POLÍCIA
Operação Letífero cumpre mandados judiciais em 3 cidades de MT contra alvos investigados por homicídios
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Raquel Teixeira/Polícia Civil-MT
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A Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira (26.01) a Operação Letífero para cumprimento de mandados judiciais contra alvos investigados pela Delegacia de Pontes e Lacerda por crimes de homicídio. Estão sendo cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nas cidades de Rondonópolis, Pontes e Lacerda e Nova Lacerda.
A operação conta com apoio das Delegacias Regionais de Rondonópolis e de Primavera do Leste, Polícia Rodoviária Federal, Politec, Polícia Militar, Gerência de Operações Especiais da Polícia Civil, Cioaper e das unidades da Regional de Pontes e Lacerda.
As equipes de policiais civis estão em cumprimento de nove buscas e uma prisão temporária em Rondonópolis; quatro buscas em Pontes e Lacerda e uma em Nova Lacerda. O principal alvo da operação é um policial militar que já trabalhou na região da fronteira. Os alvos das buscas também são investigados por suspeita de envolvimento com os homicídios apurados.
A delegada Bruna Caroline Laet, responsável pela operação, explica que os homicídios ocorreram em Pontes e Lacerda, entre dezembro de 2019 e março de 2021. Os exames de balística comprovaram que os disparos efetuados nas cinco vítimas saíram da mesma arma de calibre 9mm.
“A princípio, esses crimes ocorreram mediante pagamento, mas a Polícia Civil segue com as investigações para chegar ao possível ou possíveis mandantes”, observou a delegada de Pontes e Lacerda.
Homicídios
Conforme a investigação, que contou com um trabalho minucioso do Núcleo de Inteligência da Delegacia de Pontes e Lacerda, o principal suspeito seguiu um padrão para a execução dos homicídios. A Polícia Civil apurou que ele saiu de Rondonópolis e seguiu até Pontes e Lacerda utilizando como transporte motocicletas de média cilindrada. Os veículos usados estavam em nome de terceiros, conforme registros em sistema oficial, e ele fez vigilância para escolher o melhor momento de execução das vítimas, utilizando para os crimes uma pistola calibre 9mm.
A investigação apontou ainda que em apenas um dos homicídios, o suspeito adotou outro modus operandi em razão da dificuldade de encontrar a vítima fora de sua residência e da possibilidade de reação, já que a vítima possuía armas de fogo em sua residência.
Um dos homicídios apurados ocorreu em dezembro de 2019. Gleidson de Souza Paiva, 35 anos, foi alvejado por disparos de arma de fogo calibre 9 mm efetuados por um homem que pilotava uma motocicleta Honda Twister preta, em frente à casa de uma sobrinha, no bairro São José.
Em 05 de maio de 2020, por volta das 09h30, Noel Simon Colontoni, 44 anos, foi morto por disparos de arma de fogo, também de calibre 9mm, feitos por um homem em uma Honda Twister preta. A vítima foi alvejada enquanto reformava um salão de sua propriedade, no Jardim Boa Vista.
Já em julho de 2020, o terceiro homicídio vitimou Carlos Antonio Silva Araújo, 48 anos, no Jardim Primavera. Ele foi alvejado por uma pessoa que pilotava uma motocicleta Honda/CB300, preta, quando estava na casa da companheira, se preparando para ir à sua fazenda.
Os dois últimos homicídios apurados pela Delegacia de Pontes e Lacerda vitimaram dois irmãos e ocorrreram em 2020 e no ano passado. No dia 23 de dezembro de 2020, Vanderson de Almeida Castro, 36 anos, foi alvejado por um homem que pilotava uma motocicleta Honda CB300, vermelha, quando ele chegava a uma oficina mecânica, localizada na na BR 174, em Pontes e Lacerda.
Em março de 2021, por volta das 06h20, Ederson Flávio de Castro, 39 anos, foi alvo de disparos de arma de fogo calibre 9mm feitos por pelo menos três homens que usavam camisetas com a identificação da Polícia Civil. O trio dissimulou um cumprimento de mandado de busca e apreensão para atingir a vítima.
