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Delegacia da Mulher implementa lente racial no atendimento às vítimas

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Nesta quarta-feira (13), na segunda entrevista da campanha “Atitudes Vencem o Racismo”, concedida à Rádio CBN Cuiabá, a delegada titular da Delegacia Especializada da Mulher de Cuiabá, Judá Maali, informou que as mulheres negras são as que mais sofrem feminicídio. E que, na maioria dos casos, a violência doméstica e familiar vem acompanhada de atos racistas. Detalhe: nem sempre esses atos são identificados.

Para mudar esse cenário, consequência do racismo estrutural, a delegada afirmou que na Delegacia Especializada da Mulher de Cuiabá as equipes foram preparadas a usar a “lente racial” nos atendimentos. Xingamentos racistas efetuados pelo agressor contra as vítimas, que muitas vezes eram desconsiderados, passaram a ter uma atenção especial.

“Temos um programa dentro da delegacia e todas as sextas-feiras promovemos reflexões sobre diversos temas e o racismo é um deles. As equipes são orientadas a olhar para as pessoas, enxergar a sua cor e dar um tratamento diferenciado, considerando a sua história. Não podemos naturalizar a dor dos negros. O letramento racial é extremamente importante para que a nossa sociedade possa evoluir”, enfatizou a delegada.

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Segundo ela, as vítimas não costumam procurar as delegacias para denunciar a prática de racismo. “Há uma baixa procura, acredito que as pessoas ainda tenham vergonha de denunciar”, observou. A delegada aproveitou o espaço para reforçar a importância de se levar ao conhecimento das autoridades a ocorrência de atos desta natureza por meio do Disque 100 do Governo Federal.

Durante a entrevista, a delegada fez um resgate histórico para explicar a origem do racismo estrutural e chamou a atenção sobre atitudes que ainda estão presentes nos dias atuais. Assista aqui a íntegra da entrevista.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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95 anos da padroeira do Brasil; entenda

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Em 1717, Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso navegavam pelo Rio Paraíba do Sul, no estado de São Paulo. Após diversas tentativas frustradas de pesca, os homens encontraram uma imagem de barro que estava submersa. Ao retirá-la da água, perceberam que se tratava de uma imagem da Virgem Maria, mais precisamente, da Imaculada Conceição. Passaram a chamá-la, então, de Aparecida.

O achado foi um marco na vida dos pescadores, que começaram a relatar graças e milagres atribuídos à intercessão da Virgem. A fama da imagem se espalhou, atraindo devotos que vinham em romarias de diversas partes do Brasil. Mais de dois séculos depois, em 1930, o papa Pio XI assinou o decreto que proclamou Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil.

A cerimônia solene aconteceu apenas em 1931, no Rio de Janeiro, então capital federal, diante de cerca de 1 milhão de pessoas. À época, foi lido publicamente o decreto pontifício que declarava a Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira da nação brasileira. No mesmo dia, foram acrescentadas ao manto que veste a imagem as bandeiras do Brasil e do Vaticano.

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Décadas depois, em 1980, durante a primeira visita do então papa João Paulo II ao Brasil, o dia 12 de outubro foi oficialmente instituído como feriado nacional em honra à padroeira do país. Desde então, cerca de 10 milhões de peregrinos visitam todos os anos o Santuário Nacional de Aparecida, no estado de São Paulo, com o objetivo de renovar a fé e confiar intenções à Virgem Maria.

Para dom Vilson Dias de Oliveira, bispo emérito de Limeira (SP) e membro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida transcende as fronteiras do território brasileiro e se apresenta como “farol espiritual” no horizonte do catolicismo universal. Em carta, ele destaca a solicitude da santa pelos pequenos e pobres.

“O achado da pequena imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul não inaugurou apenas um capítulo na história da fé nacional, mas inscreveu no patrimônio da Igreja um acontecimento profundamente teológico: a manifestação da solicitude de Maria pelos pequenos, pelos descartados e pelos continentes que buscam a sua libertação e unidade no Evangelho de Cristo”, escreveu.

O religioso avalia que, para a América Latina como um todo, a devoção a Nossa Senhora Aparecida guarda “ressonância singular e profética”.

“O continente latino-americano, marcado por feridas históricas de desigualdade, mas iluminado por uma piedade popular fervorosa, encontra na Virgem de barro negro a expressão viva do rosto da própria Igreja continental.”

No documento, o bispo emérito avalia que a figura da Virgem Aparecida atesta para o mundo que Deus prefere manifestar sua grandeza por meio do que é frágil e humilde. A pequena imagem quebrada, recolhida do fundo das águas por mãos de pescadores simples, segundo ele, recorda que a verdadeira evangelização “nasce do amor encarnado na realidade concreta dos povos e das suas culturas”.

“Que as comunidades espalhadas por todo o Brasil e pelos países irmãos da América Latina não temam dar este passo audacioso. Diante dos desafios sociais, econômicos e espirituais que marcam o nosso tempo, a Virgem Aparecida nos recorda que Deus continua a realizar suas maiores maravilhas por meio dos humildes e organizados em comunidade”, concluiu dom Vilson Dias de Oliveira.



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