MATO GROSSO
Capão da Gama recebe programas SER Família Solidário e Aconchego em ação articulada pela primeira-dama de MT
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As entregas contaram com a presença da primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, que também visitou as salas de Intervenção Pedagógica de Português e Matemática, recém-inauguradas, e conheceu os projetos sociais de Karatê Do Tradicional e de Judô. As salas têm o objetivo de fortalecer a aprendizagem e contribuir para a melhoria dos indicadores educacionais, consolidando as habilidades básicas para as séries iniciais e finais do ensino fundamental da educação básica.
“A dedicação do padre Elilzo com o projeto de intervenção pedagógica é surpreendente, um exemplo para que outras paróquias tanto de Cuiabá como de outros municípios adotem a ideia. Foi gratificante conhecer todas ações desenvolvidas com o apoio de pessoas que realmente se importam com o futuro das crianças e das famílias. Quero agradecer à professora Rejane Maziero, ao secretário de Estado de Educação Alan Porto que é também um grande incentivador deste projeto, aos voluntários, enfim, a toda comunidade. Foi muito bom participar das entregas dos programas SER Família Solidário e Aconchego, só Deus sabe como eu amo estar perto das pessoas”, disse a primeira-dama de MT, Virginia Mendes.
A secretária interina da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania, Grasielle Bugalho, falou sobre a alegria de poder participar de mais uma entrega junto à primeira-dama Virginia Mendes, do secretário de estado de Educação, Alan Porto e do pároco da Paróquia São João Bosco de Cuiabá, padre Elilzo Marques de Oliveira. “São grandes parcerias, que enchem o coração de alegria toda vez que a gente participa de uma entrega, que a gente pode estar junto da população e vendo essa união. Isso é o que a primeira-dama nos pede, para que tenhamos essa missão, que é mais que uma missão de trabalho, é uma missão de vida, levar política pública de qualidade para as pessoas”, afirmou Grasielle.![]()
Durante sua fala, a secretária ressaltou a importância da assistência social para as pessoas em situação de vulnerabilidade, principalmente, não apenas na entrega das cestas, kits de limpeza e cobertores, mas na busca por uma melhoria de vida, que é a missão do Programa Ser Família. “A assistência social é muito importante para abrir as portas para outros mecanismos e outras políticas públicas para desenvolver pessoas. As pessoas precisam estar bem alimentadas até para aprender melhor. E falando em aprender, atualmente temos em Mato Grosso, com as inscrições abertas, o Programa Ser Família Capacita, com mais de 50 mil vagas de cursos gratuitos para adolescentes e adultos, em parceria com o Senai. E a igreja é muito importante para captar essas pessoas que precisam fazer esse esforço de capacitação para terem um trabalho melhor, uma qualificação melhor e ser inserida no mercado de trabalho. Essa sinergia, de todos juntos, é que faz a grande diferença”, completou.
O pároco Elilzo Marques explicou que na Paróquia, com inspiração em Dom Bosco, busca-se trabalhar a religiosidade com a educação, e pela busca de encontrar mecanismos educativos para ajudar, surgiu a parceria com o Governo do Estado, na qual a Paróquia entrou com a infraestrutura das salas e a Seduc com os professores. “Essa parceria cresceu e nasceu esse ideal de unidade para reparar as dificuldades no ensino dessas crianças e também das necessidades da nossa comunidade. E graças a Deus estamos aqui hoje, nessa parceria, entregando cestas e cobertores que irão alimentar essas famílias”, completou o padre.
Para a senhora Bernadete Virginia, de 65 anos, receber a cesta representa muito, pois veio no momento certo, na hora certa. “A gente dá muito valor porque contribui naquele momento em que a gente mais precisa. Eu perdi minha mãe recentemente e estou numa luta, mas sou mais que vencedora. E a gente fica tão maravilhada e feliz quando consegue essa conquista. É tão bem-vindo e a gente agradece demais”, finalizou.
“Isso aqui é uma benção de Deus, porque nós todos precisamos. E a gente estando nessa luta diária, e tendo uma ajuda dessa daqui, só por Deus”, ressaltou Manoel Firmino, que está desempregado no momento.
Cestas entregues
De janeiro a maio deste ano, foram entregues cerca de 83 mil cestas de produtos alimentícios e kits de higiene e limpeza por meio do Programa Ser Família Solidário, idealizado pela primeira-dama Virginia Mendes, para famílias em situação de vulnerabilidade em Mato Grosso.
Fonte: Governo MT – MT
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Entre ensino e recomeços, EJA da ALMT ganha significado especial no Dia dos Professores
Quando o expediente termina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), enquanto muitos servidores e parlamentares encerram mais um dia de trabalho, alunos e professores iniciam uma nova jornada nas salas de aula da Secretaria de Escola e Memória do Legislativo. Entre cadernos, livros e novas descobertas, jovens e adultos retomam uma etapa da vida que, por diferentes motivos, precisou ser interrompida.
É nesse ambiente que funciona a Educação de Jovens e Adultos (EJA), parceria entre a Assembleia Legislativa e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, a iniciativa evidencia histórias de educadores e estudantes marcadas por persistência, aprendizado e recomeços.
