CUIABÁ
A criação da Câmara Municipal de Cuiabá (II): A viagem do Capitão-General Rodrigo César de Menezes e a instalação da Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá
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Como dissemos no artigo publicado na semana passada, foi em virtude da necessidade de um controle efetivo da monarquia portuguesa nas minas do Cuiabá, principalmente para a arrecadação de tributos sobre a extração do ouro e a consolidação da ocupação territorial, que o capitão-general Rodrigo César de Menezes, primeiro governador da recém-criada Capitania de São Paulo, deslocou-se pessoalmente em uma grande comitiva até Arraial do Senhor Bom Jesus de Cuiabá no ano de 1726.
            Antes da viagem, ainda no ano de 1723, o governador da capitania já recebera a autorização para ir pessoalmente às minas a fim tratar dos interesses da monarquia portuguesa, um pedido direto de D. João V, Rei de Portugal. Enquanto não partia, ele tomou diversas medidas no sentindo de garantir a posse e o controle da região. Foram concedidos, a partir da notícia dos achados auríferos, alguns benefícios aos sertanistas que se estabeleceram no novo eldorado, como lavras para a exploração do ouro e títulos de posse de terras (sesmarias). Alguns homens foram ainda nomeados como representantes oficiais da Coroa, mas por outro lado, Rodrigo César de Menezes combateu a ganância de sertanistas não comprometidos com os propósitos portugueses para a região. Preocupado com a carestia de alimentos, o governador incentivou lavouras, o abastecimento com mercadorias e a abertura de um caminho terrestre que fosse seguro, tanto sob o aspecto da violência, dado os constantes ataques dos indígenas aos comboios, como também para impedir o desvio do ouro, mercadorias e escravos, garantindo a arrecadação de tributos. Para se ter uma ideia do que representava a arrecadação de tributos na espécie ouro, ainda na precária estrutura fiscal, conta-nos Afonso Taunay que em uma das frotas que partiu para Lisboa em 1721, foram enviadas três arrobas de ouro, aproximadamente 44 quilos do metal.
            No ano de 1725, a pedido do Senado da Câmara de São Paulo, o Vice-Rei do Brasil renovou o mandato de governador do capitão-general Rodrigo César de Menezes. O capitão-general reuniu recursos para a sua viagem às minas do Cuiabá no ano de 1726 e assim o fez. A comitiva, com aproximadamente três mil pessoas em 308 canoas carregadas de inúmeras mercadorias, partiu de São Paulo no dia 6 de julho e empreendeu uma jornada desgastante pelos rios que ligavam o Tietê ao Cuiabá por pouco mais de quatro meses, chegando finalmente no arraial de Cuiabá no dia 15 de novembro.
            O versátil intelectual Afonso Taunay informa que a comitiva foi recebida com festa pelos locais, e aqueles comunicados de que, por ordem real, o arraial seria elevado à categoria de vila, instalando-se toda a estrutura do poder metropolitano. O governador encontrou na sua chegada um arraial modesto, com apenas 148 casas. Abrigar aquela quantidade de pessoas da comitiva do capitão-general foi uma grande dificuldade e a população urbana foi quase duplicada, tendo em vista que haviam aproximadamente quatro mil pessoas no arraial. Sabe-se que Cuiabá passava por problemas de carestia de alimentos e aquela opulência de extração de ouro dos anos iniciais não existia mais. Diante disso, as condições de vida da população do arraial piorariam. O que mais incomodava mesmo os locais, em especial os mineradores, era que o poder metropolitano definitivamente estaria controlando-os, principalmente na presença de um forte representante, o governador da capitania, que de acordou com Taunay, era uma pessoa poderosa, arbitrária e fiel à Coroa.
            A primeiro de janeiro de 1727 foi realizada a cerimônia de elevação do arraial à categoria de vila, denominando-a portanto Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Na praça central foi erguido um pelourinho, que era tido como um símbolo da presença do poder metropolitano nas suas vilas. Para entendermos o significado de instalação dessa nova vila portuguesa na colônia, entrevistamos a historiadora Nauk Maria de Jesus, notável pesquisadora do período colonial. De acordo com Nauk, a fundação da Vila de Cuiabá, que estava na fronteira oeste da América portuguesa, inseriu-se no conjunto de práticas metropolitanas de conquista e interiorização da sua administração. Preocupava a monarquia portuguesa com a fronteira (um constante debate com os espanhóis) e com a tributação sobre a mineração. Embora a quantidade de ouro extraída estava, como referimos, ínfima em relação aos primeiros anos, a possibilidade de encontrar mais do metal pela região, como ocorrera em Goiás (1725), justificava a existência de uma vila como mantenedora do território sob sua influência.
