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Judiciário lança ‘Cartilha Inventário Lilás’ com cartas de reeducandas sobre violência de gênero

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Um dia para ressignificar violências. O Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF/MT) realizou na tarde dessa quarta-feira (31 de agosto) o evento híbrido de lançamento e entrega simbólica da Cartilha Inventário Lilás, na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, localizada em Cuiabá.
 
A Cartilha Inventário Lilás é uma compilação de trechos de cartas escritas por mulheres vítimas de violência de gênero e privadas de liberdade em Mato Grosso, produzidas durante o projeto homônimo realizado pelo Judiciário em 2021, com oficinas de escrita criativa para as reeducandas da unidade prisional.
 
Nos trechos presentes na publicação, as mulheres privadas de liberdade narram algumas de suas experiências pessoais sobre violências sofridas em razão do gênero. Além das cartas, a Cartilha também traz informações de como identificar e se proteger desse tipo de violência.
 
A cerimônia de lançamento da Cartilha foi transmitida virtualmente para as demais unidades prisionais do Estado e contou com a apresentação de coral do Projeto Canto que Liberta, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A Cartilha física será distribuída entre todas as unidades penais femininas de Mato Grosso a partir do dia 03 de setembro.
 
O evento realizado pelo Judiciário contou com a presença do coordenador do GMF, juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto. O juiz da 2ª Vara de Execuções Penais de Cuiabá ressaltou que a Cartilha é uma grande oportunidade de conhecer as histórias de mulheres que foram vítimas de violência de gênero e que, mesmo reclusas, no momento de maior fragilidade da vida, decidiram ressignificar as violências que sofreram.
 
“Cada uma dessas recuperandas trouxeram suas vivências e colocaram no papel suas histórias de vida. E algumas delas, inclusive, irão virar livros e peças de teatro. Muitas das mulheres que estão aqui são frutos de violências sofridas. E esse é o nosso objetivo aqui: tirar desse ambiente, de muita tristeza, coisas positivas e auxiliar nesse processo de ressocialização, com novas perspectivas de vida”, explica o coordenador do GMF.
 
O texto de apresentação da Cartilha indica que a escolha pelo formato de cartas vai além da necessidade de documentar as memórias, mas também de dar visibilidade ao tema ou conscientizar a sociedade sobre a importância de denunciar a violência de gênero. O ato da escrita se assemelha a um processo terapêutico, que possibilita externar emoções e conflitos, sem pressão ou medo de julgamentos.
 
A opção pelo nome ‘Inventário Lilás’ faz referência ao Agosto Lilás, que por sua vez remete ao mês de sanção da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que visa justamente proteger a mulher da violência doméstica e familiar.
 
A superintendente de políticas penitenciárias da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (SAAP), Fabiana Thiel, destacou em sua fala às recuperandas que é preciso dar continuidade ao projeto de escrita criativa e terapêutica, pois ainda há muitas histórias para serem contadas. “Com essa Cartilha, vocês deixaram de ser um número processual para se tornarem histórias de vidas que irão inspirar outras mulheres a não se calarem. A nossa missão sempre foi devolver vocês ao convívio social de forma diferente e tenho certeza que com o projeto isso está acontecendo.”
 
A iniciativa foi realizada pelo GMF em parceira com a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher/MT) e Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (SAAP). Ao final do evento, as reeducandas receberam os certificados de participação do Projeto Inventário Lilás e a equipe do GMF foi presenteada com artesanatos produzidos dentro da unidade pelas recuperandas.
 
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 01: Foto colorida dos integrantes da equipe do GMF segurando a Cartilha Inventário Lilás sorrindo para a câmera. Imagem 02: Foto colorida do coordenador do GMF, juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, durante sua fala às reeducandas. Ele veste um terno preto, com gravata vinho. Imagem 03: Foto colorida das reeducandas durante apresentação da Cartilha, na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May. Imagem 04: Equipe do GMF segurando os artesanatos presenteados pelas reeducandas: telhas com bonecas com roupas de crochê bem coloridas.
 
