MATO GROSSO
Prêmio Jejé de Oyá homenageia protagonistas negros neste sábado (29)
MATO GROSSO
“É com muita honra que patrocinamos o evento em homenagem a uma das figuras mais conhecidas e irreverentes da cultura cuiabana, o Jejé de Oyá. E além disso, é um projeto que celebra o protagonismo do povo negro na história de nossa capital e região”, destaca o secretário da Secel, Jefferson Carvalho Neves.
O evento foi viabilizado por meio de emenda parlamentar atendida pela Secel. Durante a cerimônia, os escolhidos pelo júri composto por especialistas em questões étnicos-raciais receberão uma estatueta produzida pela artista mato-grossense Rosylene Pinto. Além dos dez premiados, também serão homenageadas com menção de aplausos outras quatro personalidades reconhecidas pela curadoria do Prêmio.
“Mais um ano em que honraremos mais pessoas negras que são destaques nas suas áreas de atuação, que são protagonistas, que contribuem com o desenvolvimento da capital mato-grossense em diversos setores e que tem escrito seus nomes na história de Cuiabá e da Baixada Cuiabana, tal qual Jejé de Oyá fez”, afirma Jeferson Bertoloti, idealizador e coordenador do prêmio.
Todo o evento será embalado com muita música, dança e performances artísticas, que incluem o coral da UFMT, o grupo folclórico Flor de Atalaia, a cantora Pacha Ana e artistas da Cena Urbana e DJ Spinha. Também serão expostas informações sobre os feitos de Jejé de Oyá, bem como de todas as personalidades negras que serão homenageadas.
Após a cerimônia haverá a Festa Black Podre de Chique no Bar da Lagoa, localizado no Parque das Águas, em Cuiabá. Agitarão essa festa os seguintes artistas: Banda Mandala Soul, MC Dinero, Xinn Beats, Luisa Lamar, Foguinho, Buriti Nago, Pacha Ana e Banda.
A cerimônia e a festa têm entrada gratuita. Para garantir a entrada nos dois eventos é necessário retirar a pulseira entre às 19h e 19h45, no teatro Zulmira Canavarros.
“A expectativa para o grande dia da entrega da premiação é altíssima. Vamos lotar o teatro! Vamos honrar todo o povo negro que fez muito e continua fazendo”, convida Bertoloti.
Jejé de Oyá e o protagonismo negro
Conforme a historiadora e pesquisadora Elaine Barros, o prêmio também é uma forma de reparação histórica sobre os feitos de Jejé de Oyá e dos muitos trabalhadores negros que sempre contribuíram com o crescimento e desenvolvimento nos quatros cantos do Brasil.
“No trabalho que venho desenvolvendo já encontrei vários relatos sobre a luta de Jejé para ser respeitado, acessar diferentes espaços sociais, desenvolver trabalhos nas áreas da alfaiataria, do carnaval, das ações beneficentes, do colunismo social, da política, da cultura e da religião. De um jeito irreverente e ao mesmo tempo com seriedade, Jejé nos ensinou sobre ser quem se quer ser e sobre a importância da arte, do sorriso e do auto-empoderamento”, explica a historiadora.
Toda essa trajetória de José Jacinto Siqueira, nome de batismo de Jejé de Oyá, está registrada em materiais de jornais e também em documentos públicos guardados nos arquivos históricos da capital. Elaine está há anos se debruçando nesse acervo.
“A vida de Jejé foi muito cheia de acontecimentos, dos que ele viveu e dos que ele escreveu. O Prêmio vem para ressaltar o legado de Jejé, mas também para mostrar toda a contribuição do povo negro na nossa sociedade. Esse povo que por vezes não deixaram sua voz ecoar por causa do racismo”, ressalta.
Ainda segundo a historiadora, quando Jejé de Oyá gostava da produção de uma pessoa ele a elogia dizendo: “Que podre de chique”. Então o nome da festa é mais uma homenagem ao ícone da cultura cuiabana.
*Com informações da Assessoria do evento
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Assembleia Legislativa instala Câmara Setorial para ampliar atendimento às pessoas com obesidade
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) instalou, nesta quinta-feira (22), a Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção à Obesidade no Estado de Mato Grosso. A iniciativa, proposta pelo deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil), atende a uma solicitação da Associação Mato-grossense de Obesidade (AMO) e tem como objetivo discutir e propor políticas públicas para melhorar a prevenção, o tratamento e o acompanhamento das pessoas com obesidade. A instalação ocorreu na Sala de Reuniões das Comissões “Deputado Oscar Soares”.
Criada por meio do Requerimento nº 532/2026 e constituída pelo Ato nº 0752/2026, a CST terá prazo de funcionamento de 180 dias, prorrogável por igual período. Nesse período, os membros deverão estudar os principais problemas enfrentados pelos pacientes, avaliar os serviços disponíveis na rede pública de saúde e apresentar propostas que possam ampliar o acesso ao tratamento e garantir melhor qualidade de vida à população.
Uma das principais preocupações apresentadas durante a instalação foi a dificuldade de acesso às cirurgias reparadoras, procedimentos realizados para retirar o excesso de pele após uma perda significativa de peso, especialmente entre pacientes que passaram pela cirurgia bariátrica.
