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Todo magistrado é potencialmente um filósofo, explica professor Felipe de Carvalho

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O papel da filosofia no exercício da magistratura foi um dos temas abordados na aula desta terça-feira (23/03), apresentada pelo professor Felipe Rodolfo de Carvalho aos juízes substitutos do Poder Judiciário de Mato Grosso. Ele ressaltou que a Filosofia é extremamente importante para o exercício jurisdicional, pois revela sua função social e permite que o magistrado tenha consciência plena da sua responsabilidade básica de proteger e garantir a dignidade da pessoa humana.
 
“Na prática, a Filosofia contribui na medida em que permite que o juiz se humanize. É a Filosofia quem revela ao magistrado o fato de que por trás da ação processual há um ser humano vulnerável que precisa ser olhado também a partir de sua condição fundamental. Então, para além da forma jurídica, a Filosofia humaniza na medida em que devolve a personalidade humana a essas pessoas que foram vulnerabilizadas.”
 
O professor ressaltou ainda que a Filosofia não é um exercício irresponsável do pensamento, ao contrário há um compromisso com as questões do presente. “A Filosofia cumpre uma missão de vigilância histórica. Nesse sentido, ela precisa estar atenta aos problemas atuais da sociedade em que o filósofo se encontra inserido. É como se fosse uma exigência, uma obrigação do filósofo se perguntar sobre as questões que avassalam o seu tempo. As interrogações diárias precisam de algum modo contribuir para o tempo atual e, obviamente, para a construção de um futuro em face das mazelas do presente.”
 
Por fim, Felipe ressaltou que todo magistrado, jurista e operador do sistema jurídico é potencialmente um filósofo. “Nesse sentido, a Filosofia do Direito não é ou não se resume a uma atividade realizada por filósofos em sentido estrito. Pelo contrário, todos nós podemos fazer Filosofia do Direito, podemos ser filósofos do Direito, desde que procuremos colocar o Direito em questão. Eu gosto da ideia de que a vocação filosófica se estende a todo o conjunto humano. Então, também os magistrados são chamados, são vocacionados a pensar filosoficamente o Direito e, de modo especial, a própria atividade que eles realizam.”
 
Dentre ouvintes estava o juiz Jonatan Moraes Ferreira Pinho, que ressaltou seu interesse no assunto. “A Filosofia nos traz um olhar crítico ao Direito e faz com que o jurista perceba o porquê de determinada norma, positivação e o valor a determinado interesse. Então, nesse sentido, ela explica valores relevantes e, ao mesmo tempo, faz uma crítica sobre esses valores, apontando possíveis novos caminhos que possam ser considerados.”
 
Aberta pelo desembargador Marcos Machado, a aula foi realizada no Curso Oficial de Formação Inicial voltada para os juízes e juízas recém-empossados no Poder Judiciário mato-grossense. Os encontros presenciais são realizados diariamente, pela manhã, na Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT), responsável pela realização da capacitação. Para conhecer a íntegra do Curso Oficial de Formação Integral acesse este link. 
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
 
Descrição da imagem: Foto retangular colorida. Desembargador Marcos conversa com Professor Felipe em sala de aula. À esquerda e à direita alunos estão sentados dispostos lado a lado.  
 
 
Keila Maressa/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
 
 

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ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.

Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.

Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.

“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.

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O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.

Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.

Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.

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Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.



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