MATO GROSSO
Seminário aborda avanços no enfrentamento à violência contra mulher em MT
MATO GROSSO
A Polícia Civil de Mato Grosso abriu, nesta segunda-feira (14.03), em Cuiabá, um seminário que tem como tema o enfrentamento e combate à violência contra a mulher. Policiais civis, equipes multidisciplinares, estudantes e profissionais de áreas ligadas à defesa da mulher participam do evento, organizado pela Academia da Polícia Civil, como parte dos 180 anos que a instituição completa neste ano.
Na abertura do seminário, o delegado-geral, Mário Dermeval, destacou os investimentos promovidos pela Polícia Civil em fornecer ferramentas tecnológicas e humanas que permitam às vítimas de violência acessar os serviços prestados pelo Estado, além da ampliação de unidades que atuam exclusivamente na apuração, acolhimento e proteção às mulheres.
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Ele citou, por exemplo, a criação do SOS Mulher MT, que reúne a medida protetiva online e o botão do pânico virtual desenvolvidos pela Polícia Civil, com apoio do Poder Judiciário e Secretaria de Segurança Pública.
Além disso, a Polícia Civil ampliou nos dois últimos anos o número de unidades de atendimento exclusivo a vítima de violência doméstica – como por exemplo, a Delegacia da Mulher, em Primavera do Leste e o Plantão da Mulher 24h, em Cuiabá, além de uma nova sede para a Delegacia da Mulher em Cuiabá.
“A Polícia Civil tem ampliado a prestação de serviços para acolher essa vítima que procura as delegacias e precisa ter um atendimento humanizado, com equipes capacitadas para bem atender essas mulheres que chegam em busca de socorro, de ajuda, de acolhimento. Temos ampliado também os núcleos de atendimento nas delegacias e fortalecido o trabalho da Polícia Civil”, apontou o delegado-geral.
A coordenadora do evento e diretora da Acadepol, delegada Eliane Moraes, lembrou que o desafio da academia é ampliar a qualificação do atendimento e ver a atuação em rede estendida a todo o estado.
“Esse seminário, por exemplo, é uma iniciativa da academia para gerar troca de experiências que contribuam para aprimorar a qualidade dos serviços prestados pelos servidores da Polícia Civil e os parceiros que atuam nesse enfrentamento à violência contra a mulher. A atuação policial pode contribuir para a quebra do ciclo da violência e por isso estamos empenhados em qualificar nossos servidores”, destacou a diretora.
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Participante do seminário e facilitadora de um dos painéis de debate, a delegada Judá Maali Marcondes, da Delegacia da Mulher de Cáceres, destaca a oportunidade em trazer para o debate a troca de informações para que os participantes possam se inteirar do que vem sendo realizado e também fortalecer a atuação em suas respectivas unidades, com a abordagem ainda mais acolhedora.
“O seminário é extremamente salutar, pois traz temáticas atuais e de grande reflexão sobre o papel da mulher na sociedade e a violência doméstica. Os servidores sairão do curso com olhar mais humanizado na abordagem à violência de gênero”.
Participaram também da abertura do eventos os diretores da Polícia Civil: Fernando Vasco, de Atividades Especiais; Walfrido Franklin do Nascimento, de Interior, Fausto Freitas, diretor-adjunto da Acadepol e o assessor institucional, delegado Carlos Moraes.
Botão de pânico virtual
O delegado-geral destacou a criação em 2021 do aplicativo que também permite acesso a outras funcionalidades, como os telefones de emergência, denúncias e a Delegacia Virtual.
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Para acionar o botão do pânico, que funciona como um pedido de socorro no formato virtual, a vítima já tem que ter solicitado uma medida protetiva, onde ela informa se deseja a ferramenta virtual, que será autorizada pela Justiça e pode ser acionada quando o agressor descumpre a medida.
Ao ligar o botão no aplicativo, em 30 segundos o pedido chega ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) da Sesp, que enviará a viatura mais próxima em socorro à vítima.
O botão está disponível, por enquanto, para mulheres que moram em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis, onde há unidades do Ciosp. Desde o lançamento do serviço, em junho de 2021, a Polícia Civil registrou no SOS Mulher mais de 2,8 mil pedidos do botão de pânico, sendo que o mecanismo foi acionado por 132 vítimas.
Programação
No período da tarde desta segunda-feira, será realizada a apresentação de projetos desenvolvidos pelas Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher no Estado. Em seguida, a juíza Tatiane Colombo, da 2ª Vara de Violência Doméstica da Capital, vai falar sobre a importância do formulário nacional de avaliação de risco de vítimas de violência.
A última palestra do primeiro dia do seminário será com a escrivã da Polícia Civil e mestre em sociologia, Luciene Oliveira. A palestra terá como tema “Da naturalização da violência de gênero ao feminicídio – o que os órgãos do sistema de justiça podem fazer para evitar essa realidade”.
O segundo dia de painéis será aberto, na terça-feira (15), a partir das 8h, com o professor da UFMT e doutor em psicologia social, George Moraes, que falará sobre as consequências da violência doméstica na saúde física e mental de mulheres. Às 10h30, será realizado o segundo debate sobre violência psicológica e violência política. A facilitadora do painel será a defensora pública estadual, Rosana Leite.
No período da tarde, o primeiro painel será sobre o trabalho em rede, tendo como facilitadora a mestre em política social, Terezinha Paes de Arruda. A última palestra do seminário, às 16h, será com a delegada Mariell Antonini, que vai tratar sobre investigação com perspectiva de gênero e os avanços.
MATO GROSSO
ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.
Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.
Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.
“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.
O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.
Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.
Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.
Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.
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