POLÍCIA
Papo de Homem pra Homem alcançou 316 homens que respondem a medidas protetivas neste ano
POLÍCIA
A Coordenadoria de Polícia Comunitária, da Polícia Civil de Mato Grosso, encerrou as atividades de 2024, do projeto Papo de Homem pra Homem, com a participação de 316 homens que foram encaminhados para as atividades educativas pelas Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar.
Em cerimônia realizada na Academia de Polícia, na semana passada, a Polícia Comunitária homenageou servidores e autoridades do executivo, Legislativo e Judiciário que colaboraram com a iniciativa durante este ano.
O coordenador de Polícia Comunitária, delegado Mário Dermeval, explica que as atividades do projeto colaboraram para que a incidência tenha sido zero em relação aos participantes, que passaram pelo curso.
“O projeto foi ampliado, após ser iniciado em 2014 na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Várzea Grande. Com a celebração de um termo de cooperação celebrado em 2022 entre a Polícia Civil e o Tribunal de Justiça, aqueles homens que são alvos de medidas protetivas passaram a ter a obrigatoriedade da presença, durante três dias, no grupo reflexivo”, explicou o delegado, acrescentando que a reincidência em violência doméstica é praticamente zerada entre os participantes.
Durante este ano, foram realizados oito encontros do grupo reflexivo do Papo de Homem pra Homem, com dinâmicas e palestras com a participação de magistrados, Defensoria Pública, Polícia Civil, Ministério Público e psicólogos.
“O projeto, tão bem conduzido pela equipe da Polícia Comunitária, simboliza o compromisso da Polícia Civil com a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e livre da violência doméstica. É muito mais que um projeto institucional, mas um espaço de transformação para refletir e aprender sobre o impacto de suas ações dentro do ambiente familiar e que mostra que mudanças são possíveis”, salientou o delegado-geral adjunto, Rodrigo Bastos.
O último encontro do Papo de Homem pra Homem do ano, realizado no dia 28 de novembro, contou com a participação de vários palestrantes e da senadora Margareth Bruzetti, autora do projeto de lei que tornou o feminicídio um crime autônomo, ou seja, na prática o assassinato de mulher pela condição de gênero ou por violência doméstica deixou de ser uma qualificadora de homicídio e passou a ser um crime específico no Código Penal brasileiro. A nova legislação também aumentou a pena, que passou a ter a mínima de 20 e máxima de 40 anos de reclusão.
A Lei 14.994/2024 trouxe também novos agravantes que podem aumentar a pena do feminicídio, como o assassinato da mãe ou da mulher responsável por pessoa com deficiência e quando o crime envolver tortura, fogo, traição, emboscada e ser cometido com arma de fogo de uso restrito.
“Esse é um programa diferente fazendo cada um deles enxergar que nasceram de mulheres, pois muitos repetem, às vezes, o que viram ou viveram na infância. É um projeto muito importante para contribuir com que esses homens se recuperem”, avaliou a senadora.
Papo de Homem pra Homem
“No segundo dia, muitos já retornam analisando o que ouviram, refletindo sobre o valor do respeito para sua mãe, sua irmã, namorada, esposa”, contou o coordenador da Polícia Comunitária ao pontuar sobre o comportamento de cada participante quando inicia o ciclo do curso.
Nos últimos três anos, mais de mil homens passaram pelo projeto. Entre as ações estão palestras educativas com os participantes indicados pelo Poder Judiciário. Além de ações em escolas e empresas na região metropolitana de Cuiabá e também no interior com a temática, contribuindo para que informações qualitativas sobre os tipos de crimes e formas de preveni-los cheguem a mais pessoas.
“Os números confirmam a eficácia do projeto em mitigar situações de violência doméstica e de gênero”, finalizou o delegado Mário Dermeval.
O Papo de Homem pra Homem foi ampliado pela Polícia Comunitária com o objetivo de mostrar e despertar alternativas para que o ciclo da violência doméstica seja quebrado e também colaborar para que os índices de crimes de violência doméstica sejam gradativamente reduzidos.