Marco Cappelletti/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Travessia da BR-163 em Nobres mobiliza moradores e autoridades por mais segurança

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A rotina de quem precisa cruzar a BR-163 em Nobres revelou a dimensão do problema discutido durante audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), nesta quarta-feira (21), na Câmara Municipal. Moradores relataram dificuldades enfrentadas diariamente diante do intenso fluxo de caminhões, ônibus, ciclistas e pedestres, enquanto representantes do município defenderam a implantação de uma estrutura capaz de garantir deslocamentos mais seguros e integrar diferentes áreas da cidade.

Autor da iniciativa, o deputado Gilberto Cattani (PL) destacou que a duplicação da rodovia trouxe maior fluidez ao tráfego, mas também tornou necessária a criação de dispositivos que permitam a passagem dos moradores de um lado para o outro. Segundo ele, a população precisa ter acesso seguro para trabalhar, estudar, fazer compras e utilizar serviços oferecidos em diferentes pontos do município.

“Quando você duplica a rodovia, além de você poder aumentar a trafegabilidade e até um pouco a velocidade dos veículos, você impossibilita que essas pessoas possam atravessar a pé as rodovias”, afirmou o parlamentar.

Cattani defendeu que a solução não se limite a uma passarela, já que também existe a necessidade de circulação de veículos. Ele citou experiências de outros municípios cortados pela BR-163 e afirmou que buscaria, junto à Prefeitura e à concessionária, uma alternativa para atender à demanda de Nobres.

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A realidade enfrentada diariamente por quem utiliza a rodovia foi relatada pelo servidor público Sebastião de Oliveira, morador do Bairro Jardim Petrópolis, que precisa fazer o percurso cerca de quatro vezes por dia. Segundo ele, dependendo do movimento, a travessia pode levar entre cinco e dez minutos e se torna ainda mais complicada nos horários de entrada e saída das escolas.

Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Sebastião relatou que, nesses períodos, estudantes, ônibus, caminhões, ciclistas e pedestres compartilham o mesmo espaço, aumentando os riscos de acidentes. Ele também mencionou um atropelamento ocorrido recentemente na região e defendeu a implantação da estrutura prevista para o local.

A vereadora Eva Valdinéia Pereira ressaltou que a movimentação intensa de caminhões, impulsionada também pela atividade mineral da região, amplia os riscos para quem precisa atravessar a rodovia. De acordo com ela, já houve alguns registros de atropelamentos com vítimas no trecho.

Para o prefeito José Domingos Fraga (União), a intervenção é aguardada há anos pela população, principalmente pelos moradores do Jardim Petrópolis, bairro localizado às margens da rodovia. Ele avaliou que a obra poderá melhorar não apenas a circulação, mas também as condições urbanas e comerciais da região.

O prefeito também defendeu que Nobres receba investimentos semelhantes aos realizados em outros municípios cortados pela BR-163, onde foram implantadas estruturas como passarelas, trincheiras e viadutos. Segundo Fraga, a Nova Rota do Oeste, concessionária responsável pela rodovia, custeou intervenções em outras cidades, enquanto o projeto apresentado para Nobres está sendo elaborado pela Prefeitura.

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Projeto –A engenheira civil Silveth Xavier, responsável pela elaboração da proposta, explicou que o projeto busca integrar as duas partes do município e criar alternativas para o deslocamento de pedestres e veículos no entorno da rodovia.

Segundo a engenheira, a concepção apresentada ainda está em fase de desenvolvimento e poderá receber alterações a partir das contribuições feitas durante debates como o promovido pela Assembleia Legislativa. O projeto prevê a implantação de um viaduto nas proximidades do posto Xaxim, na BR-163/364, no bairro Jardim Petrópolis, integrado às vias locais para facilitar a ligação entre diferentes áreas da cidade e oferecer uma alternativa mais segura para a circulação de moradores.

Encaminhamentos –Como encaminhamento, o deputado Cattani anunciou que a Assembleia Legislativa apresentará requerimentos e indicações relacionados à travessia urbana, além de articular uma comissão com a prefeitura de Nobres para buscar a viabilização da obra junto à concessionária responsável pela rodovia. O parlamentar também mencionou o apoio do senador Cidinho Santos à reivindicação e afirmou que o próximo passo será dialogar com a concessionária para avançar na concretização do projeto.



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