POLÍCIA
Polícia Civil divulga 6ª Edição de Anuário com análise sobre violência doméstica na Capital
POLÍCIA
O documento descreve o perfil das vítimas atendidas, número de ocorrências registradas de crimes de violência doméstica, bairros de maior incidência, perfil de agressores e atendimentos realizados.
Também é traçado o “Perfil Psicológico das Vítimas” que buscaram ajuda ou orientação, após sofrerem algum tipo de violência. O perfil é feito por meio de estudo realizado pela profissional que faz o acolhimento psicológico às mulheres atendidas na unidade policial.
O Anuário 2022 compreende ainda levantamentos de dados das ocorrências quanto aos dias da semana com maiores índices de registros, horário dos fatos de maior incidência, bairros contendo maior número de registros e outras informações quanto às vítimas que procuraram a Delegacia, como a idade, cor declarada, profissão, números de filhos da união com o autor, vínculo com o autor no momento do registro e outras peculiaridades.
Perfil dos autores
Além da análise das vítimas, o estudo traça o perfil do autor da violência doméstica, familiar e sexual, a partir das declarações da vítima, bem como o pós-atendimento que resulta em medidas protetivas, dispositivo eletrônico (botão do pânico), visitas domiciliares, entre outros.
A delegada titular da DEDM de Cuiabá, Jozirlethe Magalhães Criveletto, destaca a importância do documento, que está na sexta edição, como uma referência para o conhecimento sobre vítimas atendidas na Capital. Conforme ela, a produção do Anuário demonstra o comprometimento do trabalho desenvolvido pela delegacia para a efetividade das políticas de segurança em torno do enfrentamento da violência contra a mulher na Capital.
“O Anuário 2022 demonstra o quanto a Polícia Civil está engajada no combate à violência contra a mulher, e apresenta importantes dados, capazes de nortear ações e tomadas de decisões por parte dos poderes públicos”, pontua a delegada.
A metodologia utilizada seguiu os moldes anteriores, compreendendo estatísticas sobre a ocorrência registrada e as descrições fornecidas pela vítima, além do resultado das providências adotadas liminarmente após o pronto atendimento.
Números
Já em relação às ocorrências registradas, o mês de maior incidência de crimes de violência contra a mulher foi setembro, com 566 atendimentos, o que representou 9,3 % do total de 2022. Março foi o segundo mês com 8,9% do total de ocorrências.
Domingo continua sendo o dia da semana com a maior parte dos registros, com 15,1 % das ocorrências.
Entre os crimes mais denunciados pelas vítimas, a ameaça ocupa o primeiro lugar das naturezas criminais, concentrando 24% dos registros, seguido de injúria com 17,9%.
Já os três bairros com maior número absoluto de registros de violência doméstica são o Dom Aquino, Pedra 90 e Jardim Imperial, respectivamente. Acesse o ANUÁRIO 2022 completo e conheça todos os números levantados e as análises.
Fonte: Policia Civil MT – MT
POLÍCIA
Acusado de feminicídio é encontrado morto em cela de presídio em Várzea Grande
Joilson Bonifácio Correia de Sousa Silva, de 44 anos, foi encontrado morto na manhã deste sábado (17) em uma cela da Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Ele era acusado de assassinar a ex-companheira, Conceição Moreira da Silva, de 31 anos, com aproximadamente 16 golpes de faca, em Chapada dos Guimarães.
Informações preliminares repassadas à reportagem indicam que Joilson estava sozinho na cela quando foi localizado. Ainda não há confirmação oficial sobre a causa da morte nem sobre as circunstâncias em que o corpo foi encontrado. A hipótese inicial de que não houve participação de outras pessoas depende de apuração e não foi confirmada.
As autoridades deverão realizar perícia médico-legal e examinar registros da unidade prisional para esclarecer o horário e a causa do óbito, além das condições em que o detento permaneceu sob custódia do Estado.
Joilson estava preso desde a noite de 10 de outubro, quando foi detido após a morte de Conceição. O feminicídio ocorreu por volta das 21h, na Rua do Ipê, nas proximidades da Mercearia Azevedo, no bairro São Sebastião, em Chapada dos Guimarães, a cerca de 65 quilômetros de Cuiabá.
Segundo os registros policiais, Conceição havia saído do trabalho em um supermercado e seguia de bicicleta para uma pizzaria quando foi surpreendida pelo ex-companheiro. Ele teria aguardado a passagem dela e iniciado o ataque em via pública. A vítima foi derrubada e atingida por aproximadamente 16 golpes de faca.
A Polícia Militar foi acionada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), após testemunhas relatarem que uma mulher era atacada com uma arma branca. Quando os policiais chegaram, encontraram o suspeito contido por moradores. Joilson tinha ferimentos pelo corpo e um corte na cabeça, atribuídos à reação de pessoas que presenciaram o ataque. A faca indicada como instrumento do crime foi apreendida.
Socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Conceição foi encaminhada para atendimento médico, mas morreu em decorrência da gravidade dos ferimentos. O caso foi registrado no boletim de ocorrência nº 2026.343185 e passou a ser investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
Vítima havia denunciado ameaças
Conceição havia procurado as autoridades para denunciar ameaças do ex-companheiro. Em 28 de setembro, 12 dias antes de ser morta, obteve uma medida protetiva de urgência após relatar episódios de violência e intimidação.
De acordo com informações divulgadas sobre o procedimento policial, ela havia voltado à residência onde morava com Joilson para buscar pertences, acompanhada de dois irmãos. Na ocasião, ele teria se armado com uma faca e ameaçado a mulher. Os familiares intervieram, e ela não foi atingida.
Depois do episódio, Conceição registrou denúncia por ameaça no contexto de violência doméstica. O procedimento apontava risco grave à integridade da vítima. Informações levantadas durante a investigação indicaram que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e perseguia a ex-companheira.
Mãe de três filhos, Conceição teve a morte lamentada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Chapada dos Guimarães, que também questionou a efetividade da proteção oferecida após as denúncias.
Prisão preventiva
Joilson foi preso em flagrante em 10 de outubro. No dia seguinte, durante audiência de custódia, o juiz plantonista André Barbosa Guanaes Simões converteu a prisão em flagrante em preventiva. A medida manteve o acusado sob custódia enquanto avançavam os procedimentos judiciais, mas não representava condenação definitiva.
Com a confirmação formal da morte, a Justiça poderá reconhecer a extinção da punibilidade de Joilson, nos termos do artigo 107, inciso I, do Código Penal. A morte do acusado não impede a apuração de eventuais responsabilidades de outras pessoas, caso sejam identificadas.
Até a conclusão dos procedimentos oficiais, a causa da morte de Joilson permanece indeterminada.
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