Fonte: Policia Civil MT – MT
POLÍCIA
Acusado de feminicídio é encontrado morto em cela de presídio em Várzea Grande
Joilson Bonifácio Correia de Sousa Silva, de 44 anos, foi encontrado morto na manhã deste sábado (17) em uma cela da Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Ele era acusado de assassinar a ex-companheira, Conceição Moreira da Silva, de 31 anos, com aproximadamente 16 golpes de faca, em Chapada dos Guimarães.
Informações preliminares repassadas à reportagem indicam que Joilson estava sozinho na cela quando foi localizado. Ainda não há confirmação oficial sobre a causa da morte nem sobre as circunstâncias em que o corpo foi encontrado. A hipótese inicial de que não houve participação de outras pessoas depende de apuração e não foi confirmada.
As autoridades deverão realizar perícia médico-legal e examinar registros da unidade prisional para esclarecer o horário e a causa do óbito, além das condições em que o detento permaneceu sob custódia do Estado.
Joilson estava preso desde a noite de 10 de outubro, quando foi detido após a morte de Conceição. O feminicídio ocorreu por volta das 21h, na Rua do Ipê, nas proximidades da Mercearia Azevedo, no bairro São Sebastião, em Chapada dos Guimarães, a cerca de 65 quilômetros de Cuiabá.
Segundo os registros policiais, Conceição havia saído do trabalho em um supermercado e seguia de bicicleta para uma pizzaria quando foi surpreendida pelo ex-companheiro. Ele teria aguardado a passagem dela e iniciado o ataque em via pública. A vítima foi derrubada e atingida por aproximadamente 16 golpes de faca.
A Polícia Militar foi acionada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), após testemunhas relatarem que uma mulher era atacada com uma arma branca. Quando os policiais chegaram, encontraram o suspeito contido por moradores. Joilson tinha ferimentos pelo corpo e um corte na cabeça, atribuídos à reação de pessoas que presenciaram o ataque. A faca indicada como instrumento do crime foi apreendida.
Socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Conceição foi encaminhada para atendimento médico, mas morreu em decorrência da gravidade dos ferimentos. O caso foi registrado no boletim de ocorrência nº 2026.343185 e passou a ser investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
Vítima havia denunciado ameaças
Conceição havia procurado as autoridades para denunciar ameaças do ex-companheiro. Em 28 de setembro, 12 dias antes de ser morta, obteve uma medida protetiva de urgência após relatar episódios de violência e intimidação.
De acordo com informações divulgadas sobre o procedimento policial, ela havia voltado à residência onde morava com Joilson para buscar pertences, acompanhada de dois irmãos. Na ocasião, ele teria se armado com uma faca e ameaçado a mulher. Os familiares intervieram, e ela não foi atingida.
Depois do episódio, Conceição registrou denúncia por ameaça no contexto de violência doméstica. O procedimento apontava risco grave à integridade da vítima. Informações levantadas durante a investigação indicaram que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e perseguia a ex-companheira.
Mãe de três filhos, Conceição teve a morte lamentada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Chapada dos Guimarães, que também questionou a efetividade da proteção oferecida após as denúncias.
Prisão preventiva
Joilson foi preso em flagrante em 10 de outubro. No dia seguinte, durante audiência de custódia, o juiz plantonista André Barbosa Guanaes Simões converteu a prisão em flagrante em preventiva. A medida manteve o acusado sob custódia enquanto avançavam os procedimentos judiciais, mas não representava condenação definitiva.
Com a confirmação formal da morte, a Justiça poderá reconhecer a extinção da punibilidade de Joilson, nos termos do artigo 107, inciso I, do Código Penal. A morte do acusado não impede a apuração de eventuais responsabilidades de outras pessoas, caso sejam identificadas.
Até a conclusão dos procedimentos oficiais, a causa da morte de Joilson permanece indeterminada.
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