A presidente da CST e da Associação Mato-grossense de Obesidade (AMO), Juvelina de Campos Nunes, destacou que, embora Mato Grosso tenha avançado na oferta de cirurgias bariátricas, muitos pacientes continuam enfrentando dificuldades para concluir o tratamento.
Segundo ela, somente nos últimos dois anos, o Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, realizou cerca de cinco mil cirurgias bariátricas. O número, apresentado pela representante da associação, reforça a preocupação com a demanda por procedimentos reparadores nos próximos anos.
“Hoje temos vários hospitais que realizam a cirurgia bariátrica, mas existe uma lacuna muito grande no tratamento. A pessoa emagrece, passa por todo o processo de recuperação, mas o que ela vai fazer com o excesso de pele? Essa é uma parte muito dolorosa, que afeta a autoestima, os relacionamentos e a vida social. Precisamos que o poder público compreenda que a cirurgia reparadora também faz parte desse tratamento”, afirmou Juvelina.
A presidente relatou ainda que, conforme levantamento realizado por ela em 2023, havia mais de cinco mil pacientes na fila por cirurgias reparadoras no Hospital Municipal de Cuiabá. Para Juvelina, a dificuldade de acesso aos procedimentos pode provocar sofrimento emocional e isolamento social, principalmente entre mulheres.
A luta também faz parte da história pessoal da presidente da AMO. Após chegar aos 165 quilos, Juvelina passou por uma cirurgia bariátrica em 2004 e conseguiu reduzir significativamente o peso. Entretanto, precisou recorrer à rede privada e a ações judiciais para realizar parte das cirurgias reparadoras.
“Eu tive a oportunidade de fazer as minhas cirurgias, mas não desisto dos meus associados que não têm essa condição. Precisamos trazer para o legislador a nossa dor, as nossas necessidades e dificuldades. Se não mostrarmos essa realidade, como vão saber que estamos sofrendo e que precisamos de políticas públicas? ”, questionou.
Prevenção e tratamento –Além das cirurgias reparadoras, a CST pretende discutir ações de prevenção à obesidade desde a infância, incentivo à alimentação saudável e ampliação das alternativas de tratamento, incluindo o acompanhamento médico e o uso de medicamentos quando indicados.
Durante a reunião, o médico Hélio Marcelo Pesenti Sandrin, especialista em Cardiologia e Clínica Médica, destacou que a obesidade é uma doença crônica que exige atenção contínua e pode contribuir para o desenvolvimento de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Ele também defendeu que o enfrentamento da obesidade não fique restrito aos procedimentos cirúrgicos ou ao uso de medicamentos emagrecedores, mas inclua diagnóstico precoce, acompanhamento profissional e ações educativas.
“As canetinhas vieram para ajudar, mas não vão fazer milagres. Precisamos compreender que a obesidade é uma doença séria, que deve ser controlada. É fundamental trabalhar a prevenção e garantir que essas pessoas tenham acompanhamento adequado”, ressaltou Sandrin.
A procuradora aposentada do município de Cuiabá, Sônia Cristina Mangoni de Oliveira Lelis, integrante da CST, chamou a atenção para o preconceito enfrentado pelas pessoas com obesidade e para os impactos emocionais provocados pela cobrança de padrões estéticos.
“Infelizmente, nossa sociedade ainda é muito gordofóbica. Muitas pessoas deixam de participar de atividades e de conviver socialmente porque não se sentem bem com a própria aparência. Precisamos lutar pelos direitos dessas pessoas e garantir que tenham acesso ao atendimento de que necessitam”, afirmou.
O médico Gunther Peres Pimenta, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, e o delegado Bruno Lima Barcellos, relator da CST, participaram de forma virtual e colocaram suas experiências profissionais à disposição dos trabalhos da Câmara Setorial.
Composição da CST:
Presidente:Juvelina de Campos Nunes – Presidente da Associação Mato-grossense de Obesidade – AMO.
Relator:Delegado Bruno Lima Barcellos.
Secretária:Silvana Aparecida Gadani de Arruda – Vice-Presidente da AMO.
Membros:
1. Dr. Gunther Peres Pimenta – CRM 3196, RQE 380 e 8327 – Titular do Colégio de Cirurgiões e Titular da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica;
2. Dr. Regis Vilela Leal – CRM-MT 6233, RQE 2966/5171/5520/6254 – Titular do Colégio Brasileiro de
Cirurgiões e Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica;
3. Dr. Tarsis Miyabara – CRM 7860, RQE 4555 – Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, com atuação em
cirurgia videolaparoscópica, cirurgia bariátrica e metabólica e cirurgia robótica;
4. Dr. Ismael Carvalho – CRM/MT 3985, RQE 2481 – especialista em Cirurgia Plástica;
5. Dr. Hélio Marcelo Pesenti Sandrin – CRM-MT 1047, RQE 6867/6866/2510/6823 – especialista em
Cardiologia e Clínica Médica, com atuação também em Medicina Intensiva e Pneumologia;
6. Dr. Marcus Antônio Godoy – Cardiologia – CRM-MT 3499 / RQE 1562;
7. Dra. Sônia Cristina Mangoni de Oliveira Lelis – Procuradora Municipal – OAB/MT 3942;
8. Antero Paes de Barros Neto – radialista e jornalista.
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