AGRONEGÓCIO
Cobertura vegetal e bioinsumos ganham espaço e reduzem dependência química no campo
AGRONEGÓCIO
A agricultura brasileira começa a consolidar uma transição silenciosa: o uso de práticas biológicas e reaproveitamento de resíduos agrícolas está deixando de ser nicho experimental para assumir papel produtivo. Experiências recentes mostram que técnicas como cobertura verde do solo e fertilizantes orgânicos produzidos a partir de subprodutos rurais podem reduzir custos, melhorar a qualidade do solo e diminuir a necessidade de defensivos químicos.
Em áreas de fruticultura, a adoção da chamada cobertura vegetal — manutenção de plantas entre as linhas de cultivo — vem substituindo gradualmente o manejo baseado em herbicidas. Ao proteger o solo contra insolação direta e erosão, essa vegetação reduz o crescimento de plantas invasoras, mantém umidade e estimula a atividade biológica do solo. O resultado prático observado é a diminuição, e em alguns casos até eliminação, do uso de herbicidas, sem prejuízo à produtividade.
Além do controle natural de plantas espontâneas, a cobertura verde melhora a estrutura física do solo, favorecendo infiltração de água e desenvolvimento radicular. A matéria orgânica produzida pela decomposição das plantas funciona como um fertilizante natural gradual, reduzindo a dependência de adubação química ao longo do ciclo produtivo.
Outro movimento relevante ocorre na reciclagem de resíduos agrícolas. Subprodutos da cadeia produtiva que antes eram descartados começam a retornar à lavoura como insumos. Um exemplo é o reaproveitamento de pó de tabaco — resíduo do processamento industrial — transformado em fertilizante orgânico. O material apresenta concentração relevante de nutrientes e passa por tratamento para uso agronômico, voltando ao solo como condicionador e fonte de fertilidade.
Essa lógica integra o conceito de economia circular no agro: o que antes era passivo ambiental passa a ser ativo produtivo. O uso do resíduo melhora a atividade microbiana do solo e contribui para a redução da compra de fertilizantes minerais, um dos principais custos da produção agrícola, especialmente em períodos de alta internacional dos insumos.
Na prática, as duas iniciativas apontam para uma mesma tendência: substituir parte dos insumos industriais por processos biológicos. A mudança não elimina completamente defensivos e fertilizantes sintéticos, mas altera a lógica de uso — que passa a ser complementar e não mais central. Isso reduz exposição do produtor à volatilidade cambial e ao mercado externo de insumos.
Do ponto de vista econômico, o impacto é direto. Menor dependência de herbicidas e fertilizantes importados reduz o custo operacional e também o risco produtivo, especialmente em safras sujeitas a variações climáticas. Solos com maior matéria orgânica apresentam melhor retenção de água, aumentando resiliência em períodos de estiagem.
No mercado internacional, práticas regenerativas também ganham peso comercial. Cadeias de alimentos e bebidas já começam a exigir rastreabilidade ambiental e menor pegada química, o que transforma manejo sustentável em vantagem competitiva, não apenas ambiental.
O que emerge, portanto, não é apenas uma mudança técnica, mas produtiva: a agricultura brasileira passa gradualmente de um modelo baseado em insumos para um modelo baseado em manejo do solo. A produtividade deixa de depender exclusivamente da aplicação química e passa a depender da biologia do sistema — e isso altera custos, risco e valor do produto agrícola.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Mato Grosso lidera produção de grãos no Brasil e concentra 59,7% do gergelim nacional
Mato Grosso segue na liderança da produção agrícola brasileira e amplia seu protagonismo com o fortalecimento de novas culturas. Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado em setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Estado permanece como o maior produtor nacional de grãos e se destaca como principal produtor de soja, milho e gergelim.
Segundo o levantamento, Mato Grosso responde por 32,1% de toda a produção brasileira de grãos em 2026, mantendo ampla vantagem sobre os demais estados. A estimativa nacional é de uma safra recorde de 352,9 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica do IBGE.
O principal destaque da divulgação é o gergelim, que vem se consolidando como uma cultura de importância crescente para a agricultura brasileira, especialmente no Cerrado. Mato Grosso lidera a produção nacional com estimativa de 212,7 mil toneladas, o equivalente a 59,7% de todo o gergelim produzido no país.
A produção nacional da oleaginosa foi estimada em 356,3 mil toneladas, em uma área de 575 mil hectares. No próprio levantamento, o IBGE destaca que o avanço da cultura reflete sua crescente importância para a agricultura brasileira e ressalta o protagonismo de Mato Grosso nesse cenário: “A produção do gergelim em Mato Grosso apresentou crescimento expressivo na última safra, tendo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT) estimulado investimentos”, reforçando o papel do Estado na expansão da cultura no país.
A expansão da cultura ocorre principalmente em regiões como o Araguaia, onde o gergelim tem se mostrado uma alternativa ao milho segunda safra em locais com maior risco de estiagem antecipada. Cultivado após a colheita da soja, entre o fim de fevereiro e o início de março, o gergelim possui ciclo de aproximadamente 120 dias e hoje tem perfil fortemente exportador, com cerca de 99% da produção mato-grossense destinada ao mercado externo.
Para a secretária adjunta de Agronegócio, Crédito e Energia da Sedec, Linacis Vogel Lisboa, a diversificação da produção acompanha as mudanças no cenário agrícola e as oportunidades que surgem para o produtor mato-grossense, em um trabalho construído a partir do diálogo com o setor.
“Manter Mato Grosso na liderança exige um trabalho permanente de parceria com o setor produtivo. O Estado tem atuado para fortalecer as cadeias que já são consolidadas, mas também para abrir espaço para novas culturas e novas oportunidades de mercado. O avanço do gergelim é um exemplo desse movimento de diversificação, que acontece sem perder de vista a força da soja, do milho e de outras culturas. É esse trabalho conjunto que permite ao Estado continuar crescendo e, ano após ano, ampliar seu protagonismo na produção agrícola brasileira”, afirma.
Além do avanço do gergelim, Mato Grosso manteve a liderança na produção nacional de soja, com estimativa de 50,7 milhões de toneladas em 2026. O volume representa crescimento de 1% em relação ao ano anterior, mantendo o Estado responsável por 29% de toda a produção brasileira.
No milho, Mato Grosso também permanece como principal produtor brasileiro. A estimativa é de 57,1 milhões de toneladas, mais da metade de toda a produção nacional, estimada em 141,8 milhões de toneladas.
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