MATO GROSSO
Instituições assumem compromisso de aumentar cobertura vacinal em MT
MATO GROSSO
O Ministério Público Estadual, o Governo do Estado e outras oito instituições assumiram o compromisso de estimular a vacinação em Mato Grosso ao assinarem termo de adesão ao Pacto Nacional pela Consciência Vacinal, coordenado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), na última sexta-feira (30).
“Estamos vivenciando um declínio acentuado dos nossos índices de cobertura vacinal. E para reverter esse cenário, todos nós, enquanto representantes de instituições, Poderes de Estado, e acima de tudo mato-grossenses e brasileiros, devemos trabalhar e conjugar esforços para reduzir o risco de ressurgimento de moléstias que já tínhamos como extirpadas”, afirmou o procurador-geral de Justiça, Deosdete Cruz Junior.
O chefe do MPMT demonstrou grande preocupação com a baixa procura por vacinas no estado. Conforme o procurador-geral, em 2022 a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial de Saúde (OMS), incluiu o Brasil na lista dos oito países da América Latina com alto risco de volta da poliomelite, infecção erradicada no país, cujo último caso foi registrado em 1989.
“Mato Grosso chegou a ter uma cobertura vacinal de 98% em relação à poliomielite em 2013, superior inclusive à meta da Opas que é de 95%. Depois, chegou a baixar para a casa dos 60% e agora está em 80%, mas ainda estamos longe do ideal”, assinalou, reforçando o risco de consequências devastadoras com o possível retorno de doenças já erradicadas.
“É urgente enfrentarmos essa realidade com medidas efetivas como o fortalecimento do programa de vacinação, com a promoção da educação em saúde, capacitação dos profissionais para disseminar informações precisas e confiáveis, assim como desenvolvimento de planos de ações integrados, nas diversas esferas de governo, para fomentar a adesão a campanhas vacinais pela população. Precisamos unir esforços para garantir a ampla cobertura vacinal e avançar rumo à erradicação permanente de doenças”, defendeu.
À frente da iniciativa, o presidente da Comissão de Saúde (CES) do CNMP, conselheiro Jayme Martins de Oliveira Neto, explicou que o Pacto Nacional pela Consciência Vacinal foi lançado em novembro de 2022, com objetivo de incentivar uma atuação coordenada e nacional entre o Ministério Público brasileiro e órgãos e entidades envolvidos com a saúde pública, em busca da consciência vacinal e da retomada de índices seguros e homogêneos de cobertura de vacinas em todo o Brasil. Disse que a iniciativa da CES partiu da preocupação com os baixos índices da cobertura vacinal nos últimos anos. Inicialmente, o foco da atuação será a vacinação contra a poliomielite, cujos números estão em queda expressiva.
Conforme o conselheiro, o pacto vem para fortalecer as campanhas de vacinação dos municípios, dos estados e do Governo Federal. “Não estamos cuidando bem das gerações futuras ao permitir e até abrir caminhos para que doenças já erradicadas voltem. E já temos ciência, estrutura e competência para superar isso. Não podemos sofrer esse retrocesso e por isso pedimos a cada um, para que cuide da sua carteirinha de vacinação e da carteirinha dos seus filhos. Porque basta uma pessoa não se cuidar para que o vírus volte e se espalhe”, consignou, reforçando a importância da consciência fraterna e coletiva.
Jayme Martins de Oliveira Neto contou que Mato Grosso é o quinto estado brasileiro visitado por ele desde o lançamento do pacto, na luta pela melhoria da cobertura vacinal, e que pretende passar por todos até junho de 2024. Falou também sobre as diversas ações em andamento para retomar índices seguros de vacinação, como parcerias com clubes de futebol, igrejas, entidades de classe e confederações, elaboração de cartilhas e revistas em quadrinhos, e distribuição de material informativo com o calendário de vacinação para crianças.
O governador Mauro Mendes também destacou a importância da vacina ao lembrar de uma das terríveis experiências vivenciadas pela humanidade no fim do século XVIII, com a pandemia da varíola, e das milhares de campanhas de vacinação realizadas de lá pra cá.