O projeto começou em 2023 e já chegou à quarta turma. Nesse período, 161 alunos foram matriculados. Nas três primeiras turmas, 103 concluíram os estudos: 50 em 2023, 32 em 2024 e 21 em 2025. A turma atual reúne 37 estudantes e tem formatura prevista para dezembro. Segundo dados da Escola do Legislativo, aproximadamente 90% dos alunos concluem o curso.
A ideia surgiu quando a psicopedagoga Telma Campos começou a trabalhar na Secretaria de Escola e Memória do Legislativo e percebeu que havia servidores que não tinham concluído o ensino médio. A partir dessa necessidade, a Assembleia passou a criar condições para que essas pessoas retornassem à escola.
Com o tempo, o projeto ultrapassou os corredores da Casa de Leis e chegou à comunidade. Em 2023, dos 58 matriculados, 15 eram servidores da ALMT e 43 integrantes da comunidade. Em 2024, foram dez servidores e 28 pessoas da comunidade; em 2025, cinco servidores e 23 alunos externos. Neste ano, dos 37 matriculados, apenas um é servidor da Assembleia e 36 são da comunidade.
Entre os estudantes, está a babá Larissa Nascimento Sampaio, de 22 anos. Incentivada pela mãe, que também não concluiu os estudos, ela decidiu retornar à escola para realizar um sonho: ingressar em uma faculdade e conquistar uma profissão.
“Minha mãe sempre me incentivou e hoje é minha principal motivação. Quero trazer esse orgulho para ela. Meu maior sonho, depois de concluir o ensino médio, é entrar para uma faculdade. Sei que terminar os estudos é o primeiro passo”, afirma.
Larissa conta que se sentia insegura ao ver antigas colegas seguindo para a faculdade enquanto ela permanecia com o ensino médio incompleto. Dentro da sala, porém, encontrou nos professores um incentivo para recuperar a confiança. “Muitas vezes eu pensava que não era capaz. Um dia, uma professora elogiou minhas atividades e aquelas palavras me fizeram perceber que realmente consigo. Os professores incentivam a gente de verdade e fazem cada um enxergar que é capaz”, diz.
A aluna Abadia Gonçalves Medeiros Silva, de 52 anos, conta que voltou a estudar depois de muitos anos sem acreditar que ainda seria capaz. “O EJA não é só uma escola, é acolhimento. Os professores fazem a gente acreditar que consegue, mesmo diante das dificuldades. Voltar a estudar trouxe de volta para mim a vontade de seguir em frente e sonhar novamente”, ressalta.
Desde o início do projeto, 17 professores já atuaram no EJA da Assembleia. Atualmente, quatro docentes trabalham nas áreas de Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens, todos da rede estadual de ensino.
Para a professora Soely Maria de Meira, ensinar quem retorna à escola depois de anos é uma experiência de troca. Segundo ela, os estudantes chegam trazendo conhecimentos construídos na família, no trabalho e na comunidade.
“Eles trazem vivências e experiências adquiridas ao longo dos anos. Poder contribuir nessa nova fase, ajudar na realização de sonhos e na recuperação da confiança é uma vivência muito rica”, relata.
A professora Antônia Lúcia de Queiroz Tenório considera que o trabalho desenvolvido no EJA vai além do conteúdo escolar. Para ela, ensinar esses estudantes significa participar de um processo de resgate da dignidade e da cidadania.
“Ensinar na EJA não é apenas ensinar os conteúdos que ficaram para trás, mas acolher pessoas que, por caminhos difíceis, acabaram saindo da escola. Ver uma pessoa de 60, 70 ou até 80 anos sentada em uma carteira mostra que o desejo de aprender e de transformar nunca morre. Cada dia ali é uma vitória contra o tempo e contra a exclusão”, destaca.
Entre as histórias que marcaram sua trajetória está a de seu Sebastião, trabalhador da construção civil com mais de 60 anos que chegou à EJA sem saber ler. O sonho dele era simples e carregado de significado: conseguir ler a Bíblia na igreja e identificar sozinho o letreiro do ônibus, sem precisar pedir ajuda.
Com acompanhamento durante o ano, atividades extras e apoio pedagógico, Sebastião começou a ler. Antônia lembra do dia em que ele conseguiu ler sozinho um pequeno parágrafo diante da turma. “Ele chorou, a turma inteira aplaudiu. Depois disso, mudou a postura, a forma de andar e de falar. Ele se empoderou”, recorda.
Segundo Antônia, histórias como essa também modificam quem está do outro lado da sala. “Eles me ensinam todas as noites o verdadeiro significado da palavra resiliência. Ensinam que o conhecimento é um direito básico e que nunca é tarde para recomeçar”, afirma.
Para as professoras Soely e Antônia, o que faz valer a pena seguir em sala de aula é acompanhar a autonomia conquistada pelos estudantes a cada novo aprendizado. “É ver os olhos deles brilharem quando conseguem compreender alguma coisa nova, saber que aquela aula melhora a autoestima, dá autonomia para ler um letreiro, a Bíblia, um contrato de trabalho ou ajudar os netos no dever de casa. O papel mais puro da educação é transformar vidas”, destaca Antônia.
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