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Poder Público realiza escuta social de indígenas venezuelanos em Cuiabá

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“Somos indígenas Warao e viemos de um país em crise. Escolhemos o Brasil porque aqui tem de tudo, mas continuamos a sofrer. Onde vamos chegar com esse sofrimento?”, questionou Hernaida Rivero Estrella, uma das líderes do grupo formado por 35 famílias venezuelanas da etnia Warao que estão alojadas em um terreno no bairro São José I, região do Coxipó, em Cuiabá. Ela foi uma das porta-vozes da comunidade, ouvida nesta sexta-feira (6) em uma escuta social promovida por diversas instituições públicas.

Representantes do Ministério Público de Mato Grosso, Ministério Público do Trabalho, Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência (SADHPD), Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Getúlio Vargas e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) estiveram no local na manhã desta sexta-feira para verificar as condições de moradia dos indígenas venezuelanos e ouvi-los.

“Nosso objetivo aqui, hoje, é escutá-los. Viemos para ouvir o que necessitam”, afirmou o padre e antropólogo Aloir Pacini, que organizou a visita ao bairro São José I, com a finalidade de escutar os indígenas a respeito das carências e necessidades mais prementes. “Nós, do Ministério Público, estamos preocupados com essa situação e tentando ajudar, sobretudo por envolver muitas crianças”, acrescentou o procurador de Justiça titular da Especializada em Defesa da Criança e do Adolescente, Paulo Roberto Jorge do Prado.

Para o promotor de Justiça Henrique Schneider Neto, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos Humanos, Diversidade e Segurança Alimentar do MPMT, a ação representou uma política humanitária de acolhimento, um olhar inclusivo. “O primeiro passo já foi dado e isso é o mais importante. Não é apenas uma reunião, é um caminho que estamos construindo”, avaliou.

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Conforme informado por Hernaida Estrella, atualmente existem 35 famílias assentadas no local, totalizando 151 indígenas Warao, dos quais 70 são crianças. Eles ocupam uma área particular cedida por um ano, com duas casas de alvenaria e diversos barracões de madeira e lona. Trinta famílias estão cadastradas no programa de transferência de renda Bolsa Família, nove estão têm trabalhadores com carteira assinada e 13 recebem o benefício do Programa SER Família.

São muitas as carências. Faltam comida, água potável, refrigerador para armazenar alimentos, banheiro, escola para as crianças, entre outras coisas. “Viemos sofridos e com fome, o que passamos da Venezuela até Cuiabá foi triste, tivemos muitas perdas O que queremos agora é um lugar para viver coletivamente aqui, não em outra cidade, onde possamos plantar, seguir com nossos costumes e trabalhar como artesãos. Queremos sair das ruas com as crianças. Somos humanos como vocês”, manifestou Hernaida Estrella.

Clamando por ajuda, outras representantes dos indígenas relataram dificuldades de comunicação das crianças nas escolas brasileiras (barreira linguística) e a preocupação com o início do período chuvoso, uma vez que as barracas onde vivem não possuem proteção. Por fim, agradeceram a presença do Poder Público e disseram estar esperançosos em melhorar de vida.

Estratégias de atuação – Assumindo a coordenação dos trabalhos, o procurador de Justiça Paulo Prado dividiu as estratégias de atuação em três eixos: moradia, educação e segurança alimentar. Ficou acertado que: o MPMT encaminhará ofício às prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande e ao Governo do Estado para verificar a possibilidade de doação de um terreno para os Warao, com espaço para uma escola exclusiva; a Setasc verá a possibilidade de entregar 50 cestas básicas para as famílias mensalmente; o Cras Getúlio Vargas continuará fazendo o cadastramento nos programas de governo e também verá como entregar cestas básicas individualizadas; e que o Cras e o padre Aloir continuarão as tratativas com empresas para oferecer emprego formal aos indígenas.

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Também participou da escuta social a promotora de Justiça Ana Luíza Barbosa da Cunha, da 14ª Promotoria Cível de Infância e Juventude de Cuiabá. Entre as deliberações, ficou definido que, na próxima segunda-feira (9), os representantes das instituições vão se reunir presencialmente na sede das Promotorias da Infância e Juventude da Capital, às 15h, para avaliar o resultado da ação.

 Saúde – No decorrer da escuta, os indígenas informaram que estão recebendo tratamento médico no local e que as crianças estão com o cartão de vacinação atualizado. Esse cenário é resultado da atuação do MPMT, que recentemente ajuizou uma medida com o objetivo de verificar, prioritariamente, o atendimento das equipes de saúde às crianças e adolescentes da etnia Warao.

