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A Palavra Aberta

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Toda escrevedura é, lá no fundo, um oferecimento de palavras, uma proposta de conversa, uma vontade de amizade. É dizer, um momento de solidariedade e humanidade. A pessoa, o ser humano, é a terra das palavras, o húmus.

Minha composição sem mérito quer ser capaz de olhar o que não se olha, mas que vale ser olhado. Traz vontade de mirar o mundo através do buraco da fechadura (um dia, quem sabe, arrebentar a porta toda. Não… a vida é mistério!). Dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia.

Só que a “coisa linguageira” não pode ser tida e contida nos limites da oração, da frase, da sílaba e do fonema. O texto nunca quer se render. Acho que ouvi em Saussure que o texto busca devolver a linguagem às pessoas e o significado às palavras.

Tecer é vontade de fugir, fugir infinitamente da palavra dada, imposta, pronta. Compor as palavras é vontade de pular para outro lugar, um lugar sem nome, fora das classificações, das normas… dessas “coisas idênticas”, como disse Nietzsche. Sair por aí vendo joão-de-barro andando pelo chão e folhas de palmeira abanar com o vento.

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Toda escrita é uma busca de resposta. “Las palavras que podemos decir son, em el fondo, las palabras que podemos decirnos”.

As palavras vivem com a gente no dia a dia, se fundem com os nossos gestos e ações, se entranham nos nossos sentidos. Atravessam o coração da pessoa, com todas as suas imprecisões e contradições, levantam pouco a pouco o imenso cenário que define, limita e desenha a nossa vida.

Já houve um tempo, não muito apartado, que a palavra (o texto e a linguagem) era o nosso único meio de comunicação. Nesse tempo palavrador éramos submetidos a imaginar. Imaginar o que as palavras nos diziam e o que dizer. E imaginar é estar com a gente mesmo, é nos construir, é estar aberto ao mundo. Imaginar compõe o pensamento.

É o murmúrio silencioso do nosso dentro e a linguagem, amigo leitor, o que somos, que falam e colocam o que vemos na vida. Diga a palavra de você, escute-a, teça seu texto. Ande por aí produzindo a palavra aberta.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Travessia da BR-163 em Nobres mobiliza moradores e autoridades por mais segurança

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A rotina de quem precisa cruzar a BR-163 em Nobres revelou a dimensão do problema discutido durante audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), nesta quarta-feira (21), na Câmara Municipal. Moradores relataram dificuldades enfrentadas diariamente diante do intenso fluxo de caminhões, ônibus, ciclistas e pedestres, enquanto representantes do município defenderam a implantação de uma estrutura capaz de garantir deslocamentos mais seguros e integrar diferentes áreas da cidade.

Autor da iniciativa, o deputado Gilberto Cattani (PL) destacou que a duplicação da rodovia trouxe maior fluidez ao tráfego, mas também tornou necessária a criação de dispositivos que permitam a passagem dos moradores de um lado para o outro. Segundo ele, a população precisa ter acesso seguro para trabalhar, estudar, fazer compras e utilizar serviços oferecidos em diferentes pontos do município.

“Quando você duplica a rodovia, além de você poder aumentar a trafegabilidade e até um pouco a velocidade dos veículos, você impossibilita que essas pessoas possam atravessar a pé as rodovias”, afirmou o parlamentar.

Cattani defendeu que a solução não se limite a uma passarela, já que também existe a necessidade de circulação de veículos. Ele citou experiências de outros municípios cortados pela BR-163 e afirmou que buscaria, junto à Prefeitura e à concessionária, uma alternativa para atender à demanda de Nobres.

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A realidade enfrentada diariamente por quem utiliza a rodovia foi relatada pelo servidor público Sebastião de Oliveira, morador do Bairro Jardim Petrópolis, que precisa fazer o percurso cerca de quatro vezes por dia. Segundo ele, dependendo do movimento, a travessia pode levar entre cinco e dez minutos e se torna ainda mais complicada nos horários de entrada e saída das escolas.

Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Sebastião relatou que, nesses períodos, estudantes, ônibus, caminhões, ciclistas e pedestres compartilham o mesmo espaço, aumentando os riscos de acidentes. Ele também mencionou um atropelamento ocorrido recentemente na região e defendeu a implantação da estrutura prevista para o local.

A vereadora Eva Valdinéia Pereira ressaltou que a movimentação intensa de caminhões, impulsionada também pela atividade mineral da região, amplia os riscos para quem precisa atravessar a rodovia. De acordo com ela, já houve alguns registros de atropelamentos com vítimas no trecho.

Para o prefeito José Domingos Fraga (União), a intervenção é aguardada há anos pela população, principalmente pelos moradores do Jardim Petrópolis, bairro localizado às margens da rodovia. Ele avaliou que a obra poderá melhorar não apenas a circulação, mas também as condições urbanas e comerciais da região.

O prefeito também defendeu que Nobres receba investimentos semelhantes aos realizados em outros municípios cortados pela BR-163, onde foram implantadas estruturas como passarelas, trincheiras e viadutos. Segundo Fraga, a Nova Rota do Oeste, concessionária responsável pela rodovia, custeou intervenções em outras cidades, enquanto o projeto apresentado para Nobres está sendo elaborado pela Prefeitura.

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Projeto –A engenheira civil Silveth Xavier, responsável pela elaboração da proposta, explicou que o projeto busca integrar as duas partes do município e criar alternativas para o deslocamento de pedestres e veículos no entorno da rodovia.

Segundo a engenheira, a concepção apresentada ainda está em fase de desenvolvimento e poderá receber alterações a partir das contribuições feitas durante debates como o promovido pela Assembleia Legislativa. O projeto prevê a implantação de um viaduto nas proximidades do posto Xaxim, na BR-163/364, no bairro Jardim Petrópolis, integrado às vias locais para facilitar a ligação entre diferentes áreas da cidade e oferecer uma alternativa mais segura para a circulação de moradores.

Encaminhamentos –Como encaminhamento, o deputado Cattani anunciou que a Assembleia Legislativa apresentará requerimentos e indicações relacionados à travessia urbana, além de articular uma comissão com a prefeitura de Nobres para buscar a viabilização da obra junto à concessionária responsável pela rodovia. O parlamentar também mencionou o apoio do senador Cidinho Santos à reivindicação e afirmou que o próximo passo será dialogar com a concessionária para avançar na concretização do projeto.



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