MATO GROSSO
Trabalho e qualificação mudam perspectiva de vida dos reeducandos da Penitenciária Central do Estado
MATO GROSSO
Torneiro, padeiro, eletricista, azulejista, confeiteiro, marceneiro. Essas são algumas das profissões que os reeducandos da Penitenciária Central do Estado (PCE) têm a oportunidade de aprender e construir experiência para posterior ingresso no mercado de trabalho e de reintegrar à sociedade.
A penitenciária tem 540 recuperandos trabalhando em diferentes áreas. A que ocupa a maior parte da mão de obra dos recuperandos é a construção dos novos raios da unidade, o que representa 98% dos trabalhadores, com exceção dos engenheiros responsáveis pelo projeto técnico da obra. Eles trabalham em todas as etapas de construção dos novos raios. Ao todo, estão sendo empregados 122 reeducandos, dentre algumas funções estão, serralheiro, soldador, armador, pedreiro, operador de munck, entre outras.
A oportunidade de trabalho a esses reeducandos foi possível a partir de uma parceria entre a Built Up Engenharia e Soluções e a Fundação Nova Chance (Funac), que intermedia as parcerias para contratação de pessoas privadas de liberdade.
Conforme o contrato, serão erguidos oito raios, cada um com 36 celas, com a capacidade de abrigar até 12 presos em cada uma delas. Desde o início da obra, em fevereiro de 2021, já foram montados três raios com capacidade de acomodar até 432 pessoas cada. Agora, eles estão trabalhando para a construção do quarto raio da unidade.

A cada três dias trabalhados, significa que o reeducando tem um dia a menos em sua pena, mas a oportunidade de construir uma profissão e um futuro como cidadão de bem com a sociedade. Eles são remunerados com um salário e trabalham 44 horas por semana, o que passa disso, gera hora extra.
Dentre os trabalhadores está Jonas Borges, que está na unidade há oito anos e conta que trabalhando fica mais fácil cumprir sua pena. “Aqui na fábrica a gente tem mil e uma utilidades para poder aprender, sair daqui e poder entrar no mercado de trabalho. Eu comecei como ajudante de serviços gerais e agora consegui essa vaga de torneiro na fábrica”, disse.
Ele acredita que a oportunidade de trabalho e qualificação pode mudar o futuro de quem passa pela penitenciária. “Eu tenho certeza que este é o primeiro passo para sair daqui e mostrar para a sociedade que aqui ainda tem pessoas boas e pode se reintegrar à sociedade e somar com a família. Aqui dentro pode mudar sim, aquele que quer, consegue”, disse.

Para o reeducando Mauricio Lemes, que também trabalha na construção, a oportunidade de trabalhar e conquistar uma profissão significa uma renovação. “Esta empresa está ajudando muitas pessoas, que às vezes ficaram até 20 anos dentro da penitenciária, trancado, mas que querem uma nova oportunidade, de um recomeço. Mesmo não tendo profissão aqui a gente aprende”, disse.
Alguns deles já tinham experiência, no entanto, a maior parte foi capacitada pela própria empresa, uma oportunidade que os internos têm dificuldades de encontrar fora da unidade. “A mão de obra é dedicada. Eles têm uma produtividade muito alta, percebemos que eles querem trabalhar e é algo que faz a diferença na vida deles porque pode ajudar a família”, pontuou Luiz Fabrício Vieira, sócio da Built Up Engenharia e Soluções.
Luiz Fabrício explica que os reeducandos são acompanhados por três funcionários que não são do Sistema Penitenciário, porém, dois destes recuperandos progrediram de regime de pena, mas preferiram continuar trabalhando na fábrica. Um desses profissionais era reeducando, saiu e foi contratado para voltar a trabalhar por interesse dele mesmo. Esse foi o segundo caso de reeducando que progrediu de pena, mas voltou a trabalhar para a empresa”, lembrou.
Os reeducandos da penitenciária também têm a oportunidade de construir experiência como padeiro, confeiteiro e até salgadeiro em uma padaria construída na própria unidade. São 12 internos que produzem de segunda a sexta-feira itens de café da manhã, pão caseiro, bolo, cuca, salgado e pão de queijo para consumo próprio dos servidores e encomenda dos reeducandos da própria unidade.

