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Implantação de IA no âmbito do Poder Judiciário é destaque em audiência pública

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Como está a implantação da Inteligência Artificial (IA) e qual será o futuro dela no âmbito do Poder Judiciário foram assuntos debatidos na audiência pública “Inteligência Artificial no Poder Judiciário”, realizada pelo Tribunal de Justiça, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ-TJMT), em Cuiabá.
 
O juiz-auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), João Thiago de França Guerra, destacou a importância da discussão já que a IA é uma realidade. “É uma questão de sobrevivência, é preciso entender o que está acontecendo para adaptar nossos processos de trabalho, nossa capacidade produtiva a esse novo ambiente. Uma grande mudança está acontecendo e se não formos protagonista deste momento, nós seremos atropelados”.
 
Segundo o magistrado, que é do Poder Judiciário de Mato Grosso e foi convidado a auxiliar o CNJ na implantação nacional de projetos de Tecnologia da Informação, de acordo com o último levantamento realizado pelo CNJ, atualmente 111 projetos de IA estão em desenvolvimento pelo Brasil, sendo que 83 deles estão em produção na plataforma Sinapses. “Uma plataforma de repositório nacional de modelos de IA, que conta atualmente com 205 modelos depositados, sendo 150 ativos, de 29 tribunais do Brasil. Tem muita gente fazendo coisas interessantes e trabalhando com essa temática”, contou.
 
João Thiago pontuou que o mercado vende o grande potencial de IA, mas não discute as dificuldades que é para fazer. “É uma atividade de alta complexidade e, portanto, é preciso ter uma equipe multidisciplinar, contar com uma mentoria técnica adequada, ter identificação de casos de uso que sejam úteis e viáveis, além de dados de qualidade. Esses são alguns dos principais desafios para conseguir trabalhar com a IA”.
 
Já o juiz-auxiliar da presidência do CNJ, Adriano da Silva Araújo coordenador de desenvolvimento da Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ), participou de forma virtual e explanou sobre como o futuro da Inteligência Artificial no Poder Judiciário está nos grandes modelos de linguagem, ou LLMs (sigla para o termo em inglês large language models). “São modelos de aprendizado de máquina (machine learning) que utilizam algoritmos de aprendizado em profundidade para processar e entender a linguagem dos seres humanos. Compostos por múltiplas camadas de redes neurais, que trabalham em conjunto para analisar textos e prever o que vem em seguida”, explicou.
 
“Um problema geral das redes neurais são as famosas alucinações, por exemplo, ao fazermos uma pergunta a IA, e ela ao não saber a resposta, costuma inventar. Eu brinco que as LLMs são que nem um candidato fazendo prova oral para magistratura, quando você não sabe a resposta você mente com convicção”, destacou o magistrando apontando um dos alguns dos riscos das LLMs.
 
Outro problema, segundo Adriano da Silva Araújo é o acesso a dados sensíveis. “O ChatGPT, é um modelo de empresa privada, ao pedirmos que ela escreva a partir de uma petição uma sentença, a IA terá acesso a dados como nome, telefone, CPF da pessoa, a probabilidade desses dados serão retidos e reutilizados no treinamento constante da IA, não garantindo a privacidade é enorme”, pontuou. “Não podemos entregar dados sensíveis sem tratamentos de anonimização e desanonimização daquela informação. Também é preciso ter garantias contratuais e solicitar outras ações como data center brasileiro”, argumentou.  
 
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#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição das imagens: Imagem 1 – o juiz-auxiliar da Presidência do CNJ, João Thiago de França, fala aos presentes na audiência. Ele veste terno preto, camisa branca e gravata listrada ao fundo painel com frases sobre assistentes virtuais, inteligência aumenta e hiperautomação. Imagem 2 – o juiz-auxiliar da presidência do CNJ, Adriano da Silva Araújo participou da audiência de forma remota. Eles está no telão, ele veste terno preto, camisa branca e gravata azul escura. Ele utiliza um fone de ouvido e microfone na cabeça.
 
Larissa Klein
Assessoria de Comunicação CGJ-MT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Saiba como uma ideia pode se transformar em lei

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O povo mato-grossense pode exercer diretamente o poder político por meio da iniciativa popular no processo legislativo. Na prática, isso significa que é possível ao cidadão apresentar à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) propostas que podem virar leis. Para isso, no entanto, a  Constituição Estadual prevê que o projeto de lei de iniciativa popular deve ser assinado por pelo menos 1% de eleitores residentes em pelo menos cinco municípios do estado. 

A proximidade entre a população e os parlamentares, porém, pode facilitar esse processo e resultar de forma mais rápida em leis que atendem aos anseios da sociedade. Ideias para melhorar o atendimento público em diferentes áreas, como educação, saúde ou direitos do consumidor, podem ser encaminhadas aos deputados por qualquer cidadão e virar projetos de lei.

O consultor de serviços legislativos da ALMT, Gabriel Lucas Scardini Barros, explica que o projeto de lei apresentado deve responder, primeiramente, se ele é de interesse público. Essa questão é respondida a partir da análise de uma comissão temática. Se o projeto tratar de segurança pública, por exemplo, deve ser analisado pela Comissão de Segurança Pública e Comunitária.

Seguindo um caminho estabelecido pelo  Regimento Interno , a proposta ainda passa pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação, que analisa se ela é constitucional. Depois, se aprovado em sessão plenária, o projeto de lei vai para o governador do estado, que tem o poder de sancionar (aceitar o projeto e publicar a lei) ou vetar (discordar do projeto e devolver aos deputados com os motivos da rejeição). 

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Ainda segundo o consultor, as discussões mais aprofundadas sobre um projeto de lei ocorrem durante as reuniões das  comissões parlamentares , que são públicas. Não há possibilidade de um projeto ir para votação em sessão sem passar antes pela análise de uma comissão.

“Costumamos falar que o plenário é o coração, onde existem os debates mais emocionais, mais passionais. Nas comissões, a gente tem um olhar mais cuidadoso, mais técnico, como se fosse o cérebro do processo legislativo”, compara Barros.

No site institucional da ALMT, é possível conhecer o perfil dos  deputados estaduais e os projetos de leis que eles já apresentaram. Todas as propostas que continuam em tramitação, ou seja, que ainda vão ser votadas, também podem ser conferidas no link  Projetos em Tramitação . 

Conhecimento das competências– Ao acompanhar e participar ativamente das atividades legislativas, porém, o cidadão deve ter a noção do que faz cada Poder, até para se prevenir de frustrações. Gabriel Barros alerta que, muitas vezes, as pessoas criam expectativas sobre ações que não cabem ao deputado estadual realizar, por depender sobretudo da vontade política do Executivo. 

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Uma dessas frustrações, segundo ele, é percebida quando se ouve a expressão de que uma “CPI terminou em pizza”. Nesse caso, pode não haver conhecimento de que o papel de uma comissão parlamentar de inquérito é investigar e depois encaminhar para as instituições responsáveis legalmente por dar continuidade ao processo. É um processo que não termina na ALMT. 

“Comissão parlamentar de inquérito é como se o deputado virasse um delegado de polícia, ele conduz o inquérito. Ninguém fala que o trabalho de um delegado de polícia termina em pizza, porque o inquérito é encaminhado para autoridades que têm a legitimidade e a prerrogativa de dar seguimento, podendo fazer uma ação penal depois”, esclarece Barros. “O resultado mais concreto que uma CPI poderia entregar seria a mudança na legislação. Muito do que existe na lei dos consignados hoje, por exemplo, são deduções da CPI dos Consignados”, conclui.



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