MATO GROSSO
MPMT inicia projeto-piloto de Gestão de Pessoas por Competências
MATO GROSSO
Está em execução no âmbito do Ministério Público do Estado de Mato Grosso projeto-piloto de Gestão de Pessoas por Competências. A experiência está sendo desenvolvida junto ao Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT. Planejamento, apresentação de solução tecnológica, mapeamento das competências organizacionais, dos cargos e perfis, dos produtos e dos processos de trabalho são algumas das fases do projeto. Haverá ainda o mapeamento das competências comportamentais de cada um dos 10 servidores lotados no Ceaf.
A subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão e coordenadora do Programa de Gestão por Competências, promotora de Justiça Hellen Ulliam Kuriki, explica que antes de iniciar a execução do projeto-piloto, 32 servidores participaram de capacitação com a empresa contratada para execução da iniciativa. O desenvolvimento das pessoas por meio da gestão por competência integra o rol de projetos prioritários do Planejamento Estratégico institucional.
“Este projeto propõe o fortalecimento do modelo de gestão de pessoas, por meio de capacitação e implantação de projeto-piloto em gestão por competências, por atender ao critério de excelência, proporcionando condições que auxiliam os gestores públicos a exercer, de maneira padronizada e sistematizada, sua governança com foco na busca da excelência de sua gestão. Portanto, mais preparados para enfrentar os desafios e mudanças necessários”, ressaltou.
O consultor de gestão de pessoas da Leme Consultoria em Gestão de RH, Victor Barbalho, destaca que a gestão por competências alinha a atuação das pessoas aos objetivos das organizações, por meio de suas competências, ou seja, conhecimentos, habilidades e atitudes. A proposta é ensinar os gestores e liderados a falar sobre as competências uns dos outros de forma objetiva, respeitosa e voltada ao desenvolvimento humano. “Com isso acredita-se dar mais potência para os investimentos e ações de desenvolvimento, mais justiça para as ações de reconhecimento e mais saúde para as relações de trabalho”, enfatizou.
Segundo ele, no MPMT a técnica está pautada em duas grandes mudanças: implantação do Feedback como técnica oficial de desenvolvimento humano; e implantação da Avaliação de Desempenho com foco em Competências como processo organizacional periódico, ou seja, os servidores e gestores serão avaliados periodicamente por seus gestores e se autoavaliarão.
“Tudo isso está sendo construído com muito cuidado por um grupo de servidoras e servidores que estão imergindo na Gestão por Competências e realizando esse projeto- piloto para estudarem a melhor maneira para aplicar a Gestão por Competências nesta organização”, acrescentou.
Histórico – O desenvolvimento da gestão por competências no MPE/MT teve início em 2017 com a implementação da Política Nacional de Gestão de Pessoas. Dentre os trabalhos realizados, destacam-se a elaboração do projeto de gestão por competências; a realização de visitas institucionais a outros Ministérios Públicos; o mapeamento das competências comuns e a realização de evento institucional temático.
Em 2019, foi inserido no Plano Anual de Capacitação (PAC) do MPE/MT desenvolvido pelo Ceaf, as diretrizes da gestão por competências, sendo desenvolvidas no decorrer do ano as capacitações voltadas à promoção e aperfeiçoamento funcional dos integrantes nas competências comuns mapeadas. Foram realizados 21 cursos, estendidos e ampliados nos anos posteriores. Por essa razão, o Ceaf foi considerado unidade estratégica no que concerne à gestão por competências, sendo então escolhido como unidade piloto.
Fonte: Ministério Público MT – MT
MATO GROSSO
Entre ensino e recomeços, EJA da ALMT ganha significado especial no Dia dos Professores
Quando o expediente termina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), enquanto muitos servidores e parlamentares encerram mais um dia de trabalho, alunos e professores iniciam uma nova jornada nas salas de aula da Secretaria de Escola e Memória do Legislativo. Entre cadernos, livros e novas descobertas, jovens e adultos retomam uma etapa da vida que, por diferentes motivos, precisou ser interrompida.
É nesse ambiente que funciona a Educação de Jovens e Adultos (EJA), parceria entre a Assembleia Legislativa e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, a iniciativa evidencia histórias de educadores e estudantes marcadas por persistência, aprendizado e recomeços.
O projeto começou em 2023 e já chegou à quarta turma. Nesse período, 161 alunos foram matriculados. Nas três primeiras turmas, 103 concluíram os estudos: 50 em 2023, 32 em 2024 e 21 em 2025. A turma atual reúne 37 estudantes e tem formatura prevista para dezembro. Segundo dados da Escola do Legislativo, aproximadamente 90% dos alunos concluem o curso.
