MATO GROSSO
MPMT apresenta ao governador medidas para efetivação de política
MATO GROSSO
Como parte das ações previstas pelo “Projeto Cibus – Você tem fome de quê?”, representantes do Ministério Público do Estado de Mato Grosso apresentaram nesta quarta-feira (6) ao governador do Estado, Mauro Mendes, sugestões para efetivação da Política Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (PESAN). O documento, entregue ao chefe do Poder Executivo estadual, é assinado pelo procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, pelo promotor de Justiça Henrique Schneider Neto, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Direitos Humanos, Diversidade e Segurança Alimentar, e pela promotora de Justiça Maria Coeli Pessoa de Lima.
Além da retomada imediata do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), os membros do MPMT sugerem a criação do Banco de Alimentos do Estado de Mato Grosso, a ampliação de restaurantes populares em municípios com maior percentual da população em vulnerabilidade nutricional e alimentar e a consolidação do Programa de Transferência de Renda como Programa Permanente. Foi defendida ainda a destinação da produção da Colônia Penal Palmeiras, localizada no município de Santo Antônio de Leverger, para o enfrentamento da insegurança alimentar da população hipervulnerável (quem se encontra em situação de pobreza extrema).
De acordo com levantamentos feitos pelo Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos Humanos, Diversidade e Segurança Alimentar do Ministério Público, em 2014 o Governo do Estado de Mato Grosso assinou o termo de adesão ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), época em que já havia constituído em sua estrutura de controle e participação social o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado de Mato Grosso, criado pela Lei nº 7.902/2003.
O MPMT ressalta que em 2010 foi criada a Câmara Intersecretarias de Segurança Alimentar e Nutricional, instância do Poder Executivo responsável pela promoção, articulação e integração dos órgãos e entidades da administração dedicados à área de segurança alimentar. O Ministério Público cita ainda que no estado já foram realizadas quatro conferências estaduais a respeito do assunto, sendo que a última aconteceu em agosto de 2015.
“O Ministério Público Estadual, respeitosamente, recomenda a convocação das conferências estaduais e municipais, uma vez que a realização destas possui grande importância para o acompanhamento, monitoramento e avaliação da segurança alimentar e nutricional no Estado de Mato Grosso e, por conseguinte, do País”, diz um trecho do documento.
Cenário – Segundo dados coletados no Mapeamento da Insegurança Alimentar e Nutricional, desenvolvido pela Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional no Estado de Mato Grosso, 88 municípios encontram-se em situação de vulnerabilidade alimentar.
Informações do Cadastro Único do Governo Federal revelam que em 2020 Mato Grosso possuía 515.862 mil famílias cadastradas, sendo 200.660 mil famílias em situação de pobreza e extrema pobreza. Outras 161.843 mil famílias são beneficiárias do Programa Bolsa Família, com uma demanda reprimida de 38.817mil famílias sem acesso ao Bolsa Família.
“O distanciamento entre a capacidade produtiva daquele que é considerado o celeiro do País, campeão na produção de soja, milho, algodão e de rebanho bovinos, e a intensificação de fenômenos socioeconômicos que refletem a realidade dura da fome para os mato-grossenses”, ressaltam os membros do MPMT.
MATO GROSSO
ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.
Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.
Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.
“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.
O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.
Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.
Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.
Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.
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