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Respeito às mulheres também se aprende na escola

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Por Márcia Amorim Pedr’Angelo

Quando estudantes são convidados a refletir sobre quem são as mulheres que fazem diferença na sociedade, algo relevante acontece no processo educativo. O exercício deixa de ser apenas acadêmico e passa a revelar referências, valores e percepções que os jovens constroem sobre o mundo ao seu redor.

Em uma atividade recente realizada na escola que fundei, o Colégio Unicus, cada aluno apresentou a trajetória de uma mulher que admira. Mais do que uma dinâmica escolar, foi um momento de reconhecimento de exemplos reais de liderança, coragem e contribuição social.

Experiências como essa evidenciam uma dimensão essencial da educação contemporânea. Ensinar conteúdos segue sendo parte central da missão escolar, mas a formação de valores, a qualidade das relações e a construção de responsabilidade social tornaram-se igualmente determinantes no processo educativo.

Não é raro que a sociedade se depare com notícias negativas envolvendo estudantes no ambiente escolar, seja por episódios de violência, vandalismo ou situações de desrespeito. Esses acontecimentos, que frequentemente ganham repercussão pública, funcionam como alertas sobre a necessidade de fortalecer a formação ética e emocional das novas gerações.

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Por essa razão, a saúde emocional passou a ocupar lugar mais estruturante dentro das instituições de ensino. Recentemente, tivemos a oportunidade de receber a advogada Luciana Zamproni, ex-secretária de Estado da Mulher de Mato Grosso, para uma conversa com nossos estudantes sobre relações de respeito, responsabilidade social e o papel de cada indivíduo na construção de ambientes mais equilibrados.

Momentos como esse ampliam o repertório dos jovens e ajudam a transformar reflexões em postura cotidiana. O debate sobre convivência respeitosa também precisa ser permanente. O respeito às mulheres, por exemplo, não pode ser tratado como tema episódico ou restrito a datas específicas. Ele deve integrar o cotidiano pedagógico, reforçando valores que estruturam relações sociais mais equilibradas.

Essa responsabilidade, no entanto, não deve ser vista como atribuição exclusiva do professor. O docente muitas vezes já está sobrecarregado por exigências pedagógicas e administrativas. A construção de um ambiente de respeito é um compromisso institucional que envolve todo o corpo docente e a equipe de gestão.

É na união de diferentes frentes — coordenação, psicologia e ensino — que a escola sustenta uma cultura capaz de formar cidadãos preparados para a vida em sociedade. No mês em que celebramos o Dia da Escola, vale refletir sobre esse compromisso. Instituições de ensino não existem apenas para preparar estudantes para avaliações acadêmicas, mas para ensiná-los a compreender o outro e respeitar as diferenças. Juntos por uma adolescência saudável e segura.

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*é psicopedagoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

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No Brasil, o câncer ainda depende da renda para ser curado

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No Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer ainda pode depender da condição financeira do paciente. Essa é uma realidade que expõe, de forma clara, as limitações das políticas públicas de saúde e a dificuldade histórica do país em garantir acesso igualitário ao tratamento.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram a dimensão do problema: o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo aproximadamente 518 mil casos anuais, excluindo tumores de pele não melanoma. Mato Grosso deve registrar cerca de 8.680 novos casos de câncer por ano nesse mesmo triênio, totalizando cerca de 25,9 mil novos casos. Isso coloca Mato Grosso entre os estados com maiores taxas de incidência do país.

Na prática, pacientes de baixa renda frequentemente chegam ao sistema de saúde com a doença em estágio avançado, o que reduz significativamente as chances de cura. Já aqueles que têm acesso à medicina privada costumam descobrir o câncer mais cedo, quando o tratamento é mais eficaz.

O tratamento do câncer no Brasil expõe a ineficiência do Estado em proteger seus cidadãos. Em 2025, o brasileiro trabalhou 149 dias — cerca de cinco meses — apenas para pagar impostos. Aproximadamente 40,82% da renda foi destinada ao pagamento de tributos diretos e indiretos. Ainda assim, mesmo diante de uma das maiores cargas tributárias do mundo, os governos, ao longo de décadas, não implementaram medidas de saúde capazes de garantir condições eficazes e igualitárias de tratamento entre as diferentes classes sociais.

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De forma objetiva, pode-se afirmar que a população mais pobre continuará morrendo mais, sofrendo mais, enfrentando maiores mutilações e limitações após o tratamento do câncer no país. Além disso, permanecerá mais tempo afastada de suas atividades profissionais e sociais, apresentará maiores taxas de aposentadoria precoce e menor produtividade, gerando impactos familiares e sociais relevantes. Em resumo, morrerá mais jovem, após enfrentar mais dor e sofrimento — consequências diretas de diagnósticos tardios e da incapacidade do Estado de oferecer uma saúde de melhor qualidade e mais equitativa.

É uma constatação que não pode mais ser ignorada: no Brasil, o tempo do diagnóstico ainda define quem tem mais chances de sobreviver.

Isso ocorre justamente em um momento de importantes avanços na medicina. Hoje, contamos com tratamentos mais personalizados, imunoterapia e o uso crescente de tecnologias para diagnóstico precoce. No entanto, o acesso a essas inovações ainda não é igual para todos.

O acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado não pode depender da renda. Trata-se de um direito e de uma responsabilidade direta do Estado.

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O Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 8 de abril, reforça a urgência desse debate. Não basta avançar na tecnologia — é preciso garantir que ela chegue a toda a população.

Em um ano eleitoral, essa realidade precisa deixar de ser apenas um diagnóstico e se tornar prioridade. É fundamental que propostas concretas para o enfrentamento do câncer — especialmente no acesso ao diagnóstico precoce — estejam no centro do debate público.

Como médico oncologista, professor e cirurgião, reforço: nenhum avanço substitui a prevenção. A alimentação equilibrada continua sendo um fator essencial na redução do risco de câncer, inclusive para quem já enfrentou a doença.

O Brasil vive um paradoxo entre avanço científico e desigualdade no acesso. Enfrentar o câncer exige mais do que tecnologia — exige decisão, investimento e compromisso com a equidade.

O enfrentamento do câncer no país não é apenas um desafio médico. É, sobretudo, uma escolha política — e essa escolha define, na prática, quem terá acesso à vida.

Dr. Wilson Garcia, Médico oncologista, professor e cirurgião, combatente da mortalidade por câncer no país.

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