A ideia surgiu quando a psicopedagoga Telma Campos começou a trabalhar na Secretaria de Escola e Memória do Legislativo e percebeu que havia servidores que não tinham concluído o ensino médio. A partir dessa necessidade, a Assembleia passou a criar condições para que essas pessoas retornassem à escola.
Com o tempo, o projeto ultrapassou os corredores da Casa de Leis e chegou à comunidade. Em 2023, dos 58 matriculados, 15 eram servidores da ALMT e 43 integrantes da comunidade. Em 2024, foram dez servidores e 28 pessoas da comunidade; em 2025, cinco servidores e 23 alunos externos. Neste ano, dos 37 matriculados, apenas um é servidor da Assembleia e 36 são da comunidade.
Entre os estudantes, está a babá Larissa Nascimento Sampaio, de 22 anos. Incentivada pela mãe, que também não concluiu os estudos, ela decidiu retornar à escola para realizar um sonho: ingressar em uma faculdade e conquistar uma profissão.
“Minha mãe sempre me incentivou e hoje é minha principal motivação. Quero trazer esse orgulho para ela. Meu maior sonho, depois de concluir o ensino médio, é entrar para uma faculdade. Sei que terminar os estudos é o primeiro passo”, afirma.
Larissa conta que se sentia insegura ao ver antigas colegas seguindo para a faculdade enquanto ela permanecia com o ensino médio incompleto. Dentro da sala, porém, encontrou nos professores um incentivo para recuperar a confiança. “Muitas vezes eu pensava que não era capaz. Um dia, uma professora elogiou minhas atividades e aquelas palavras me fizeram perceber que realmente consigo. Os professores incentivam a gente de verdade e fazem cada um enxergar que é capaz”, diz.
A aluna Abadia Gonçalves Medeiros Silva, de 52 anos, conta que voltou a estudar depois de muitos anos sem acreditar que ainda seria capaz. “O EJA não é só uma escola, é acolhimento. Os professores fazem a gente acreditar que consegue, mesmo diante das dificuldades. Voltar a estudar trouxe de volta para mim a vontade de seguir em frente e sonhar novamente”, ressalta.
Desde o início do projeto, 17 professores já atuaram no EJA da Assembleia. Atualmente, quatro docentes trabalham nas áreas de Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens, todos da rede estadual de ensino.
Para a professora Soely Maria de Meira, ensinar quem retorna à escola depois de anos é uma experiência de troca. Segundo ela, os estudantes chegam trazendo conhecimentos construídos na família, no trabalho e na comunidade.
“Eles trazem vivências e experiências adquiridas ao longo dos anos. Poder contribuir nessa nova fase, ajudar na realização de sonhos e na recuperação da confiança é uma vivência muito rica”, relata.
A professora Antônia Lúcia de Queiroz Tenório considera que o trabalho desenvolvido no EJA vai além do conteúdo escolar. Para ela, ensinar esses estudantes significa participar de um processo de resgate da dignidade e da cidadania.
“Ensinar na EJA não é apenas ensinar os conteúdos que ficaram para trás, mas acolher pessoas que, por caminhos difíceis, acabaram saindo da escola. Ver uma pessoa de 60, 70 ou até 80 anos sentada em uma carteira mostra que o desejo de aprender e de transformar nunca morre. Cada dia ali é uma vitória contra o tempo e contra a exclusão”, destaca.
Entre as histórias que marcaram sua trajetória está a de seu Sebastião, trabalhador da construção civil com mais de 60 anos que chegou à EJA sem saber ler. O sonho dele era simples e carregado de significado: conseguir ler a Bíblia na igreja e identificar sozinho o letreiro do ônibus, sem precisar pedir ajuda.
Com acompanhamento durante o ano, atividades extras e apoio pedagógico, Sebastião começou a ler. Antônia lembra do dia em que ele conseguiu ler sozinho um pequeno parágrafo diante da turma. “Ele chorou, a turma inteira aplaudiu. Depois disso, mudou a postura, a forma de andar e de falar. Ele se empoderou”, recorda.
Segundo Antônia, histórias como essa também modificam quem está do outro lado da sala. “Eles me ensinam todas as noites o verdadeiro significado da palavra resiliência. Ensinam que o conhecimento é um direito básico e que nunca é tarde para recomeçar”, afirma.
Para as professoras Soely e Antônia, o que faz valer a pena seguir em sala de aula é acompanhar a autonomia conquistada pelos estudantes a cada novo aprendizado. “É ver os olhos deles brilharem quando conseguem compreender alguma coisa nova, saber que aquela aula melhora a autoestima, dá autonomia para ler um letreiro, a Bíblia, um contrato de trabalho ou ajudar os netos no dever de casa. O papel mais puro da educação é transformar vidas”, destaca Antônia.
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