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Sérgio Ricardo anuncia auditoria sobre recursos destinados a pessoas com deficiência e defende criação de secretaria estadual

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Crédito: Tony Ribeiro/TCE-MT
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Presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, em reunião com representantes da Associação Várzea-grandense da Pessoa com Deficiência. Clique aqui para ampliar.

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, anunciou a realização de uma auditoria especial sobre os recursos públicos destinados às pessoas com deficiência. Em reunião com representantes da Associação Várzea-grandense da Pessoa com Deficiência (AVDF) e do Conselho de Saúde do município, nesta segunda-feira (31), também foi proposta a criação de uma secretaria estadual específica para atender as demandas desta população.

De acordo com Sérgio Ricardo, os dados levantados na auditoria vão permitir investimentos mais adequados e subsidiar a formulação de políticas públicas eficazes para as pessoas com deficiência (PCDs) no estado. “Vamos solicitar que todas as prefeituras façam um levantamento completo. Precisamos entender quantas pessoas precisam de atendimento, que tipo de assistência recebem e onde o poder público está falhando. Só assim será possível cobrar soluções concretas dos gestores”, afirmou.

O presidente alertou ainda que a falta de infraestrutura e de atendimento especializado tem agravado as condições de vida dessa população, uma vez que muitas complicações poderiam ser evitadas com diagnóstico e tratamento adequados. “Essa não pode ser a causa de um só. É preciso envolver todos os agentes públicos. Estamos falando de uma realidade grave, com pessoas que não conseguem sair de casa ou se reabilitar por falta de estrutura básica. Precisamos agir agora, antes que a situação se agrave ainda mais.”

Nesse contexto, o representante da Associação, Tadeu Bezerra, chamou atenção para a falta de acessibilidade e de profissionais especializados no Centro de Reabilitação do município, e defendeu a criação de um novo espaço. “Faltam urologista, neuropediatra, fisiatra. Há seis anos estamos em um prédio que não tem rampa e os cadeirantes não conseguem sequer entrar. Reabilitação é dignidade. E hoje estamos sendo deixados de lado em um espaço que não atende minimamente nossas necessidades”, relatou.

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Coordenador do projeto Cadeira Solidária, que reforma e distribui cadeiras de rodas para pessoas em situação de vulnerabilidade, o vereador Jero Neto agradeceu ao TCE-MT pela iniciativa e reforçou que muitas famílias da cidade estão desassistidas. “Quero agradecer ao presidente Sérgio Ricardo por essa oportunidade. Essa é uma luta que exige união. Há muitas famílias desassistidas em Várzea Grande. Vamos continuar firmes nessa caminhada”, declarou.

Conselho aponta lacunas na assistência

A reunião foi articulada por Clariana Brandão, servidora do TCE-MT e membro dos Conselhos Municipais de Saúde, Assistência Social e Saneamento de Várzea Grande. Na ocasião, ela destacou a ausência de neuropediatras no município e a falta de um Instituto Médico Legal (IML), o que compromete a apuração de crimes contra crianças e mulheres.

“Sem neuropediatra, mães de crianças com deficiência, especialmente com autismo, não conseguem o laudo necessário para buscar assistência. Já a falta do IML faz com que denúncias de violência parem no boletim de ocorrência, sem perícia. Isso desestrutura famílias e impede o acesso a direitos básicos. É por isso que essa reunião foi tão importante. Acreditamos que, sob a liderança do TCE-MT, finalmente teremos um encaminhamento concreto”, afirmou durante o encontro.

Presidente sugere criação de secretaria estadual

Diante do cenário relatado, o presidente do TCE-MT apontou como alternativa a criação de uma secretaria estadual específica para cuidar das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência. Segundo Sérgio Ricardo, o volume crescente de registros, agravado pelo aumento dos acidentes de trânsito e pela falta de atenção preventiva, exige uma estrutura própria, com orçamento, equipe técnica qualificada e capacidade de gestão.

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“A criação de uma secretaria específica é fundamental para garantir o olhar técnico e a destinação correta dos recursos. Mas isso só será possível se houver diálogo permanente com as associações e com as pessoas que vivem essa realidade. Precisamos somar esforços entre o governo, as organizações da sociedade civil e os cidadãos. Essa união é que vai nos permitir construir soluções duradouras, que considerem a diversidade das deficiências e a complexidade de cada demanda apresentada”, afirmou.

A urgência foi reforçada por Tadeu Bezerra, que alertou para a ausência de um banco público de cadeiras de rodas e para o abandono das famílias de PCDs, especialmente aquelas com filhos autistas. “Temos inúmeras mães que batem de porta em porta atrás de fralda, medicamento, cadeira de banho. Não estamos pedindo luxo, estamos pedindo o mínimo. Precisamos parar de ser vistos como estatística e começar a ser tratados como cidadãos com direitos garantidos por lei.”

Projeto Cadeira Solidária

Para ajudar a preencher as lacunas deixadas pelo poder público, desde 2022 o projeto Cadeira Solidária arrecada cadeiras de rodas por meio de doações privadas, as restaura e repassa a quem precisa. De acordo com Jero Neto, centenas de pessoas já foram beneficiadas. Para contribuir, basta entrar em contato pelo WhatsApp (65) 99658-0264.

Secretaria de Comunicação/TCE-MT 
E-mail: imprensa@tce.mt.gov.br

Fonte: TCE MT – MT

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ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.

Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.

Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.

“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.

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O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.

Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.

Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.

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Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.



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