“Hoje, em Mato Grosso, temos uma dificuldade muito grande para conscientizar prefeitos, secretários de Saúde, pessoas, mães, pais, cidadãos. Temos muitas vacinas disponíveis, não só para as crianças, e se olharmos a série histórica percebemos que estamos com percentual de vacinação muito abaixo”, considerou. E falou sobre o paradoxo da pandemia de Covid-19, período em que as pessoas sonharam e desejaram a vacina, tentavam burlar a fila e hoje se comportam contra a imunização. “Parece-me que todos nós superamos e esquecemos que superamos muito mais rapidamente por causa da vacina”, afirmou.
Mauro Mendes ainda defendeu que a missão de reacender a percepção social a respeito da importância da imunização e do estímulo à vacinação é um trabalho que deve ser desenvolvido a muitas mãos. “Temos que buscar sermos mais eficientes na implementação de políticas públicas e essa da vacina ela é fundamental porque salvou, salva e salvará muitas e muitas vidas. Vai evitar muitos e muitos transtornos. Então, parabéns ao Ministério Público, ao CNMP por essa brilhante iniciativa e vamos somar esforços, competência e habilidades para que nós possamos mudar essa trajetória e permitir que as nossas crianças, os nossos adultos, que todos nós possamos contar com esse importante mecanismo da ciência em prol da vida”, finalizou.
Além do MPMT e do Governo, aderiram ao pacto a Assembleia Legislativa (ALMT), Tribunal de Contas (TCE-MT), Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Associação Mato-Grossense do Ministério Público (AMMP) e Associação Mato-Grossense de Magistrados (Amam).
A solenidade foi realizada na sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá, onde também esteve a carreta do programa Imuniza Mais MT, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), disponibilizando gratuitamente vacinas contra a gripe (Influenza), Covid-19 (bivalente) e meningite para servidores públicos e toda a sociedade. Ao todo, foram atendias 165 pessoas, com 348 doses administradas.
Fonte: Ministério Público MT – MT
MATO GROSSO
Assembleia Legislativa instala Câmara Setorial para ampliar atendimento às pessoas com obesidade
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) instalou, nesta quinta-feira (22), a Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção à Obesidade no Estado de Mato Grosso. A iniciativa, proposta pelo deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil), atende a uma solicitação da Associação Mato-grossense de Obesidade (AMO) e tem como objetivo discutir e propor políticas públicas para melhorar a prevenção, o tratamento e o acompanhamento das pessoas com obesidade. A instalação ocorreu na Sala de Reuniões das Comissões “Deputado Oscar Soares”.
Criada por meio do Requerimento nº 532/2026 e constituída pelo Ato nº 0752/2026, a CST terá prazo de funcionamento de 180 dias, prorrogável por igual período. Nesse período, os membros deverão estudar os principais problemas enfrentados pelos pacientes, avaliar os serviços disponíveis na rede pública de saúde e apresentar propostas que possam ampliar o acesso ao tratamento e garantir melhor qualidade de vida à população.
Uma das principais preocupações apresentadas durante a instalação foi a dificuldade de acesso às cirurgias reparadoras, procedimentos realizados para retirar o excesso de pele após uma perda significativa de peso, especialmente entre pacientes que passaram pela cirurgia bariátrica.
A presidente da CST e da Associação Mato-grossense de Obesidade (AMO), Juvelina de Campos Nunes, destacou que, embora Mato Grosso tenha avançado na oferta de cirurgias bariátricas, muitos pacientes continuam enfrentando dificuldades para concluir o tratamento.
Segundo ela, somente nos últimos dois anos, o Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, realizou cerca de cinco mil cirurgias bariátricas. O número, apresentado pela representante da associação, reforça a preocupação com a demanda por procedimentos reparadores nos próximos anos.
“Hoje temos vários hospitais que realizam a cirurgia bariátrica, mas existe uma lacuna muito grande no tratamento. A pessoa emagrece, passa por todo o processo de recuperação, mas o que ela vai fazer com o excesso de pele? Essa é uma parte muito dolorosa, que afeta a autoestima, os relacionamentos e a vida social. Precisamos que o poder público compreenda que a cirurgia reparadora também faz parte desse tratamento”, afirmou Juvelina.
