POLÍCIA
Polícia Civil cumpre mais duas prisões contra agressores dentro da Operação Resguardo 2
POLÍCIA
Raquel Teixeira/Polícia Civil-MT
A Polícia Civil cumpriu nesta quarta-feira (16.02) mais duas prisões relacionadas a inquéritos sobre crimes de violência doméstica. Os mandados foram cumpridos nas cidades de Várzea Grande e de Mirassol d’Oeste e integram as ações da 2a edição da Operação Nacional Reguardo.
Em Várzea Grande, a equipe da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) prendeu J.J.A., de 28 anos, no bairro Parque Del Rey, investigado por crime de violência doméstica contra a companheira.
Durante a formalização da prisão preventiva, os investigadores constataram que havia outra decisão judicial de prisão expedida contra ele, pela 1a Vara Criminal de Várzea Grande, por homicidio ocorrido no município.
Agressões contra a convivente
Em Mirassol d’Oeste, a equipe da Delegacia do município com apoio da DEDM de Várzea Grande prendeu em flagrante nesta quarta-feira um homem de 26 anos, após ele agredir e ameaçar sua convivente. A vítima foi atingida com um murro no olho e socos pelo corpo, que a deixaram lesionada.
Depois de ser comunicada sobre as agressões sofridas pela mulher de 25 anos, a equipe da Polícia Civil realizou diligências e conseguiu localizar o suspeito próximo ao distrito de Horizonte d’Oeste. O autor afirmou os policiais que se não fosse preso, ele mataria a vítima.
Resguardo 2
A operação é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com as Polícias Civis dos 26 estados e Distrito Federal. A operação tem foco na conclusão de procedimentos policiais, cumprimentos de mandados de prisão e de buscas, checagem de denúncias e fiscalização do cumprimento de medidas protetivas.
Em Mato Grosso, as oito Delegacias de Defesa da Mulher na região metropolitana e interior do estado, o Plantão 24h de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica e Sexual de Cuiabá e os Núcleos de Defesa da Mulher estão engajados na operação, que conta ainda com ações preventivas.
As ações das delegacias também estão levando orientações a vítimas que tiveram o descumprimento de medidas protetivas, além da checagem de denúncias e cumprimento de buscas em casos em que haja suspeita de armas de fogo em poder de suspeitos de atos de violência doméstica.
A Operação Resguardo será concluída no dia 08 de março, com a divulgação do balanço geral das ações realizadas no período.
POLÍCIA
Acusado de feminicídio é encontrado morto em cela de presídio em Várzea Grande
Joilson Bonifácio Correia de Sousa Silva, de 44 anos, foi encontrado morto na manhã deste sábado (17) em uma cela da Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Ele era acusado de assassinar a ex-companheira, Conceição Moreira da Silva, de 31 anos, com aproximadamente 16 golpes de faca, em Chapada dos Guimarães.
Informações preliminares repassadas à reportagem indicam que Joilson estava sozinho na cela quando foi localizado. Ainda não há confirmação oficial sobre a causa da morte nem sobre as circunstâncias em que o corpo foi encontrado. A hipótese inicial de que não houve participação de outras pessoas depende de apuração e não foi confirmada.
As autoridades deverão realizar perícia médico-legal e examinar registros da unidade prisional para esclarecer o horário e a causa do óbito, além das condições em que o detento permaneceu sob custódia do Estado.
Joilson estava preso desde a noite de 10 de outubro, quando foi detido após a morte de Conceição. O feminicídio ocorreu por volta das 21h, na Rua do Ipê, nas proximidades da Mercearia Azevedo, no bairro São Sebastião, em Chapada dos Guimarães, a cerca de 65 quilômetros de Cuiabá.
Segundo os registros policiais, Conceição havia saído do trabalho em um supermercado e seguia de bicicleta para uma pizzaria quando foi surpreendida pelo ex-companheiro. Ele teria aguardado a passagem dela e iniciado o ataque em via pública. A vítima foi derrubada e atingida por aproximadamente 16 golpes de faca.
A Polícia Militar foi acionada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), após testemunhas relatarem que uma mulher era atacada com uma arma branca. Quando os policiais chegaram, encontraram o suspeito contido por moradores. Joilson tinha ferimentos pelo corpo e um corte na cabeça, atribuídos à reação de pessoas que presenciaram o ataque. A faca indicada como instrumento do crime foi apreendida.
Socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Conceição foi encaminhada para atendimento médico, mas morreu em decorrência da gravidade dos ferimentos. O caso foi registrado no boletim de ocorrência nº 2026.343185 e passou a ser investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
Vítima havia denunciado ameaças
Conceição havia procurado as autoridades para denunciar ameaças do ex-companheiro. Em 28 de setembro, 12 dias antes de ser morta, obteve uma medida protetiva de urgência após relatar episódios de violência e intimidação.
De acordo com informações divulgadas sobre o procedimento policial, ela havia voltado à residência onde morava com Joilson para buscar pertences, acompanhada de dois irmãos. Na ocasião, ele teria se armado com uma faca e ameaçado a mulher. Os familiares intervieram, e ela não foi atingida.
Depois do episódio, Conceição registrou denúncia por ameaça no contexto de violência doméstica. O procedimento apontava risco grave à integridade da vítima. Informações levantadas durante a investigação indicaram que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e perseguia a ex-companheira.
Mãe de três filhos, Conceição teve a morte lamentada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Chapada dos Guimarães, que também questionou a efetividade da proteção oferecida após as denúncias.
Prisão preventiva
Joilson foi preso em flagrante em 10 de outubro. No dia seguinte, durante audiência de custódia, o juiz plantonista André Barbosa Guanaes Simões converteu a prisão em flagrante em preventiva. A medida manteve o acusado sob custódia enquanto avançavam os procedimentos judiciais, mas não representava condenação definitiva.
Com a confirmação formal da morte, a Justiça poderá reconhecer a extinção da punibilidade de Joilson, nos termos do artigo 107, inciso I, do Código Penal. A morte do acusado não impede a apuração de eventuais responsabilidades de outras pessoas, caso sejam identificadas.
Até a conclusão dos procedimentos oficiais, a causa da morte de Joilson permanece indeterminada.
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