoamento de produtos, e o eixo da BR-158, onde também vai possibilitar uma saída pelo Arco Norte, por Barcarena (PA) e Porto de Itaqui (MA), e também um escoamento pelo Sul”, explicou o CEO da empresa, Luiz Osório Dumoncel.
Um dos pioneiros do município de Lucas do Rio Verde, o vice-governador Otaviano Pivetta destacou que as cidades do eixo da BR-163, que são conhecidas atualmente pela potência econômica e produtiva do agro, passou pela agroindustrialização para chegarem ao patamar de desenvolvimento experimentado hoje em dia.
“O que começa a acontecer no eixo da BR-158 é algo histórico. Eu me lembro bem que na década de 90 nosso maior esforço e gasto de energia era para implantar a agroindústria em Lucas do Rio Verde, para começar a desenvolver a região. Tudo que aconteceu naquele retângulo de Nova Mutum a Sinop foi a partir da década de 90, e começou timidamente com as agroindústrias, que virou essa potência regional que é hoje a região da BR-163. É isso que está acontecendo na BR-158″, observou.
A região passa agora por um novo ciclo econômico, tão importante quanto o primeiro, que foi a ocupação horizontal das terras, incentivadas na década de 70 pelo governo federal à época. Com a chegada das grandes colonizadoras, a região passou pelos ciclos da pecuária e agricultura com produção de grãos.
Por meio de incentivos fiscais do Governo do Estado e investimentos em segurança pública, educação e saúde pela atual gestão, agora o Estado vive a verticalização da produção, agregando valor à produção, não só produzindo produtos primários para exportação, mas exportando também óleos, farelos, tortas de resíduos de soja, dentre outros produtos oriundos de grãos.
O setor industrial de Mato Grosso vive um momento de crescimento sem igual, fruto de metas estabelecidas pelo Governo do Estado para agregar valor à produção do Estado e gerando mais emprego e renda.
Conforme os dados do IBGE, a indústria mato-grossense cresceu 4,4% no mês de janeiro, com o segundo melhor índice do país, atrás apenas do Amazonas, que subiu 16,7%. O desempenho das indústrias no Estado também foi positivo na comparação com janeiro de 2023, com alta de 9,5%, e no acumulado dos últimos 12 meses em 7%.
“O governo criou aqui no Estado um modelo de desenvolvimento muito democrático, que traz segurança jurídica e gera confiança. O investimento industrial é de médio e longo prazo, por isso é muito importante que o empreendedor confie no Governo, no Estado, nas políticas públicas, e se sinta num ambiente de segurança para ele aportar o seu investimento e aguardar o retorno. Historicamente, Mato Grosso era só produtor, agora ele está em outra fase, que se intensifica a partir dos investimentos privados e públicos acontecendo”, destacou o governador Mauro Mendes.
O governador ainda destacou que todas as regiões têm experimentado investimentos públicos em infraestrutura, com grandes obras e a ampliação do setor industrial. Se antes o eixo da BR-163 era o principal foco das indústrias privadas, ou a região algodoeira de Campo Verde, agora é a vez do Araguaia.
“Essa indústria de etanol de milho, que é uma grande indústria de transformação, tem um papel importante na agregação de valor do agronegócio, da produção de milho, da transformação de proteínas para ampliar o setor de pecuária, para torná-lo mais profissional. Isso mostra que Mato Grosso consegue ter força suficiente para fazer um processo de crescimento e desenvolvimento em todas as suas regiões. É comum, às vezes, em um Estado, você ter desenvolvimentos locais, em algumas determinadas cidades e regiões, mas, graças a Deus, nós estamos experimentando um bom momento e um grande desenvolvimento em todo o Estado”, finalizou o governador.
Etanol de milho
Mato Grosso tem 11 indústrias de etanol de milho que juntas produziram 4,43 bilhões de litros em 2023, representando 73% da produção brasileira do biocombustível desta fonte. As indústrias estão localizadas em Nova Marilândia, Poconé, São José do Rio Claro, Lucas do Rio Verde, duas em Sorriso, Sinop, Nova Mutum, Jaciara, Campos de Julio e Primavera do Leste. As informações são da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).
Há outras 9 em construção, além da planta da 3tentos, nas cidades de Sorriso, Ipiranga do Norte, Campo Novo do Parecis, Tabaporã e Vera. Também há outras plantas programadas ou projetadas para serem construídas em Sorriso, Campo Novo do Parecis e Canarana. Esta será a segunda unidade do Vale do Araguaia.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.
Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.
Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.
“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.
O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.
Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.
Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.
Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.
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