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Projeto que evita revitimização de crianças que passam por violência sexual é apresentado na Esmagis

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A violência sexual é uma realidade que precisa de um olhar atento para que seja identificada. Ainda tratada com um certo tabu, principalmente quando a vítima é criança ou adolescente, são necessárias ações que mudem a realidade, não só da vítima que enfrenta aquela situação, mas muitas vezes também da família. Para tanto, uma padronização no tratamento desses casos foi criada na Comarca de Nova Mutum e traz resultados positivos, inclusive ganhando prêmios no Conselho Nacional de Justiça e no Conselho Nacional do Ministério Público. Trata-se do Projeto Luz.
 
Resumidamente, o projeto é uma completa checagem de todos os casos de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes que são notificados na cidade. De acordo com um dos promotores responsáveis pela idealização do projeto, promotor Henrique de Carvalho Puguesi, o trabalho é feito por uma rede de proteção que proporciona o Depoimento Especial do menor (ouvir a criança de forma acolhedora e não violenta) o mais rápido possível.
 
“O encaminhamento é célere e eficiente fazendo com que a pessoa que recebeu a denúncia já fique liberada. O caso é investigado com maior rigor e eficiência possível. Há uma investigação pormenorizada e uma proteção pela promotoria cível das questões envolvendo a família e a criança. Ali, verificamos se há o crime ou não, mas independente disso verificamos a família como um todo, questão de miserabilidade, falta de remédio, necessidade de matrícula na escola, atividades no contra turno. Têm notificações que é sobre abuso, outros não. Ainda assim, é importante, a notificação é investigada a fim de que haja o caráter preventivo e não seja cometido o crime.”
 
O projeto foi criado em 2018, época que na comarca quase não havia notificação. No mesmo ano em que foi criado, o projeto reuniu 133 notificações, valor muito parecido à somatória casos nos anos anteriores (2011 a 2017), apenas 139 casos. Nos anos seguintes, as notificações continuaram altas sendo 123 em 2019, 105 em 2020 (ano de pandemia) e 149 em 2021. Nesse ano, até maio, já somam 50 casos.
 
“Em 2018, quando o projeto começou tivemos 133 notificações, que representavam notificações represadas dos sete anos anteriores em um município altamente desenvolvido como Nova Mutum. Eram crianças que estavam desprotegidas. Esses casos, dos anos anteriores ficavam nas mãos de profissionais da educação e saúde, que tinham boa intenção, mas não conseguiam dar prosseguimento em relação à proteção da vítima. Fizemos então capacitações.”
 
A promotora Ana Carolina Rodrigues Alves Fernandes de Oliveira, também idealizadora do projeto e responsável pela parte criminal, explicou a receita para que a ação desse certo. Segundo ela, houve uma integração muito grande das instituições as quais se uniram em prol dos cuidados com as crianças e adolescentes “despindo-se das vaidades, criando fluxos e fazendo treinamentos. Ela acrescentou ainda que nada foi imposto e nem feito a portas fechadas para que as pessoas só cumprissem, por isso a ação é efetiva.
 
“Foi algo nascido pela mão de todos. Com a implantação do projeto, gerou uma imediata informação disponível a todas as áreas. Na área criminal, depois de recebermos as notícias, fazemos o monitoramento dentro dos prazos estabelecidos no projeto e avaliamos se há possibilidade ou não para ajuizar cautelar de depoimento especial, independente do inquérito (que tramita em paralelo). Realizamos, exclusivamente, a oitiva da vítima uma única vez. Caso ocorra de o réu ser preso em flagrante ou preventiva, e tivermos elementos necessários, já propomos a ação penal.”
 
Ela abordou ainda o aplicativo também chamado Projeto Luz, que permite que as notificações de casos de abuso sexual sejam enviadas eletronicamente e conhecidas de imediato por toda a rede de proteção, que pode atender em seguida as necessidades das vítimas. Ali também são permitidas a inclusão de arquivos em imagem dos documentos que normalmente acompanham o registro, como exame de corpo de delito, formulário da notificação, boletim de ocorrência, fotografias, dentre outros.
 
Inovador, o app ganhou o Prêmio Prioridade Absoluta do Conselho Nacional de Justiça em 2021, na categoria Sistema de Justiça, designada para entidades como Ministério Público, Defensoria Pública e Ordem dos Advogados do Brasil, das esferas federal, estadual ou distrital. No mesmo ano também ganhou o Prêmio do Conselho Nacional do Ministério Público.
 
A palestra foi realizada pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso e coordenada pela juíza Cristiane Padim. Para assistir à íntegra da apresentação, clique neste link. 
 
 
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição das imagens: Foto1 – Cópia de tela retangular colorida. Dois promotores sentados e, ao fundo, banner preto escrito Projeto Luz e o nome dos promotores.
 
 
Keila Maressa
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
 
 

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ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.

Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.

Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.

“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.

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O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.

Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.

Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.

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Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.



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