            Percebemos através do que apresentamos que a fundação da Vila de Cuiabá selou a efetiva presença do poder metropolitano nas minas do Cuiabá. Instalava-se na nova vila um sistema estatal eficiente, há tempos consolidado pela monarquia portuguesa em seus domínios, assegurando o controle fiscal, administrativo e judicial. Parte integrante e importante do sistema administrativo nas vilas eram as câmaras municipais. A exemplo de outras vilas, foi instalada uma câmara municipal em Cuiabá, assunto esse que será desenvolvido no próximo artigo da coluna Memórias do Legislativo Cuiabano.
Autor: Danilo Monlevade
Analista Legislativo da Câmara Municipal de Cuiabá
Fontes de pesquisa:
CANAVARROS, Otávio. O poder metropolitano em Cuiabá: (1727-1752). Cuiabá- MT: Entrelinhas, 2019.
Entrevista com Nauk Maria de Jesus em 26 de fevereiro de 2024.
JESUS, Nauk Maria de. O governo local na fronteira oeste: a rivalidade entre Cuiabá e Vila Bela no século XVIII. Dourados-MS, Ed. UFGD, 2011.
TAUNAY, Afonso de E. História das Bandeiras Paulistas. Editora Melhoramentos.
Fonte: Câmara de Cuiabá – MT
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99Food inicia operação em Cuiabá e Várzea Grande com 1,5 mil restaurantes cadastrados
A plataforma de delivery 99Food iniciou oficialmente suas operações em Cuiabá e Várzea Grande, ampliando a oferta de serviços de entrega de refeições e bebidas na região metropolitana. A chegada à capital mato-grossense faz parte da estratégia nacional de expansão da empresa, que já está presente em mais de 120 cidades brasileiras.
A operação começa com aproximadamente 1,5 mil restaurantes cadastrados, entre grandes redes e estabelecimentos locais, além de cerca de 1,1 mil entregadores parceiros. O objetivo é ampliar as alternativas para os consumidores, criar novos canais de venda para os restaurantes e oferecer oportunidades de ganhos aos profissionais de entrega.
A expansão em Mato Grosso dá sequência ao avanço da plataforma pelo Centro-Oeste. No último mês, a 99Food também passou a atender municípios estratégicos do agronegócio estadual, como Sinop, Nova Mutum, Sorriso e Lucas do Rio Verde.
Disponível no SuperApp da 99, o serviço utiliza ferramentas de geolocalização e inteligência artificial para conectar pedidos aos entregadores mais próximos, estimar o tempo de preparo dos alimentos e definir rotas de entrega.
Segundo a empresa, a tecnologia permite otimizar as operações e reduzir o tempo de espera. A plataforma informa que registra média de 29 minutos para entregas em distâncias de até cinco quilômetros.
Empresa aposta no potencial econômico de Cuiabá
O diretor sênior de Comunicação da 99, Bruno Rossini, destacou a importância da chegada à capital mato-grossense para a estratégia de crescimento da companhia na região Centro-Oeste.
“Cuiabá representa um passo importante na nossa expansão pelo Centro-Oeste. Estamos falando de uma capital com forte atividade econômica, localizada em um dos estados que mais contribuem para o agronegócio brasileiro e com uma identidade gastronômica e cultural muito própria. Queremos fazer parte da rotina da cidade, oferecendo preços justos para os consumidores, oportunidades de ganhos para os parceiros e condições competitivas para os estabelecimentos”, afirmou.
Durante a fase inicial, os entregadores parceiros também contarão com incentivos operacionais destinados a estimular a realização de entregas e corridas por meio da plataforma.
Gastronomia regional ganha espaço no delivery
A chegada da 99Food também amplia as possibilidades de acesso à diversidade gastronômica de Cuiabá. Conhecida pela culinária tradicional, a capital reúne restaurantes, bares, cafeterias, churrascarias e peixarias que representam diferentes influências culturais.
Entre os pratos típicos estão a mojica de pintado, o pacu assado, a ventrecha de pacu, o Maria Isabel e a farofa de banana, além de doces regionais. Os peixes de água doce e os sabores associados ao Pantanal são algumas das principais características da gastronomia mato-grossense.
A empresa pretende integrar essa diversidade à oferta de estabelecimentos disponíveis no aplicativo, incluindo tanto redes conhecidas quanto empreendimentos locais.
Além do delivery de refeições e bebidas, a estrutura de serviços da 99 na região também contempla soluções de mobilidade, entregas e serviços financeiros.
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