A presidente relatou ainda que, conforme levantamento realizado por ela em 2023, havia mais de cinco mil pacientes na fila por cirurgias reparadoras no Hospital Municipal de Cuiabá. Para Juvelina, a dificuldade de acesso aos procedimentos pode provocar sofrimento emocional e isolamento social, principalmente entre mulheres.
A luta também faz parte da história pessoal da presidente da AMO. Após chegar aos 165 quilos, Juvelina passou por uma cirurgia bariátrica em 2004 e conseguiu reduzir significativamente o peso. Entretanto, precisou recorrer à rede privada e a ações judiciais para realizar parte das cirurgias reparadoras.
“Eu tive a oportunidade de fazer as minhas cirurgias, mas não desisto dos meus associados que não têm essa condição. Precisamos trazer para o legislador a nossa dor, as nossas necessidades e dificuldades. Se não mostrarmos essa realidade, como vão saber que estamos sofrendo e que precisamos de políticas públicas? ”, questionou.
Prevenção e tratamento –Além das cirurgias reparadoras, a CST pretende discutir ações de prevenção à obesidade desde a infância, incentivo à alimentação saudável e ampliação das alternativas de tratamento, incluindo o acompanhamento médico e o uso de medicamentos quando indicados.
Durante a reunião, o médico Hélio Marcelo Pesenti Sandrin, especialista em Cardiologia e Clínica Médica, destacou que a obesidade é uma doença crônica que exige atenção contínua e pode contribuir para o desenvolvimento de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Ele também defendeu que o enfrentamento da obesidade não fique restrito aos procedimentos cirúrgicos ou ao uso de medicamentos emagrecedores, mas inclua diagnóstico precoce, acompanhamento profissional e ações educativas.
“As canetinhas vieram para ajudar, mas não vão fazer milagres. Precisamos compreender que a obesidade é uma doença séria, que deve ser controlada. É fundamental trabalhar a prevenção e garantir que essas pessoas tenham acompanhamento adequado”, ressaltou Sandrin.
A procuradora aposentada do município de Cuiabá, Sônia Cristina Mangoni de Oliveira Lelis, integrante da CST, chamou a atenção para o preconceito enfrentado pelas pessoas com obesidade e para os impactos emocionais provocados pela cobrança de padrões estéticos.
“Infelizmente, nossa sociedade ainda é muito gordofóbica. Muitas pessoas deixam de participar de atividades e de conviver socialmente porque não se sentem bem com a própria aparência. Precisamos lutar pelos direitos dessas pessoas e garantir que tenham acesso ao atendimento de que necessitam”, afirmou.
O médico Gunther Peres Pimenta, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, e o delegado Bruno Lima Barcellos, relator da CST, participaram de forma virtual e colocaram suas experiências profissionais à disposição dos trabalhos da Câmara Setorial.
Composição da CST:
Presidente:Juvelina de Campos Nunes – Presidente da Associação Mato-grossense de Obesidade – AMO.
Relator:Delegado Bruno Lima Barcellos.
Secretária:Silvana Aparecida Gadani de Arruda – Vice-Presidente da AMO.
Membros:
1. Dr. Gunther Peres Pimenta – CRM 3196, RQE 380 e 8327 – Titular do Colégio de Cirurgiões e Titular da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica;
2. Dr. Regis Vilela Leal – CRM-MT 6233, RQE 2966/5171/5520/6254 – Titular do Colégio Brasileiro de
Cirurgiões e Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica;
3. Dr. Tarsis Miyabara – CRM 7860, RQE 4555 – Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, com atuação em
cirurgia videolaparoscópica, cirurgia bariátrica e metabólica e cirurgia robótica;
4. Dr. Ismael Carvalho – CRM/MT 3985, RQE 2481 – especialista em Cirurgia Plástica;
5. Dr. Hélio Marcelo Pesenti Sandrin – CRM-MT 1047, RQE 6867/6866/2510/6823 – especialista em
Cardiologia e Clínica Médica, com atuação também em Medicina Intensiva e Pneumologia;
6. Dr. Marcus Antônio Godoy – Cardiologia – CRM-MT 3499 / RQE 1562;
7. Dra. Sônia Cristina Mangoni de Oliveira Lelis – Procuradora Municipal – OAB/MT 3942;
8. Antero Paes de Barros Neto – radialista e jornalista.
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