Em uma audiência realizada no mês de setembro com a juíza Gleide Bispo Santos, a promotora de Justiça Daniele Crema da Rocha de Souza e a secretária-Adjunta de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde, Catarina Célia de Araújo Amorim, ficou acertado que a Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Parque Ohara ficará responsável por dar continuidade ao atendimento médico necessário aos indígenas Warao. Eles farão a assistência médica dentro da comunidade Warao ao menos uma vez por mês.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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ALMT aprova projetos de apoio à agricultura familiar, saúde e educação em sessão ordinária

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, durante sessão ordinária realizada nesta quarta-feira (21), projetos voltados à agricultura familiar, saúde, educação e assistência social. Entre os destaques estão medidas de apoio aos produtores de queijo artesanal e à cadeia do leite.

Uma das principais discussões envolveu o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 5/2026 , de autoria de Gilberto Cattani (PL), que susta os efeitos de decreto do Poder Executivo relacionado à regulamentação de produtos lácteos artesanais. Segundo o parlamentar, as regras dificultam a atividade das pequenas queijarias e aumentam os custos de comercialização.

Em entrevista concedida antes da sessão, Cattani afirmou que a regulamentação promoveu uma redistribuição tributária que estaria “penalizando os artesanais, ou seja, o pequeno produtor, a pequena queijaria, e beneficiando as grandes indústrias”. O líder do governo, Dilmar Dal Bosco (União), chegou a pedir vista da proposta, mas devolveu a matéria durante a sessão, permitindo sua aprovação por unanimidade. Da mesma forma, foi aprovado o PDL nº 1/2026 , também de Cattani, que susta a obrigação de envio mensal de dados sobre produção, industrialização e comercialização por agroindústrias familiares e de pequeno porte. 

O plenário aprovou ainda, em segunda votação, o Projeto de Lei (PL) nº 554/2025 , que altera critérios de representatividade dos produtores na administração do Fundo de Qualidade, Produtividade e Segurança Alimentar do Leite. 

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Por outro lado, foi rejeitado o PL nº 347/2022 , de autoria de Gilberto Cattani, que buscava facilitar o acesso à posse e ao porte de armas de fogo para mulheres vítimas de violência doméstica com medidas protetivas judiciais. Com a rejeição, a proposta segue para arquivamento. A matéria tinha parecer contrário da Comissão de Constituição, Justiça e Redação.

Saúde e educação— Entre as matérias incluídas na ordem do dia, os deputados aprovaram, em primeira votação, o PL nº 336/2026 , de Fábio Tardin (Pode), que garante a oferta de toucas hipotérmicas para reduzir a queda de cabelo de pacientes submetidos à quimioterapia na rede estadual. 

Na área de educação, o plenário aprovou o PL nº 1888/2025 , de Janaina Riva (MDB), que prevê a inclusão da carne suína na merenda escolar, com alternativa para estudantes com restrições alimentares. Foi acatada a Emenda nº 1 à proposta. Os deputados também aprovaram o PL nº 1975/2024 em segunda votação. A proposta institui uma campanha de desconexão das telas digitais, incentivando a redução do uso excessivo de celulares e redes sociais. “O nosso objetivo agora é criar uma campanha de desconexão das telas digitais e reforçar o trabalho que a escola vem fazendo, principalmente nas atividades extracurriculares”, afirmou Silva.

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Outras deliberações— Entre os projetos aprovados estão ainda o PL nº 4/2025 (segunda votação), de Eduardo Botelho (União), que institui a Política Estadual de Combate à Fome; o PL nº 619/2026 (primeira votação), de Max Russi (Podemos), que cria o Dia Estadual do Professor Indígena; e o PL nº 175/2025 (segunda votação, nos termos do Substitutivo nº3 ), também de Russi, sobre conectividade em comunidades indígenas e quilombolas.

Também foi aprovado, em primeira votação, o PL nº 1123/2026 , do Executivo, que autoriza a doação à União da Gleba Pelissoli II, em Santa Terezinha, para fins de regularização fundiária. 

Já o PL nº 795/2026 , que autoriza a contratação de empréstimo de R$ 1,5 bilhão junto à Caixa Econômica Federal, foi retirado de pauta a pedido da liderança do governo. Também houve pedido de vista de Wilson Santos (PSD) em proposta que altera a delimitação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Chapada dos Guimarães.



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