CUIABÁ

AGRONEGÓCIO

Importações de insumos agrícolas batem recorde: R$ 77,2 bilhões em 2025

Publicados

AGRONEGÓCIO

O avanço da produção agrícola brasileira segue sustentado por um fator estrutural que ganhou ainda mais peso em 2025: a forte dependência de insumos importados. Dados consolidados do comércio exterior mostram que o Brasil importou R$ 77,2 bilhões em insumos agrícolas no ano passado, valor que marca um dos maiores níveis da série histórica e evidencia o grau de exposição do setor às oscilações do mercado internacional.

Do total importado, os defensivos químicos concentraram a maior fatia, respondendo por mais de 96% do valor movimentado. Bioinsumos e sementes, apesar do crescimento nos últimos anos, ainda representam parcelas marginais do comércio externo do setor. O movimento reflete tanto o aumento da área cultivada quanto a intensificação do uso de tecnologias de manejo, em um contexto de pressão por produtividade e controle fitossanitário.

O crescimento das importações foi puxado principalmente pelos produtos químicos, que somaram R$ 74,5 bilhões em 2025, alta de aproximadamente 15% em relação ao ano anterior. Em termos absolutos, isso significou um acréscimo de cerca de R$ 9,7 bilhões na conta externa do agronegócio. O avanço ocorreu tanto em valor quanto em volume, indicando não apenas preços mais elevados, mas também maior consumo físico de insumos.

Em volume, o Brasil importou 1,76 milhão de toneladas de defensivos e matérias-primas em 2025, o maior patamar já registrado. O destaque ficou para os produtos formulados, que ultrapassaram 1 milhão de toneladas, seguidos pelas matérias-primas industriais e pelos produtos técnicos. Para analistas, esse perfil mostra uma indústria nacional fortemente integrada às cadeias globais, dependente de insumos intermediários e princípios ativos produzidos no exterior.

Leia Também:  Justiça condena Jairinho e concede perdão a Monique

A concentração dos fornecedores segue elevada. A China manteve a liderança absoluta nas exportações de insumos agrícolas ao Brasil, com vendas que alcançaram cerca de R$ 32,4 bilhões no ano passado. Índia e Estados Unidos aparecem na sequência, mas com participação significativamente menor. No caso chinês, o domínio se estende a todas as categorias — matérias-primas, produtos técnicos e formulados — reforçando a centralidade do país asiático no abastecimento do campo brasileiro.

Esse grau de dependência externa torna o produtor mais sensível a fatores que vão além da dinâmica agrícola. Tensões geopolíticas, variações cambiais, custos logísticos e mudanças regulatórias em países fornecedores passam a influenciar diretamente o custo de produção no Brasil. Mesmo com a recente queda do dólar, o impacto acumulado dos insumos segue pressionando as margens, sobretudo em regiões mais distantes dos grandes centros consumidores.

Apesar da forte dependência das importações, o Brasil também ampliou suas exportações de insumos agrícolas em 2025, alcançando R$ 5,27 bilhões, o melhor desempenho em 14 anos. Embora o valor seja modesto frente ao volume importado, o resultado sinaliza avanço da indústria nacional em nichos específicos, como sementes e bioinsumos, além de produtos químicos destinados a mercados regionais.

As sementes responderam por pouco mais de um quarto das exportações do setor, com destaque para milho, forrageiras e hortaliças. Mesmo com leve recuo no volume embarcado, a valorização dos preços médios garantiu crescimento em valor. Países vizinhos da América do Sul seguem como os principais destinos, reforçando o papel do Brasil como fornecedor regional de tecnologia agrícola adaptada a sistemas tropicais.

Leia Também:  Polícia Militar prende três por tráfico de drogas e apreende 118 porções de entorpecentes em Tesouro

Outro movimento relevante de 2025 foi o número recorde de registros de novos produtos agrícolas. Foram mais de 900 liberações ao longo do ano, com destaque para defensivos químicos genéricos e bioinsumos. Para especialistas, esse avanço tem dupla leitura: de um lado, amplia a oferta e aumenta a concorrência, contribuindo para aliviar custos; de outro, reforça a dependência de moléculas e tecnologias desenvolvidas fora do País.

