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O impacto da desidratação em idosos no verão

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*Por Ana Flávia Nasrala

O verão traz dias longos, agendas mais flexíveis e um estímulo para aproveitar a vida ao ar livre. No entanto, para idosos e pessoas com condições clínicas sensíveis, esse período também representa um risco silencioso: a desidratação. A desidratação não avisa com antecedência, não provoca sintomas evidentes de imediato e, muitas vezes, só é percebida quando já compromete a saúde de forma significativa.

Com o avanço da idade, o organismo perde parte da capacidade de identificar a sede. Isso significa que muitos idosos não percebem que precisam repor líquidos e, quando o calor chega, o corpo sofre de maneira mais intensamente. A desidratação pode causar tonturas, confusão mental, queda da pressão arterial, piora de doenças crônicas e até levar a internações que poderiam ser evitadas com medidas simples.

No atendimento domiciliar, vemos de perto como o calor impacta o bem-estar de quem já convive com limitações físicas ou condições crônicas como hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca. Pequenas mudanças na rotina, como deixar de beber água por algumas horas ou permanecer por muito tempo em ambientes quentes, podem desencadear quadros que exigem intervenção rápida.

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No entanto, prevenir não é complicado. Isso envolve atenção, organização e acolhimento. Incentivar o consumo de água ao longo do dia, oferecer frutas ricas em líquido, manter a casa arejada e evitar a exposição ao sol nos horários de maior intensidade são atitudes que fazem diferença. Para quem utiliza medicações diuréticas ou tem doenças crônicas, o acompanhamento profissional é ainda mais importante, já que o risco de desidratação é maior.

Outro cuidado essencial é observar mudanças sutis. Quando o idoso apresenta sonolência incomum, boca seca, urina escura, fraqueza, confusão ou ritmo cardíaco, o corpo está sinalizando que algo não vai bem. São alertas que pedem resposta rápida. Muitas famílias interpretam esses sinais como “cansaço do calor”, mas, na prática, são indícios de que o organismo já está sofrendo.

É nesse ponto que o atendimento domiciliar faz a diferença. Ter uma equipe preparada, que possa avaliar o paciente no conforto da casa, evita deslocamentos desnecessários e permite intervenções precoces, impedindo que um quadro simples evolua para uma emergência. O cuidado no lar reduz a ansiedade da família, amplia a segurança e reforça aquilo que defendemos todos os dias: que a saúde também é proximidade, escuta e presença.

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*Ana Flávia Nasrala é Diretora Técnica da Help Vida e médica cardiologista.

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A colcha de retalhos da vida e a urgência do autocuidado: uma reflexão sobre o câncer e a prevenção

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Outubro deveria ser apenas mais um mês no calendário, mas um convite para estar no Centro Estadual de Reabilitação Dom Aquino Corrêa (CRIDAC-MT) transformou o meu dia em um misto inevitável de emoção, dor e reflexão. O evento era dedicado a mulheres que enfrentaram ou enfrentam o câncer de mama. Olhar para cada uma delas foi como assistir a um filme sobre a luta diária pela vida.

Ali, testemunhei a realidade de quem carrega marcas visíveis e invisíveis. A dor de quem perdeu a mama e não teve a oportunidade de fazer a reconstrução; a limitação das sequelas que tiram a mobilidade dos braços; e a luta silenciosa para resgatar uma autoestima fragmentada. Para além do corpo, existe o peso invisível de ter que provar o tempo todo a sua condição de pessoa com deficiência para não ser julgada, e a sombra constante do medo de que a doença possa voltar. O lenço rosa, que hoje enfeita o Outubro Rosa, muitas vezes esconde o constrangimento diário de ter que explicar por que se está sem cabelos a moldura do rosto que a doença temporariamente levou.

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Estar ali reviveu dentro de mim memórias dolorosas. Lembrei-me do combate de cinco anos travado pela minha irmã contra um câncer na garganta. Ela era jovem, cheia de sonhos, e partiu devido às sequelas. Até hoje é difícil compreender, embora eu respeite os desígnios de Deus. A pior dor, no entanto, é olhar para a minha mãe e enxergar a tristeza permanente em seu olhar. Nenhuma mãe deveria passar pela dor de perder um(a) filho(a).

Hoje, bem perto de mim, vejo mais três pessoas enfrentando a mesma batalha. E preciso dizer com convicção: o câncer não é falta de cuidado. Qualquer um de nós pode ser surpreendido por ele. Mulheres, homens, crianças nenhum ser humano quer adoecer, sofrer ou ver quem ama passar por tamanha provação.

A grande questão é que nos esquecemos de nos amar. Priorizamos o trabalho, as obrigações e as urgências dos outros, enquanto negligenciamos o nosso próprio corpo. Não somos máquinas  e até as máquinas exigem manutenção.

Precisamos nos olhar com carinho. Tirar um tempo para ir ao médico, fazer os exames de rotina, mesmo quando não sentimos absolutamente nada. Esperar pelos sintomas pode significar chegar tarde demais, quando nem o melhor tratamento será suficiente.

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A vida é uma grande colcha de retalhos. Nem sempre as cores que a costuram são bonitas ou vibrantes. Mas, enquanto houver vida, a prevenção continua sendo a melhor demonstração de amor-próprio e o nosso maior escudo.

Se ame, se olhe e se cuide. A sua saúde não pode esperar.

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