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Inovações da Justiça facilitam acesso das vítimas de violência doméstica aos mecanismos de proteção

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Há nove meses, a família do Seo José*, 60 anos, e Dona Maria*, 58, convive com a saudade da filha, Rosa*, assassinada pelo ex-companheiro, E.A.A., de 50 anos. O feminicídio ocorreu no bairro Nova Esperança, em Cuiabá, na madrugada de 06 de outubro do ano passado, data que a vítima completaria 33 anos. Segundo a família, após ser pressionada pelo ex, a vítima havia solicitado a retirada da Medida Protetiva.
 
Além da dor de ter perdido uma filha para a violência contra a mulher, o casal ganhou uma preocupação extra: sustentar os três netos pequenos: Eva* 10, Paulo*, 7 e André*, 6, que foram morar com os avós depois de terem perdido a mãe. “Sou operador de máquina aposentado, recebo R$ 1200 por mês e de uma hora para outra a despesa de casa triplicou. Antes conseguia fazer uns bicos, mas agora com os três em casa fica mais difícil pegar algum serviço”, conta Seo José.
 
Dona Maria afirma que se não fosse a solidariedade de conhecidos não teria o que oferecer para os netos em alguns dias. “Minha filha nunca deixou faltar nada para os meninos. Se desdobrava trabalhando, vendia coisas para ter uma renda extra. Dói meu coração quando eles pedem uma fruta, um brinquedo e eu não posso dar”, lamenta.
 
Os pequenos fazem parte de uma triste estática: os filhos do feminicídio, que em 2021 registrou 43 casos deste tipo de crime e deixou 71 órfãos, conforme dados da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT). Clique neste link para ver os dados.
 
Em julho, a família do Seo José e Dona Maria acessou a primeira parcela do benefício que oferece meio salário mínimo (R$ 606) a famílias que têm até três órfãos de mães vítimas de feminicídio. Trata-se do Programa Solidariedade em Ação, implantado pela Prefeitura de Cuiabá pela Lei nº 6.467/2019, e regulamentado por meio do Decreto 8.772/2021.
 
Segundo a assistente executiva da Secretaria da Mulher de Cuiabá, Cláudia Assunção, nove famílias com crianças que passaram por este drama na Capital receberam a visita da equipe multidisciplinar do projeto. Três famílias foram consideradas aptas a receber o benefício durante 12 meses, totalizando nove crianças atendidas.
 
“O programa tem a finalidade de amparar essas crianças e mantê-las juntas depois de terem perdido a genitora, que normalmente é a provedora. Como condição de permanência no projeto, o responsável pela guarda das crianças deve assinar termo de responsabilidade, apresentar atestado de frequência escolar a cada três meses, estar inscrito no Cadastro Único, ter renda familiar inferior a R$ 3,5 mil”, cita Cláudia Assunção. “O programa tem capacidade para atender 20 famílias cuiabanas em 2022. Foi idealizado pelo Núcleo de Apoio à primeira-dama para suprir a necessidade de políticas públicas no Brasil para crianças órfãs de mães vítimas do feminicídio”, completa.
 
Quebre o Ciclo
 
A juíza Tatiane Colombo, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca de Cuiabá, que tem 22 anos de atuação no Poder Judiciário de Mato Grosso, sendo 10 deles na Vara de Violência Doméstica na Capital, reforça a importância da denúncia para quebrar o ciclo da violência.
 
Tatiane Colombo lembra das inovações que vem sendo feitas pelo Judiciário e parceiros para facilitar o acesso das vítimas aos mecanismos de proteção. Como o site Medida Protetiva Online o aplicativo “SOS Mulher MT – Botão do Pânico Virtual”. Ela recorda das campanhas de conscientização realizada pelos juízes e juízas, que investem em atividades de conscientização dos agressores, como a oficina “Papo de homem para homem”. “Esta atividade dá oportunidade ao Judiciário de entender o que leva o homem a cometer um ato violento contra a sua companheira e ao mesmo tempo trabalha a consciência desse homem como agente de uma violência”, explica. “Trabalhamos para reduzir ao máximo os casos de feminicídio no Estado”.
 
SOS Mulher MT
 
Desde o início de julho, delegados e delegadas dos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis já podem conceder, por até cinco dias, o aplicativo “SOS Mulher MT – Botão do Pânico Virtual” a vítimas de violência doméstica, assim que a denúncia é registrada. Dessa forma, a mulher sai da delegacia com o sistema pronto para ser acionado caso o agressor volte a se aproximar dela. Em cinco dias, o juiz da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher julgará a solicitação de Medida Protetiva deferindo ou indeferindo o pedido.
 
A delegada coordenadora do Plantão 24 horas de Atendimento à vitima de violência doméstica e Sexual de Cuiabá, Jannira Laranjeira, comemora a inovação e reforça a importância das campanhas de conscientização. “Toda vez que as instituições envolvidas no combate, prevenção e repressão de violência doméstica trabalha o tema, com palestras, conscientizações, repercute com os veículos de comunicação que existe um aplicativo, que facilita a denúncia, que a gente incentiva os vizinhos, amigos e familiares a denunciar o caso para chegar ao conhecimento das autoridades. E ao agirmos estamos transformando uma realidade podendo até salvar vidas”, declara.
 
Condenação Feminicídio
 
Em julho, E.A.A. foi condenado pelo Tribunal do Júri a 28 anos de prisão pelo feminicídio de Rosa. A vítima foi morta pelo ex-marido no banheiro da casa dela, recebeu golpes no tórax, braço e costas. Segundo a investigação da Polícia Civil, o relacionamento era marcado por brigas e ameaças por parte do agressor, que não aceitava o fim do casamento.
 
O feminicida foi preso pela Polícia Militar logo após o crime, quando tentou tirar a própria vida com uma facada no abdômen. Os três filhos dela, sendo o caçula fruto do relacionamento com o ex-marido, presenciaram o crime. O agressor foi localizado sujo de sangue, no quarto da residência e confessou que havia matado a ex-companheira.
 
*Nomes fictícios usados para preservar as identidades dos personagens
 
#Paratodosverem Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagens: Imagem 1 – Foto retangular colorida, os avós e dois dos três netos aparecem de costas olhando para o quintal da casa. Imagem 2 – Infográfico da PJC. Entre vários dados mostra que 71 crianças ficaram órfãos por casa de mulheres vítimas de mortes violentas. Imagem 3 – Foto retangular colorida da assistente executiva da Secretaria da Mulher de Cuiabá, Cláudia Assunção. Imagem 4 – Foto retangular colorida da juíza Tatiane Colombo. Imagem 5 – Foto retangular colorida da delegada Jannira Laranjeira.
 
Alcione dos Anjos/Fotos: Eduardo Guimarães/Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.

Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.

Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.

“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.

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O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.

Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.

Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.

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Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.



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