Para exercer a função de padeiro, eles ganharam um curso do Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), totalmente sem custo e arcado com o orçamento da Penitenciária Central, que à época qualificou 24 internos. Os reeducandos estão trabalhando há sete meses. Durante a semana, eles produzem uma média de 800 pães caseiros, para comércio.
Um dos padeiros, Jeferson Fátimo da Silva diz que é muito importante oferecer aos recuperandos a oportunidade de profissionalização. “É muito gratificante para nós como reeducandos poder aprender e sair daqui com uma profissão para não fazer o que cometia antes”, disse.
O diretor da unidade, Lindomar Henrique da Silva Rocha, destaca que é necessário quebrar o estigma que a sociedade tem sobre o Sistema Penitenciário, de que a PCE tem apenas pessoas presas e sem perspectivas de uma vida de bem e ainda cita diversas profissões que são ofertadas aos reeducandos.
“Aqui, ensinamos uma profissão e quem quiser sai daqui profissionalizado. Aqui na fábrica tem pintor, funileiro, eletricista, operador de máquinas pesadas, damos muitas oportunidades para eles saírem daqui com uma profissão e poder conquistar um emprego lá fora”, destacou.
Os cursos e qualificações são oferecidos sem custos aos reeducandos para a ressocialização, após progressão de pena e com objetivo final de evitar que eles voltem a praticar crimes e a serem presos novamente. Outras funções que os internos da unidade levam como experiência são, técnico em manutenção de ar condicionado, funileiro, mecânico e operador de máquinas pesadas.
Para o diretor da unidade, é preciso oferecer aos internos mais do que um trabalho e sim uma profissão para garantir sua recondução à sociedade. “Esta é a nova meta da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária, queremos que a PCE seja um modelo, tanto em questões de trabalho quanto de inserção social. Então, a gente mudou a forma de tratamento e agora trabalhamos conforme a lei”, finalizou.
MATO GROSSO
Lista de contemplados do Residencial Comodoro será divulgada por etapas
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária, divulgará a lista de contemplados do Residencial Comodoro por etapas. A previsão é que os primeiros 200 nomes definitivos dos beneficiários do Programa Casa Cuiabana destinados ao empreendimento sejam publicados até a primeira quinzena de novembro.
O processo de entrega do empreendimento será conduzido em três etapas: 200 contemplados na primeira fase, 200 na segunda e 100 na terceira, totalizando 500 famílias atendidas. As obras seguem em andamento: o Comodoro I está com 78,85% de execução, o Comodoro II, com 63,15%, e o Comodoro III, com 48,72%.
De acordo com a secretária municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Michelle Dreher, a divulgação depende apenas da aprovação final da Caixa Econômica Federal (CEF). O processo sofreu atrasos em decorrência da greve de quase 30 dias da instituição, que impactou os prazos de análise, resposta e aprovação dos processos. “Estamos aguardando só uma resposta final dos últimos dossiês para publicar essa lista”, explicou.
Após a divulgação dos nomes, a Secretaria dará início ao Trabalho Técnico Social com as famílias habilitadas. A etapa inclui o sorteio das unidades habitacionais, a realização de checklist dos apartamentos e outras ações necessárias até a assinatura dos contratos.
“Nessa etapa, eles vão conhecer o empreendimento, entrar nos apartamentos, ver o terreno, a obra, como funciona e qual é o tamanho do apartamento. Depois disso, haverá o sorteio para definir em qual unidade cada um vai ficar. E, caso haja interesse mútuo, os contemplados poderão realizar trocas de unidades entre si. A assinatura dos contratos ocorre somente depois da definição das unidades e da conclusão das etapas”, afirmou Michelle.
A entrega definitiva das moradias está condicionada à conclusão de 100% das obras, à aprovação da Caixa Econômica Federal e à assinatura dos contratos. Uma reunião entre a Prefeitura e a instituição financeira, prevista para o final de novembro, deverá definir o novo cronograma de entrega das três etapas do Residencial Comodoro, que totaliza 500 unidades, além de estabelecer um novo prazo para a entrega do Residencial Tijucal, que conta com 192 apartamentos e também está com as obras em andamento.
Etapas anteriores
O Programa Casa Cuiabana recebeu 83.991 inscrições entre julho e setembro de 2025, das quais cerca de 45 mil foram deferidas. Em dezembro, um sorteio selecionou mil candidatos, sendo 500 titulares e 500 reservas. Nos meses seguintes, os sorteados foram convocados para apresentar a documentação, passaram por análise de compatibilidade, tiveram prazo para apresentar recursos e foram orientados quanto à assinatura da Declaração de Beneficiário.
Em abril de 2026, um novo sorteio selecionou 500 candidatos para preencher vagas abertas após eliminações. Esses contemplados foram destinados ao Residencial Tijucal, já que as vagas do Comodoro haviam sido preenchidas no primeiro sorteio. Em maio, foi publicada a primeira lista de desclassificados, incluindo casos analisados após a apresentação de recursos. Os candidatos que não constam nessa relação não têm confirmação automática de contemplação, pois parte dos processos ainda aguarda retorno da Caixa Econômica Federal.
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