MATO GROSSO
Pesquisa da Unemat leva alunos da Rede Estadual a estudar dinâmicas das baías do Pantanal
MATO GROSSO
Uma pesquisa de doutorado da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) proporcionou a alunos da Rede Estadual uma compreensão das baías Siá Mariana e Chacororé, localizadas em Barão de Melgaço, no Pantanal mato-grossense. O projeto de educação ambiental foi apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).
A iniciativa promoveu oficinas para discutir os efeitos das mudanças climáticas nas baías, especialmente as causas da seca, possibilitando aos estudantes a iniciação científica com atividades de pesquisa em campo dentro do bioma pantaneiro.
“Foram desenvolvidas, com cada escola, pesquisas científicas sobre as conectividades hidrológicas do Pantanal. Os projetos foram construídos de forma coletiva entre estudantes, professores e especialistas ambientais. Os resultados preliminares da pesquisa mostraram o Rio Cuiabá como elemento-chave para a conservação do Pantanal”, destacou a orientadora do projeto, a professora e doutoranda Selma Nunes.
A conectividade hidrológica refere-se à passagem da água de um local para outro. No Pantanal, essa conexão é essencial para o funcionamento do bioma, uma vez que o ciclo de inundação e seca é seu principal motor biológico. São centenas de córregos, baías e corixos (canais naturais) que se interligam durante as cheias dos rios Cuiabá e Paraguai.
Participaram do projeto alunos do ensino médio de cinco escolas estaduais de Barão de Melgaço, duas de Santo Antônio de Leverger e uma de Várzea Grande. A iniciativa, intitulada “Educação para a sustentabilidade em rede de escolas pantaneiras”, foi desenvolvida em três fases.
Na primeira fase, foram realizadas entrevistas para avaliar a percepção socioambiental de professores e estudantes das sete escolas sobre a dinâmica de cheias e secas no Pantanal, além das ameaças ao bioma.
A segunda fase envolveu estudos interdisciplinares sobre a conectividade hidrológica, com a realização de palestras, rodas de conversa e excursões de campo. Nessas atividades, os alunos ouviram ribeirinhos, donos de pousadas, turistas, pescadores e pesquisadores.
“Os alunos aprenderam a analisar, na prática, a qualidade da água e utilizaram drones para registrar imagens das áreas estudadas, possibilitando a comparação das mudanças ao longo do tempo”, explicou Selma.
Na última fase, os estudantes compartilharam os conhecimentos adquiridos durante a pesquisa em campo, por meio de visitas às demais escolas participantes, promovendo o intercâmbio de experiências.
Durante a pesquisa de doutorado, as escolas envolvidas foram contempladas com recursos do Programa Pesquisa e Inovação na Escola (PIE), da Fapemat, que possibilitaram a concessão de bolsas aos alunos e a aquisição de equipamentos para uso compartilhado entre as unidades.
O projeto de doutorado foi um dos premiados na 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia — Bioma Brasil: Diversidade, Saberes e Tecnologias Sociais — da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci).
“Os resultados finais permitiram analisar o conhecimento da dinâmica ambiental, o modo de vida de cada comunidade e a conexão cultural com a natureza. Com a realização das pesquisas, ficou demonstrado como os efeitos das ações antrópicas e das mudanças climáticas afetam o ambiente local e, consequentemente, a vida dos moradores”, concluiu Selma.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.
Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.
Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.
“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.
O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.
Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.
Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.
Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.
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