Três das vítimas dos homicídios tinham envolvimento com o tráfico de drogas e outra com homicídio. Uma delas não possúía nenhum registro criminal.
Operação
Letífero significa o que acarreta a morte, letal.
POLÍCIA
Acusado de feminicídio é encontrado morto em cela de presídio em Várzea Grande
Joilson Bonifácio Correia de Sousa Silva, de 44 anos, foi encontrado morto na manhã deste sábado (17) em uma cela da Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Ele era acusado de assassinar a ex-companheira, Conceição Moreira da Silva, de 31 anos, com aproximadamente 16 golpes de faca, em Chapada dos Guimarães.
Informações preliminares repassadas à reportagem indicam que Joilson estava sozinho na cela quando foi localizado. Ainda não há confirmação oficial sobre a causa da morte nem sobre as circunstâncias em que o corpo foi encontrado. A hipótese inicial de que não houve participação de outras pessoas depende de apuração e não foi confirmada.
As autoridades deverão realizar perícia médico-legal e examinar registros da unidade prisional para esclarecer o horário e a causa do óbito, além das condições em que o detento permaneceu sob custódia do Estado.
Joilson estava preso desde a noite de 10 de outubro, quando foi detido após a morte de Conceição. O feminicídio ocorreu por volta das 21h, na Rua do Ipê, nas proximidades da Mercearia Azevedo, no bairro São Sebastião, em Chapada dos Guimarães, a cerca de 65 quilômetros de Cuiabá.
Segundo os registros policiais, Conceição havia saído do trabalho em um supermercado e seguia de bicicleta para uma pizzaria quando foi surpreendida pelo ex-companheiro. Ele teria aguardado a passagem dela e iniciado o ataque em via pública. A vítima foi derrubada e atingida por aproximadamente 16 golpes de faca.
A Polícia Militar foi acionada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), após testemunhas relatarem que uma mulher era atacada com uma arma branca. Quando os policiais chegaram, encontraram o suspeito contido por moradores. Joilson tinha ferimentos pelo corpo e um corte na cabeça, atribuídos à reação de pessoas que presenciaram o ataque. A faca indicada como instrumento do crime foi apreendida.
Socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Conceição foi encaminhada para atendimento médico, mas morreu em decorrência da gravidade dos ferimentos. O caso foi registrado no boletim de ocorrência nº 2026.343185 e passou a ser investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
Vítima havia denunciado ameaças
Conceição havia procurado as autoridades para denunciar ameaças do ex-companheiro. Em 28 de setembro, 12 dias antes de ser morta, obteve uma medida protetiva de urgência após relatar episódios de violência e intimidação.
De acordo com informações divulgadas sobre o procedimento policial, ela havia voltado à residência onde morava com Joilson para buscar pertences, acompanhada de dois irmãos. Na ocasião, ele teria se armado com uma faca e ameaçado a mulher. Os familiares intervieram, e ela não foi atingida.
Depois do episódio, Conceição registrou denúncia por ameaça no contexto de violência doméstica. O procedimento apontava risco grave à integridade da vítima. Informações levantadas durante a investigação indicaram que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e perseguia a ex-companheira.
Mãe de três filhos, Conceição teve a morte lamentada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Chapada dos Guimarães, que também questionou a efetividade da proteção oferecida após as denúncias.
Prisão preventiva
Joilson foi preso em flagrante em 10 de outubro. No dia seguinte, durante audiência de custódia, o juiz plantonista André Barbosa Guanaes Simões converteu a prisão em flagrante em preventiva. A medida manteve o acusado sob custódia enquanto avançavam os procedimentos judiciais, mas não representava condenação definitiva.
Com a confirmação formal da morte, a Justiça poderá reconhecer a extinção da punibilidade de Joilson, nos termos do artigo 107, inciso I, do Código Penal. A morte do acusado não impede a apuração de eventuais responsabilidades de outras pessoas, caso sejam identificadas.
Até a conclusão dos procedimentos oficiais, a causa da morte de Joilson permanece indeterminada.
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