No caso dos bioinsumos, o crescimento reflete tanto a entrada de novas empresas quanto a estratégia das grandes multinacionais de diversificar portfólio diante das exigências ambientais e regulatórias. Já entre os químicos, o avanço dos genéricos consolida uma tendência de busca por alternativas mais acessíveis, especialmente em um cenário de margens cada vez mais apertadas no campo.

Para o produtor rural, o quadro desenhado pelos dados de 2025 reforça um ponto central: a competitividade da agricultura brasileira segue fortemente atrelada ao comportamento do mercado internacional de insumos. A gestão de risco, o planejamento antecipado de compras e a atenção ao câmbio tornam-se cada vez mais determinantes para a sustentabilidade econômica da atividade, em um ambiente no qual produtividade elevada já não é suficiente para garantir rentabilidade.

Fonte: Pensar Agro

;

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Mato Grosso lidera produção de grãos no Brasil e concentra 59,7% do gergelim nacional

Publicados

em

Foto Rafael D Marques / Secom

Mato Grosso segue na liderança da produção agrícola brasileira e amplia seu protagonismo com o fortalecimento de novas culturas. Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado em setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Estado permanece como o maior produtor nacional de grãos e se destaca como principal produtor de soja, milho e gergelim.

Segundo o levantamento, Mato Grosso responde por 32,1% de toda a produção brasileira de grãos em 2026, mantendo ampla vantagem sobre os demais estados. A estimativa nacional é de uma safra recorde de 352,9 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica do IBGE.

O principal destaque da divulgação é o gergelim, que vem se consolidando como uma cultura de importância crescente para a agricultura brasileira, especialmente no Cerrado. Mato Grosso lidera a produção nacional com estimativa de 212,7 mil toneladas, o equivalente a 59,7% de todo o gergelim produzido no país.

A produção nacional da oleaginosa foi estimada em 356,3 mil toneladas, em uma área de 575 mil hectares. No próprio levantamento, o IBGE destaca que o avanço da cultura reflete sua crescente importância para a agricultura brasileira e ressalta o protagonismo de Mato Grosso nesse cenário: “A produção do gergelim em Mato Grosso apresentou crescimento expressivo na última safra, tendo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT) estimulado investimentos”, reforçando o papel do Estado na expansão da cultura no país.

Leia Também:  Consórcio Ceará Saneamento vence PPP de esgoto na B3

A expansão da cultura ocorre principalmente em regiões como o Araguaia, onde o gergelim tem se mostrado uma alternativa ao milho segunda safra em locais com maior risco de estiagem antecipada. Cultivado após a colheita da soja, entre o fim de fevereiro e o início de março, o gergelim possui ciclo de aproximadamente 120 dias e hoje tem perfil fortemente exportador, com cerca de 99% da produção mato-grossense destinada ao mercado externo.

Para a secretária adjunta de Agronegócio, Crédito e Energia da Sedec, Linacis Vogel Lisboa, a diversificação da produção acompanha as mudanças no cenário agrícola e as oportunidades que surgem para o produtor mato-grossense, em um trabalho construído a partir do diálogo com o setor.

“Manter Mato Grosso na liderança exige um trabalho permanente de parceria com o setor produtivo. O Estado tem atuado para fortalecer as cadeias que já são consolidadas, mas também para abrir espaço para novas culturas e novas oportunidades de mercado. O avanço do gergelim é um exemplo desse movimento de diversificação, que acontece sem perder de vista a força da soja, do milho e de outras culturas. É esse trabalho conjunto que permite ao Estado continuar crescendo e, ano após ano, ampliar seu protagonismo na produção agrícola brasileira”, afirma.

Leia Também:  Governo cogita voltar aos estoques reguladores para estimular produção de comida

Além do avanço do gergelim, Mato Grosso manteve a liderança na produção nacional de soja, com estimativa de 50,7 milhões de toneladas em 2026. O volume representa crescimento de 1% em relação ao ano anterior, mantendo o Estado responsável por 29% de toda a produção brasileira.

No milho, Mato Grosso também permanece como principal produtor brasileiro. A estimativa é de 57,1 milhões de toneladas, mais da metade de toda a produção nacional, estimada em 141,8 milhões de toneladas.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA