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Escola Superior da Magistratura discute cybercultura e facke news

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Nessa quarta-feira (10 de abril), a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e o Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) promoveram a palestra “Cybercultura, fakenews e os desafios atuais à democracia”, proferida pelo professor italiano Vania Baldi. Ele é professor associado no Departamento de Sociologia (ESPP) e investigador integrado do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (Itália).
 
Conforme o palestrante, a ação teve o intuito de explorar tópicos que remetem sobre a questão da literacia digital e sobre o contexto on-line que proporciona uma maior difusão do conhecimento e, ao mesmo tempo, até um risco de maior propagação da ignorância.
 
Baldi explicou que iria “tentar mostrar como os desafios da infosfera, que assim podemos chamar o contexto da web no digital, são desafios colocados quer para a alma vertente da cultura no sentido geral, e depois como esta, por sua vez, se reflete no aspecto mais ligado com a vida democrática, e, portanto, com a participação democrática e com as competências que são requeridas por poder exercer a própria cidadania face às complexidades que o mundo digital proporciona.”
 
O professor explicou que o foco seria abordar a questão de como têm mudado as maneiras de se relacionar com o saber, o conhecimento, as instituições, num contexto digital, “e como também essas instituições, ou quem exerce seu poder num contexto digital, também, por sua vez, tem mudado a maneira de se confrontar com a cidadania”, complementou.
 
Vania Baldi também elogiou a parceria firmada com a Esmagis-MT, que, para ele, é bastante significativa. “Na universidade contemporânea, muitas vezes corremos o risco de nos especializarmos em algumas áreas de uma forma tal que acabamos por conhecer só aquele recorte, aquele pedacinho do conhecimento. Essa ação é muito corajosa porque permite a um sociólogo das mídias de se confrontarem com colegas da área do Direito. E colegas da área do Direito de se confrontar com alguém que é de uma outra área, e, portanto, a minha tentativa será aquela de trabalhar aqui os conhecimentos que subjazem, muitas vezes, aos processos decisórios, aos processos que estão na gênese de uma elaboração legislativa, por exemplo, uma tomada de decisão num contexto de políticas públicas.”
 
Já o juiz coordenador das atividades pedagógicas da Esmagis-MT, Antônio Veloso Peleja Júnior, assinalou que os temas abordados na palestra são interessantes para toda a sociedade, incluindo juízes e os acadêmicos das universidades brasileiras.
 
“É um tema que merece muito estudo por parte de todos, por envolver uma questão política, por envolver questões supranacionais, empresas de grande porte, empresas realmente com poderio enorme, empresas que detêm os meios de comunicação. E quem detém o meio de comunicação, essas grandes plataformas virtuais, detêm tudo. Então, surge esse debate. Casualmente é um debate em nível mundial de regulamentação por alguns países. Está em voo também a liberdade de expressão, então são vários direitos que devem ser analisados. A própria liberdade de expressão, a própria regulamentação, a própria inserção no âmbito interno, a própria influência de agentes externos no âmbito interno, eventuais ataques à Corte Suprema. Então, essa é uma discussão que é atual e essa palestra do professor Vania Baldi é bastante esclarecedora”, asseverou.
 
“Essa parceria nasce do interesse da própria Esmagis-MT de ter um palestrante internacional e de renome internacional, um italiano, vinculado à Universidade de Lisboa. É uma oportunidade ímpar, ele veio à Universidade Federal de Mato Grosso, a Faculdade de Direito, e por isso nós firmamos essa parceria com a Esmagis, que deu o apoio para que fosse possível aos juízes participarem desse evento”, complementou o magistrado.
 
Para o professor Marco Aurélio Marrafon, responsável pelo convite ao professor para sua vinda ao país, essa palestra pode ser considerada ainda mais relevante em razão do momento vivenciado pelo Brasil, “nesse debate de liberdade de expressão e regulação das redes, principalmente para o combate a fake news, e em especial por conta das eleições.”
 
“Ele traz conceitos fundamentais em sua obra que nos orientam para como pensar a regulação das redes sociais e o projeto de lei das próprias fake news que está em debate no Congresso Nacional. Então, temas como o populismo cibernético, o ciberpopulismo, a construção viral da realidade, a questão da força dos algoritmos fazendo com que haja impulsionamentos em massa, influenciando a boa consciência das pessoas na hora de decidir pelo seu voto. São temas importantíssimos que estão na agenda urgente do país. E por essa razão, junto à Universidade Federal do Rio de Janeiro, e aqui em Mato Grosso, junto à Universidade Federal de Mato Grosso e a Esmagis, a gente fez o convite ao professor Vania e ele veio com muito gosto apresentar suas ideias”, asseverou Marrafon.
 
Para o acadêmico Tiago Augusto Bertoldi Aguilar, que está no sexto semestre da Faculdade de Direito, a iniciativa foi extremamente positiva. “É sempre uma oportunidade maravilhosa. Aqui na UFMT a gente já tem o costume de receber professores renomados, de várias universidades, de vários locais, que trazem para a gente diversos temas muito completos, muito interessantes, muito atuais, geralmente em parceria também com o Poder Judiciário. Então, é sempre uma grande oportunidade, um aprendizado muito grande, que complementa muito bem a nossa formação e permite que a UFMT e a Faculdade de Direito continuem formando juristas cada vez mais capacitados para estarem ocupando os espaços de discutir esses temas na sua atuação profissional também no futuro.”
 
Lígia Saito 
Assessoria de Comunicação 
Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT)
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.

Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.

Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.

“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.

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O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.

Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.

Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.

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Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.



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